sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O apóstolo incansável

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Você conhece São Vicente Pallotti?
Apóstolo incansável
Caros amigos de São Vicente Pallotti! Nossa caminhada junto da vida deste grande santo será feita agora a passos largos. Não que nos falte empenho ou desejo de estudar sua vida e seus feitos a fundo, mas o fato é que Pallotti jamais descansava, fazendo com que tivesse inúmeras atividades ao mesmo tempo, por anos a fio. Por isso, não se assuste com nossos avanços cronológicos, ainda assim estaremos junto de nosso santo.
A primeira impressão que temos diante dos numerosos ministérios sagrados assumidos por Pallotti é que ele não daria conta de tudo. Seu dia, nos anos que seguiram sua ordenação sacerdotal, era intenso: pela manhã atendia no confessionário, em seguida, celebrava a Eucaristia em lugares diferentes, conforme necessário. À tarde de todos os dias úteis, exceto aos sábados, orientava as discussões na Academia da Universidade Sapienza. À noite, pregava ao ar livre e dirigia o Oratório Noturno. Nos dias santos dava assistência aos meninos do Oratório do jardim. Havia, depois, as reuniões com os colaboradores; os exercícios espirituais; além de ser diretor espiritual de diversas pessoas.
Em 1824, sua mãe, Maria Madalena, ficou gravemente enferma. Os seus sofrimentos eram agudos, mas dotada de fibra vigorosa pode lutar, por muito tempo, contra a doença. Em 1827, as dores se tornaram mais fortes, quase insuportáveis. Maria Madalena lutou até o dia 19 de julho, festa de São Vicente de Paulo, quando faleceu. Seu filho Vicente estivera todo o tempo ao seu lado.
No outono de 1827, o padre Vicente foi nomeado Diretor Espiritual do Seminário Romano, o seminário da diocese de Roma. Dedicou-se com especial carinho a este serviço, convencido que estava de que daquele Seminário dependia a santificação não só do clero romano, mas também de todo o mundo católico. Tanto trabalho e a grande austeridade que impunha em sua vida alquebraram ainda mais seu organismo, que já não era demasiado forte. Parentes e amigos rogavam-lhe que diminuísse o ritmo das atividades, mas ele respondia invariavelmente: “Iremos descansar no Céu”.
Se a sua atuação no Seminário Romano o ajudou a aprofundar a espiritualidade sacerdotal e a reavaliar o sentido do ministério, o encargo exercido alguns anos mais tarde, em 1833, no Colégio Urbano da Propagação da Fé ampliou-lhe os horizontes e abriu-o às realidades missionárias da Igreja.
Com o passar dos anos, o ministério da Reconciliação tornou-se para o Pe. Vicente a ocupação principal. O padre Rafael Melia, um de seus colaboradores, declarou: “o principal ministério a que se dedicou o Servo de Deus foi o de confessar, da manhã até a alta noite”. Pouco a pouco o número de penitentes foi se ampliando. Nos anos trinta e quarenta, a cada quinze dias, confessava-se com ele o Cardeal Luigi Lambruschini, bem como o Papa Pio IX.
Na época em que, em torno do Padre Vicente, diminuía a família natural, crescia uma progênie espiritual, gerada e alimentada pelo ministério, pela pregação e pelo confessionário. Não nos referimos somente aos colaboradores, mas a um grande número de homens e mulheres que o reconheciam pai e mestre. O padre Vicente Pallotti teve, de três maneiras diversas, o dom da paternidade espiritual e do ensino. Foi, antes de tudo, pai e mestre.
Assim já vamos percebendo o dom que Vicente tinha de atrair as pessoas para Deus. Os homens que estão próximos de Deus, e que buscam sempre a santidade, não necessitam de muitos gestos, mas seu próprio testemunho fala aos corações. É impossível acompanharmos o padre Vicente sem nos sentirmos tocados e impelidos a fazer como ele fez.
Assim, continuamos nosso itinerário imerso na vida de nosso grande santo. No próximo número veremos suas características espirituais, bem como os primeiros movimentos do nascimento da União do Apostolado Católico. Mas, enquanto isso, procuremos sempre mais sermos discípulos missionários incansáveis, para a infinita glória de Deus e para a salvação das almas, a exemplo de São Vicente Pallotti. Até a próxima!
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Série "Você Conhece São Vicente Pallotti" (Clique no link para acessar)
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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Luiz Inácio, o SUS e o Sírio

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A doença do ex



O filósofo Gabriel Marcel, na metade do século XX, lucidamente afirmou que quanto mais a tecnologia avança na vida do homem, mais recua o lugar da reflexão. Não temos espaço para o recolhimento, para o silêncio e, por fim, tornamo-nos monstros do ego, criaturas abomináveis autocriadas pelas mãos que ultimamente só sabem deslizar pelos ipods da vida.

Tudo isso para chegar a um só ponto: no ti ti ti que criaram, a partir das redes (anti) sociais ao redor do aposentado Luiz Inácio, e de sua doença, nacionalmente conhecida. De um lado, os que bradam: “Vai se tratar no SUS”, na outra trincheira, os bolcheviques que gritam: “No Lula ninguém toca. Porque o outro também não o fez?”. E todo esse falatório leva para onde? Para lugar nenhum. É fomentado pelas redes sociais que, até hoje no Brasil, não fizeram politicamente nada de bom.

Vamos jogar as cartas sobre a mesa. E vamos colocar tudo em alvos panos.

Sempre deixei claro que nunca fui amigo de Luiz Inácio, nem tampouco simpatizante. Mas isso não quer dizer que me alegro pela sua enfermidade. Muito pelo contrário: como ser humano, ser criado, ser encarnado, filho do mesmo Deus que eu, desejo sua rápida recuperação. Ninguém merece o mal e, ainda que de vozes dissonantes, quero que Luiz Inácio fique bem.

Mas o que precisamos compreender é um só fato: Luiz Inácio sempre foi sinônimo de contradição. Como costumam fazer na filosofia, podemos dividir sua história em dois períodos: primeiro Lula e segundo Lula. Um será totalmente o oposto de outro. Os demais equívocos entre o metalúrgico e o presidente deixemos de lado para focarmos em um só.


Na campanha presidencial de 2006, Luiz Inácio bradou inequívoco em um dos falaciosos debates televisionados: “o Brasil não está longe de atingir a perfeição no tratamento de saúde”.

E eu, na ocasião, achando que estava ouvindo mal.

Em 2010, o digníssimo presidente foi inaugurar uma Unidade de Pronto Atendimento do SUS, em Recife. E mais uma vez disse: “esta unidade está tão bem localizada, tão bem estruturada, que dá até vontade de ficar doente para ser atendido”. Pois bem, Luiz Inácio, o que o senhor fez quando, depois de algumas horas, teve uma crise de hipertensão na mesma cidade? Internou-se num hospital privado!

E agora, depois de oito anos de seu majestoso governo, e mais um de sua afilhada, o que melhorou no sistema de saúde brasileiro?

Melhorou que Lula agora é tratado no Sírio-Libanês. Onde a diária de um quarto simples custa R$ 750. Já a UTI, por dia, sai em média por R$ 2.133. Do diagnóstico de sua doença, ao início de tratamento, vão correr apenas quatro dias.
Agora, se fosse ao perfeito SUS de Luiz Inácio, uma pessoa com os mesmos sintomas que ele demoraria cerca de 30 dias para ser examinada corretamente, mais 70 para começar a quimioterapia e mais 110 caso necessitasse de radioterapia.

Se há um barulho extra em torno da doença de Lula, é porque não conseguimos compreender mais essa contradição. A saúde pública, no SUS. A saúde da República, no Sírio-Libanes. Aí podemos compreender quando Lula dizia que a saúde beirava a perfeição: a perfeição do Sírio-Libanês.

Não quero fazer piada. Não quero fazer afundar o ex-presidente. Só quero um pouco de coerência na política brasileira. Só um pouco mais de reflexão e ação.
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terça-feira, 11 de outubro de 2011

O apóstolo da juventude

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Você conhece São Vicente Pallotti?

O jovem sacerdote
Caros amigos! No mês que passou pudemos contemplar com grande alegria a primeira subida de São Vicente Pallotti ao altar, no dia 16 de maio de 1818, depois de um longo período de preparação para receber o sacramento da Ordem. A partir deste momento, o jovem Vicente já faz parte do clero, e sua vida apostólica já está fortemente ativa.
A Ordenação Sacerdotal deixou o padre Vicente cheio de fervor. Alguns meses depois, em 1819, reconhecia ainda que o Espírito de Deus recebido então, lhe proporcionava graças abundantes, capazes de produzir frutos para o bem do próximo. De fato, a fecundidade de um trabalho pelo Reino de Deus só pode ser efetiva na medida em que grande é a união com o próprio Deus. E assim era com Vicente.
Duas coisas suscitam grande admiração pelo jovem padre Vicente: a incansável dedicação em ser apóstolo e servir a Deus e o vivíssimo espírito sacerdotal, curador de almas. Exortava, antes de tudo, a rezar em sentido apostólico, para a glória de Deus e a salvação das almas. Recomendava aos outros sacerdotes que rezassem pela conversão dos pecadores e também dava muito valor às orações dos religiosos e religiosas. Para Vicente, era necessário rezar muito, pois as necessidades aumentavam sempre mais.
Juntamente com a profundíssima vida de oração, Vicente vivia uma vida de caridade, pois o amor é a forma de todas as virtudes. O motivo que o impelia a trabalhar pelo bem do próximo era o mesmo que invocava para o respeito e o amor para com todos: o fato de ser cada qual imagem de Deus. A sua caridade, já nos primeiros anos de sacerdote, foi heróica, disposta a morrer pelo próximo. Declarou Vicente ao companheiro Casini: “Amo-o de tal forma em Jesus Cristo, que, para salvá-lo, estou disposto até a perder a vida, creia-me!” (OCL I, 108).
Nos primeiros anos depois da ordenação sacerdotal, formou-se em torno de Pallotti um pequeno grupo de padres e clérigos, consagrados a vários ministérios, em favor dos meninos de Santa Maria del Pianto. O senso de fraternidade e de indiscutível liderança foram importantes no desenvolvimento da personalidade de Vicente Pallotti.
Entre o padre Vicente e alguns de seus colaboradores surgiu uma Liga ou União Antidemoníaca. O jovem Pallotti queria que todos os companheiros de filiassem à Pia União da Imaculada, recebendo o respectivo escapulário, para que a luta contra o demônio se desenvolvesse sob a proteção de Maria Imaculada. Queria uma guerra sem trégua contra o maligno, suprimindo as ocasiões públicas de pecado. Estava convencido de que estátuas e representações de nus podiam ser origem de inumeráveis pecados.
Em 04 de março de 1819, quase um ano e dois meses depois de sua Ordenação, foi nomeado professor suplente de Teologia na Universidade Sapienza, encarregando-o como mediador dos estudos e debates teológicos dos alunos. Conforme analisaram seus amigos, “juntavam admiravelmente no padre Vicente duas coisas não fáceis de se encontrarem juntas na mesma pessoa: uma piedade muito grande, unida a uma ciência eminente que resultava em grande utilidade”.
Todas estas atividades: rezar a Missa, atender confissões, visitar enfermos, auxiliar os jovens de Santa Maria del Pianto e ser mediador da Academia da Sapieza, pareciam pouco diante de suas energias e de sua vontade de ajudar o próximo. Em 1819, começou a pregar a noite, à gente da praça. Foi um novo modo de levar a Palavra de Deus às pessoas. Bem depressa, o padre Vicente passará a ocupar-se de outro centro de apostolado: a direção espiritual de um oratório.
Enfim, a atividade apostólica do padre Pallotti, com os anos, foi se tornando sempre maior. Parecia que nada o contentava quando o trabalho era pelo Reino de Deus. Por isso, não cessaremos de acompanhar juntos a vida sacerdotal e o trabalho apostólico do padre Vicente. A partir do nosso próximo encontro, nos contemplaremos os sofrimentos que nosso santo encontrou em seu caminho. Até lá!
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domingo, 11 de setembro de 2011

"Tu és sacerdote eternamente..."

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Você conhece São Vicente Pallotti?
A Ordenação Sacerdotal
Acompanhamos na última edição a preparação que Vicente Pallotti teve rumo à sua Ordenação Sacerdotal, bem como todas as dificuldades que enfrentou em sua caminhada vocacional. De fato, o ouro é mais puro quanto mais for provado no fogo. Sem sofrimento não há crescimento.
Agora estamos no ano de 1816, e Vicente ainda estuda na Universidade Sapienza e conta com aproximadamente 22 anos. Embora caminhasse para a Ordenação Sacerdotal como secular (diocesano), emitiu privadamente os votos religiosos de castidade perfeita, de pobreza e de obediência ao confessor, mais o voto típico dos clérigos regulares de não pleitear e não aceitar dignidades eclesiásticas. Dessa forma ficara ligado a Deus espiritualmente sem os votos canônicos próprios das ordens religiosas.
Em 1817 quando o jovem Pallotti concluía seus estudos de teologia, sua cidade e toda a Itália sofreram uma série de calamidades. Entre janeiro e maio surgiu uma epidemia que causou grande número de mortes. Passada a epidemia, as regiões da Itália central e meridional sofreram uma longa e rígida estiagem. O preço dos alimentos aumentou, a fome se fez sentida e as ruas se encheram de mendigos.
No dia 10 de setembro de 1817, Vicente iniciou os Exercícios Espirituais em preparação ao seu Diaconato, que aconteceu no dia 20 de setembro, pelo cardeal Vigário de Roma, na Basílica de São João do Latrão. Agora Vicente podia proclamar o Evangelho na liturgia, pregar e batizar. Para Pallotti, o diaconato não foi uma simples passagem a caminho do presbiterato, mas foi um dom do Espírito, que conferia um sentido novo a toda uma vida. No período que se seguiu, Vicente exerceu o Diaconato em diversas Igrejas, de acordo com as leis da época.
O ano de 1818 foi acolhido por Vicente com imensa alegria: se Deus continuasse a ter-lhe misericórdia, como gostava de dizer, seria o ano da Ordenação Sacerdotal. Iniciou seus Exercícios Espirituais no dia 6 de maio até dia 13, quarta feira. E eis que era chegado o grande dia: no sábado da Vigília da Santíssima Trindade, dia 16 de maio, Vicente Pallotti era ordenado sacerdote na Basílica de São João do Latrão. No dia seguinte o Pe. Vicente celebrou sua primeira missa na Igreja del Gesù, em Frascati, nos arredores de Roma.
Pe. Vicente relata em uma carta os seus sentimentos por esta ocasião: “No dia 16 de maio, Deus amabilíssimo se dignou, num gesto de sua infinita misericórdia, erguer-me do pó e do nada e elevar-me ao sublimíssimo grau de sacerdote. Rogo-lhe que reze e peça a outras pessoas que rezem o cântico do Magnificat, em ação de graças pelo benefício recebido. Oh, dignidade grande a do sacerdócio! Que dignidade! Que dignidade!” (OCL I, 24).
O novo sacerdote pediu e obteve das autoridades eclesiásticas a permissão de exercer o ministério na Igreja de Santa Maria del Suffragio, na Via Giulia. Toda manhã, no altar daquela Igreja, à vista das almas sofredoras e diante de um grupo de fieis celebrava a Eucaristia. Após a celebração sentava-se no confessionário e estava sempre disponível.
A Ordenação Sacerdotal deixou o Pe. Vicente cheio de fervor e entusiasmo apostólico, destacando-se nele a incansável dedicação e o vivíssimo espírito sacerdotal. Não era raro encontrar frases como “Procuremos fazer todo o bem possível”, bem como “cuidemos por não nos deixar superar pelos filhos das trevas” em suas inúmeras cartas escritas aos amigos e colaboradores.
Dessa forma, já nos é possível visualizar o início da vida apostólica e espiritual do jovem Pe. Vicente. Nas próximas edições vamos acompanhar um pouquinho mais da vida sacerdotal deste que ficaria conhecido como o Apóstolo de Roma. Enquanto isso, continuemos a propagar a devoção a São Vicente Pallotti!
(Os paramentos sacerdotais da segunda foto foram usados por São Vicente Pallotti em sua visita a San Giorgio di Cassia, onde viveu seu pai e lá estão como lembrança desta visita.)
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sábado, 27 de agosto de 2011

Sobre as palavras de Bento XVI

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A LUCIDEZ DE BENTO

Não é de hoje que Joseph Ratzinger é conhecido pela grande e aprimorada formação teológica bem como pela vasta produção literária que, somando livros, documentos, exortações, encíclicas, teses e artigos, chegam a 600 títulos. Apesar de ser o líder da Igreja Católica, que reúne cerca de 1,2 bilhão de fiéis, chefe de um Estado, trabalhar em cima de assuntos delicados e decisivos, ter oitenta e quatro anos, ainda é um homem simples e dotado de uma lucidez sem igual.

Seu rosto já traz há algum tempo as marcas imprimidas pelo tempo e acentuadas por intempéries pelas quais a Igreja navegou. Seu olhar fundo, concentrado, gentil e sóbrio, transmite mais do que nunca uma lucidez que só pode ser encontrada em pessoas de fé sólida, profundamente arraigada em Jesus Cristo: esta é a fé de Bento XVI, a fé que ele deseja ao mundo.

No recém publicado “Luz do Mundo”, livro com entrevistas realizadas pelo jornalista alemão Peter Seewald com Sua Santidade, confirmam-se todas as características acima citadas e além do mais, revelam um homem afável e preocupado ao mesmo tempo, que quebra todos os preconceitos que o mundo formou sobre aquele alemão eleito para suceder o carismático Papa Wojtyla.

O livro nos transmite, em primeiro lugar, a sensação de estarmos entrando na intimidade do homem de branco: aquilo que ele pensa é fielmente impresso no papel. Talvez este seja o livro-entrevista mais pessoal e íntimo desde que este tipo de publicação foi autorizada, pela primeira vez, por Paulo VI.

Depois de lermos as 218 páginas da edição brasileira temos a impressão de que cada tema levantado – tantos que geraram polêmica - é de grande preocupação para o Papa. É como um pai que está atento a tudo que acontece em sua casa, alegrando-se com o sucesso dos filhos, entristecendo-se com seus tropeços, contudo, sempre disposto a caminhar junto.

O papa fala de sua eleição, dos escândalos dos abusos, da crise econômica, da catástrofe ecológica, da ditadura do relativismo, da reforma litúrgica, da mensagem de Fátima, do Ecumenismo e da conversão do ser humano, entre outros assuntos.

O que está na raiz de tudo é a grande preocupação – e pelas palavras vemos que isso lhe causa imensa dor – que Sua Santidade tem com o mundo que a cada dia mais exclui Deus de seu horizonte. Em sua humilde opinião, no fato de preterirmos Deus em nossas vidas reside a origem de todos os problemas.

Este livro mostra como Bento XVI é totalmente o contrário daquilo que a mídia descompromissada com a verdade pinta dele. É um homem com a capacidade de conhecer, compreender e aprender. E está sempre a nos ensinar. “Luz do Mundo” é uma obra recomendável para todo católico: nela encontramos o combustível para nossa fé. Através de uma fala simples, mas incisiva, sempre em primeira pessoa, vemos que a Barca de Pedro possui à sua frente um homem forte que não por vontade própria, mas por graça divina de manifesta com luz. É uma leitura séria, mas agradável que responde diversas perguntas do inquieto homem do século XXI.

Bento XVI é o profeta que nos lembra a necessidade de defender a fé, sendo ele o primeiro das fileiras nesta batalha. De espírito agudo, o Sumo Pontífice mostra como ser Luz do Mundo nas trevas do hoje. Se todos o acompanhassem com devida atenção veriam que seu pontificado surpreende, pois o papa fala de seu coração ao coração do ser humano contemporâneo.

Basta ler este livro e notaremos o que há muito deveria ser visto: um homem dotado de uma lucidez que já se é difícil de encontrar. E nós bem sabemos de onde vem essa luz: de um Outro, infinitamente maior que todos nós, visível neste mundo por exemplos como o de Bento XVI.

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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Faxina da Dilma

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DILMINHA, HOJE É DIA DE FAXINA!

Se ela marido tivesse, assim seria acordada:

- Dilminha, hoje é dia de faxina!
Mas desquitada, ela a ela se faz lembrada:
- Dilminha, hoje é dia de faxina!

Ó dúvida cruel, com os olhos ainda se abrindo:
- Por onde deveria eu começar?
São tantos ministérios, muito pó sentindo:
- Será que eu poderia ter tempo pra pensar?

Ela ainda é nova, não reclama da artrite:
- Por ordem alfabética vou limpar. Agricultura.
Se de Lula não herdou a bursite, com o pó a renite:
- Quanta sujeira! Depois do ‘A’, o ‘C’. Cultura.

Há um baita terrão. Ninguém sabe, ninguém viu:
- Olha a lama do companheiro Dirceu na Casa Civil.
Limpou e colocou uma mulher no lugar. Que perigo:
- Vou para as Comunicações, pois lá está o marido!

E a Defesa então, está tudo muito complicado:
- Quem fala o que quer, escuta o que não deve.
Colocou um radical no lugar de um jurista armado:
- Quem dita a marcha sou eu. Não obedece, perece.

Já caiu a noite, e ainda não chegou no ‘E’:
- Será que sou capaz? O fim não consigo ver.
Há a titica do ninho vermelho. E também do pê ême dê bê:
- A Fazenda, amanhã. Preciso o dragão esconder.

Que a manteiga espere derramada, há a Educação:
- O que a merenda faz aqui? Não deveria ir pro sertão?
O secretário só quer de São Paulo a prefeitura:
- Para uma guerrilheira, isso é tortura!

Até chegar à Integração Nacional, um entrave:
- A bendita governabilidade. Quase esqueci!
Uma solução caseira, outra mulher, muito grave:
- Ninguém mais asseada que a Ideli!

Nessa altura o baixo clero já começa a espernear:
- Trabalho, Transporte, Turismo, não quero imaginar!
Pobrezinha já está abatida, a maquiagem a desmoronar:
- E o Valdemar ainda em mim quer mandar!
Ó presidenta, quem mandou entrar?
- Foi Lula, meu criador, que pediu pra eu confiar.
Aguentar a barra até 2014 para ele voltar:
- Enquanto não chega, a faxina vou continuar.

- Dilminha, hoje não é dia de faxina!
E quando o sofista voltar, Dilminha não será incomodada.
Então ela não mandará mais, pois no reinado de outro
O Brasil canta em coro:
- Toda a corja é encobertada!

Boa Sorte, Dilminha.
Boa Sorte, Brasil.
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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Distrações

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VELOCIDADE

Correr, correr, correr, e não parar?

Correr, correr, correr, para chegar.

Correr, correr, correr, para ganhar.

Correr, correr, correr, e se perder?

Correr, correr, correr, para vender.

Correr, correr, correr, para morrer.

Correr, correr, correr, e se iludir?

Correr, correr, correr, para invadir.

Correr, correr, correr, para extorquir.

Correr, correr, correr.

Até quando? Correr.

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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Agosto: Mês de Oração pelas vocações

Um comentário :
Você conhece São Vicente Pallotti?
Juventude e Vocação

Na edição passada vimos alguns poucos traços de um dos mais importantes períodos da vida de Vicente Pallotti: sua infância. Agora, para continuarmos a conhecer este grande santo, vamos acompanhar seu crescimento, passando por sua juventude e contemplando sua vocação.
Com treze anos, o jovem Vicente começou a frequentar o Oratório de Santa Maria. Aí reuniam os meninos nos domingos e dias santos para instruí-los sobre o catecismo e treiná-los para a Santa Eucaristia. Depois da Missa, brincavam no pátio e participavam de algum ato de piedade.
Depois dos oratórios e um pouco mais velho, Vicente participou das Reuniões, encontros que reuniam todo sábado os adolescentes e jovens para tomar parte nas celebrações em honra de Nossa Senhora e para ouvir as explicações do Catecismo do Concílio de Trento. Assim, Vicente já estava sendo preparado para, mais tarde, ser um grande catequista.
Nesta época do desabrochar da juventude de Vicente, mais precisamente em 1809, as tropas de Napoleão Bonaparte invadiram Roma, onde permaneceram até 1814. O papa Pio VII foi preso e levado para fora de Roma. O clima era de caos e muitos transtornos. Tudo conspirava contra o desabrochar de vocações, mas não foi isto que aconteceu. Ninguém consegue parar o Espírito Santo, nem mesmo a guerra, e foi a Divina Inspiração que sempre guiou Vicente.
Depois das Escolas Pias, Vicente passou a frequentar o Colégio Romano, de 1809 a 1814. Foi nesta época que decidiu a ingressar na austera Ordem dos Capuchinhos. Os pais de Vicente eram benfeitores de um convento da Ordem e o menino sempre visitava aquele lugar. Contudo, foi em 1810, quando tinha 15 anos que, aconselhado por seu confessor, o Pe. Fazzini, Vicente decidiu permanecer no clero secular, devido à sua frágil saúde.

Os costumes daquele tempo permitiam que um jovem de dezesseis anos recebesse a tonsura – raspagem dos cabelos da parte superior da cabeça. Foi tonsurado (o que para nós hoje representa a Primeira Consagração) no dia 15 de abril de 1811 e no dia 26 de maio do mesmo ano o novo clérigo recebeu as quatro ordens menores: ostiariato, leitorato, exorcitado e acolitato. Devido às leis impostas por Napoleão, ele não pode vestir o hábito clerical. No dia 24 de maio de 1814 o papa Pio VIII retorna para Roma. Em 1815 Napoleão é derrotado e enfim a Igreja pode-se ver livre de seu Império.
A partir daí os estudos de Pallotti desenvolvem-se já sem muitos problemas rumo a sua ordenação sacerdotal, que será o tema do nosso próximo encontro. Mas até lá continuemos a difundir a devoção de nosso querido santo e peçamos sempre sua intercessão! Até a próxima!
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domingo, 24 de julho de 2011

Harry Potter e as Relíquias da Morte

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O QUE DEIXA HARRY POTTER

A tão famosa saga do bruxo de cicatriz na testa teve as portas de seu fim abertas este mês nos cinemas. Embora muitos já conhecessem a conclusão da trama através dos sete livros escritos pela inglesa J. K. Rowling, foi para todos um grande acontecimento a estréia do oitavo e último filme gravado pela Warner. E como foi em todos os capítulos anteriores, Harry Potter e as Relíquias da Morte 2 arrastou multidões para as salas de cinema de todo mundo.

A octologia cinematográfica é um marco na história do cinema e não somente isso, mas também representa uma geração de crianças – hoje jovens e adultos - que cresceu com o bruxo nestes sete anos de história e onze de cinema. Portanto, não é possível falar da história ‘potteriana’ sem algumas gotas de saudosismo e emoção. Como algo que faz parte da vida a alegria do fim é tão maior que a do princípio que ao ouvir as notas do “Tema de Edwiges” – a característica música - já não aguardamos o início de mais um filme, mas o retorno de um amigo, o reencontro de sentimentos, e a visão de si próprio, com os conflitos inerentes ao crescimento de um adolescente, na tela. Questão de identificação.

Harry Potter parte, ainda que eternizado nas páginas e nos discos, deixando para todos – fãs ou não – uma série de lições, e boas. Como sabemos, desde o lançamento do primeiro livro, a série recebeu críticas de todas as dimensões, a maioria de caráter negativo, sobretudo por ser uma trama onde o assunto principal era a bruxaria, com feitiços, azarações, fantasmas, lutas, duelos e mortes. Mas eram poucos os que se esforçavam para ver a mensagem benéfica que o primeiro e todos os outros livros – bem como os filmes - trouxeram aos espectadores.

Em primeiro lugar, a série literária ‘Harry Potter’ é uma ficção e não tinha qualquer compromisso de traduzir em suas páginas a realidade como ela é. Deixa-se levar pela fantasia, por aquilo que sabemos não existir, mas repleta de humanidades, daquilo que é próprio do homem. Talvez por isso tenha atraído tantos olhos: misturar realidade e imaginação, um misto de desejo de dar um passo maior que o sensível, além da escrita de Rowling, que é simples, de fácil compreensão, narrando a vida de um menino órfão cujos pais foram mortos pelo maior símbolo do mal, o qual também quer aniquilá-lo.

É assim que se iniciam as lições de Harry Potter: a eterna luta entre o bem e o mal. E dessa forma acontecerá o desenrolar da trama. Para aqueles que conhecem a história mais explicações são desnecessárias, e os que ainda não conhecem fica a instigação.

A superação do garoto é digna de nota. Assim também como a amizade: encontrar amigos, confiar, cultivar. O companheirismo do trio protagonista demonstra, entre risos e discussões, o valor da amizade e como, com ela, pode-se chegar mais longe em mundo como o nosso, na real corrida individual pelo poder em cima do outro.

Também deixa lições de coragem: não temer o mal, mas lutar contra ele e nessa luta ser perseverante. E sempre o mal foi combatido pelos bons, a ponto de, no último livro, haver um mar de mortos, todos pela vida de Harry e pela destruição de Voldemort. Não temer a morte quando se sabe que a causa é justa e boa, digna de ser oblação até o sangue derramado. É lição para hoje quando tantos se perdem por não encontrarem um sentido, por não acharem razões para viver.

Não passa em branco a perseverança, a alegria, o saber conviver com as diferenças e o suportar quando não se consegue amar. E por fim a maior de todas as lições que Harry Potter deixa, depois de tantos anos, é o amor. Sua mãe deu a vida pelo menino, e por causa de seu amor ele não padeceu. Por amor ele viveu e pelo amor que corria em suas veias destruiu Voldemort. Sem contar o amor de Snape por Lilian, amor que transforma qualquer pessoa. Podemos exemplificar, pois muitas outras são as lições para a vida, resumindo em uma frase – entre tantas célebres – de Alvo Dumbledore: “Não tenha piedade dos mortos, Harry. Tenha piedade dos vivos e, acima de tudo, dos que vivem sem amor.”

Sim, Harry Potter pode parecer mais uma história açucarada, infantil, jogada de marketing. Mas não deixa de ser séria para quem assim a encará-la. Tem um final feliz, e isso pode desagradar a muitos, mas qual o nosso desejo se não de que também nossa vida tenha um feliz findar?

Que varinhas mágicas se tornem mãos estendidas pela caridade; que feitiços se tornem palavras de consolo e edificação; que dragões se transformem em forças pela mudança; que maldições sejam convertidas em bênçãos. Que o ódio da vingança seja transfigurado pela mágica mais do que real do amor.

Tudo depende das coisas simples, desde a simplicidade de uma gentileza até a suavidade das palavras. É a simplicidade que faz a vida valer a pena, sem a necessidade de complicações, mas apenas dar um novo sentido a tudo através do amor. Como disse Dumbledore em outra ocasião: quando tudo estiver envolto em trevas, basta acender a luz. É isso. Difícil e fácil, sim, talvez mais simples que atravessar a Plataforma 9 ¾.

Termina com méritos a série Harry Potter. Merece aplausos. Fica pra História.

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sábado, 23 de julho de 2011

Borrões sobre o que chamam de filosofia

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O escrito abaixo publicado é fruto de estudos e não reflete a moral do autor, apenas pontos destacados e relacionados entre a filosofia de Condillac e o mundo contemporâneo.


O pensamento de Condillac e os costumes contemporâneos

A Idade Moderna representa para a Filosofia um importantíssimo marco no desenvolvimento do pensamento e do modo de pensar. É a partir da ruptura com a Idade Média e seu teocentrismo sempre baseado na fé e na verdade revelada que se desencadeará uma nova forma de pensar que influenciará todos os anos vindouros, inclusive os atuais, da contemporaneidade. Somos herdeiros da filosofia dos Modernos e o pensamento de hoje é senão desdobramentos da Modernidade e do novo modo de pensar o mundo.

É neste ensejo que queremos analisar a relação entre o pensamento de Étinne Bonnot de Condillac, um dos filósofos de maior destaque do Iluminismo francês, e os costumes adotados pela sociedade contemporânea, sobretudo o modo de pensar e agir das massas humanas que vivem em pleno século XXI. O que aqui apresentamos são apenas escorços – pois não se pode chamar de conclusões um estudo superficial de tão profundo tema – obtidos a partir de reflexões pessoais bem como e, sobretudo, das obtidas em sala de aula.

A filosofia de Condillac segue a linha do inglês Thomas Hobbes. Uma vez podendo ser considerados empiristas quanto à definição da origem do conhecimento e da constituição de ideias, compartilham das mesmas linhas mestras de pensamento. Hobbes definia a sensação como origem de todos os pensamentos, pois os conceitos expressos pelo pensamento são derivados de estímulos externos guardados através da imaginação. Para Hobbes, os conceitos que o homem cria parte do ato de repassar uma sensação e a sensação é importante pois é unidade mínima da máquina humana e gera pensamento.

Da mesma forma que Hobbes, Condillac critica o inatismo das ideias e baseado na filosofia de Locke, avança seu pensamento, tendo como principal ideia a de que todos os conhecimentos e todas as faculdades vêm dos sentidos, ou melhor, das sensações. E para chegar ao tema proposto no início deste texto temos que seguir uma linha de raciocínio, aparentemente lógica, até o prazer como determinante para a ação humana.

Para Condillac, as inquietudes humanas são o princípio de nossas determinações, que por sua vez nos levam ao sensível. As inquietudes possuem fontes diversas, mas podem ser causadas pela privação de um objeto, por exemplo. Essa inquietação causada por uma privação é a própria carência, e desta carência nascem os desejos e desenvolvem faculdades; é da inquietude que nascem todos os hábitos da alma e do corpo.

As sensações são de importância primaz no sistema filosófico de Condillac, e por isso sua filosofia é também chamada de sensual. Podendo ser considerada a pedra angular de seu pensamento, afirma que são as sensações canais pelos quais emanam os sentidos.

O outro fator deste pensamento que dá segmento à mesma linha de raciocínio é que a sensação, quando distribuída em mais de um objeto torna-se atenção. As impressões, quando são de grande número, fazem com que concedamos mais atenção a uma que a outra. Dessa maneira, selecionamos o que nos apraz mais e guardamos esta sensação na memória. À sensação que se tem no momento, Condillac chama de impressão, sensação atual. E às sensações passadas, transformadas, chama de memória.

Os objetos captam de nós a atenção e nos causam impressões pelos sentidos – sensação - e nós estabelecemos relações e comparações entre eles, formando assim ideias e reflexões. Todas as sensações que possuímos posteriormente são derivadas da memória, ou seja, pressupõe que anteriormente tenham existido outras sensações. E se há um arquivamento se sensações, a memória, por consequência existem os pensamentos que mais nos agradam e mais nos levam à felicidade. Ou seja, fazemos uma “seleção”, escolhemos as sensações que contribuem para nossa felicidade e a ela devotamos mais atenção: a isso Condillac chama de desejo.

Não há sensações indiferentes senão por comparação; cada uma é em si mesma agradável ou desagradável: sentir-se e não sentir-se bem ou mal são expressões completamente contraditórias [...] Não saberíamos estar mal, ou menos bem do que havíamos estado, se não comparássemos o estado em que estamos com aqueles pelos quais passamos. [1]

O desejo é movimento da alma rumo àquilo que mais apraz ao sujeito, e do desejo nascerá as paixões, como o amor, o ódio, a esperança, o medo, a vontade. Portanto, tudo aquilo que experimentamos através dos sentidos, mais especificamente das sensações, faz com que permaneçamos com aquilo que mais nos concede prazer. E aqui entra o ponto chave desta presente reflexão: pelos sentidos os objetos causam impressões, a isso se chama atenção; a atenção faz com que se relacionem as sensações, sejam da memória, sejam da sensação atual, que geram ideias, reflexões e desejos. Destarte, o que produz atenção são o prazer e o sofrimento – a intensidade pelo preferido – e isso fará com que essa escolha de permanência daquilo que experimentei conduza inevitavelmente o comportamento do sujeito.

Este era o ponto a que se intentara chegar com estas elucubrações: perceber que o comportamento humano é orientado pelo prazer, ou desprazer, pois é pelas sensações que o homem busca sua felicidade e, mesmo que não tenha ciência disso, sua conservação. O prazer sempre determinará, segundo a filosofia de Condillac, aquilo que o sujeito buscará através de seu desejo: o ser humano almeja o que lhe dá prazer.

Mas pelo que podemos constatar a filosofia de Condillac não ficou restrita somente ao seu tempo, contudo podemos relacioná-la com nosso cotidiano e ver os mais variados modos de viver, os diversos costumes, que se encaixam perfeitamente na teoria condillaquiana, como se as massas de hoje conhecessem o pensamento deste iluminista francês. O fato é que a sociedade, ainda que possa ter se modificado em seus adjetivos, jamais deixou de ser um conjunto de homens movidos pelo prazer, seja no século XVII, XVIII ou XXI

O indivíduo da segunda década do século XXI torna-se ainda mais anódino, pois, além de se encaixar na simples e eficiente explicação de Condillac, é objeto de um imediatismo radical e de um relativismo estéril que, ao apregoar o niilismo, mostra-se acéfalo e sem personalidade própria, mas com uma pseudo-força arraigada não na necessidade derivada de uma empatia, compaixão ou compromisso, mas sim à deriva do prazer imediato.

Hoje é fato, e não há como negar, que a finalidade da vida está nos prazeres individuais e instantâneos. Os costumes - entendam-se aqui como práticas - rumam à confirmação da tese de Condillac: o indivíduo, através da distinção entre sensações positivas ou negativas, escolherá aquilo que lhe é benéfico e lhe dá prazer.

Podemos ilustrar esta teoria com alguns exemplos: a explosão das redes sociais virtuais e o aumento vertiginoso de seu uso é uma prova da ininterrupta busca da satisfação individual, da interação solitária, do prazer na hora determinada pelo gosto e vaidades. Ainda que existam redes de amigos, são elas falsas pela distância e raro encontro físico e reforçam a tese da individualidade. Cada indivíduo, defronte sua máquina, faz-se independente.

O que é a internet se não um exemplo de motor gerador de sensações? Conforme Condillac, as sensações são “nossas maneiras de ser”[2] como então não imaginar algo mais vazio que o indivíduo mergulhado nas sensações provenientes do mundo virtual? Pois não se pode negar: a internet é símbolo do abstrato, de algo que existe no nada, ainda que metafisicamente esta concepção esteja equivocada, coisa que pode desaparecer como se nunca tivesse existido. E assim esfacelam-se as relações pessoais, os compromissos, a cordialidade, o toque físico corpóreo e até mesmo as paixões carnais dos sexos opostos.

Qual outro lúcido exemplo para ilustrar o homem movido pelo prazer se não o também crescente número de seitas neo-pentecostais protestantes bem como de seus adeptos? Ainda que nalgumas vezes não apresentem uma busca desenfreada pelo imediatismo, é uma gritante demonstração do pragmatismo, utilitarismo, da busca do prazer, do aprazimento. Cabe-nos uma interrogação em nível de especulação filosófica – para não recair no juízo temerário: será que as multidões arrastadas por seitas protestantes recém fundadas – leia-se inauguradas – são movidas realmente pelo compromisso com a doutrina de tal organização ou pela lei moral que fundamenta e que rege a instituição, por exemplo? Muito barulho substituiu o silêncio; muitas palavras substituíram a contemplação, o clamor passou a ser exigência: tudo pelo prazer imediato.

Tudo isso é orquestrado por figuras dotadas de uma retórica popularesca, homens que se tingem da figura de pastores, mas que desejam congregar apenas o material e não mais o espiritual. Nestes casos apresenta-se a questão financeira, a busca desenfreada e irracional pelas posses e riquezas, deixando de lado a essência do ser, transfigurando-a. Nestas seitas a religião deixou de ser compromisso para ser realização pessoal, perdendo o caráter de mistério para ser uma desnudada realidade pragmática, onde o livro sagrado é o livro-caixa, e o mandamento maior é o prazer pessoal.

Estes dois exemplos querem dizer uma só coisa: na medida em que o prazer determina aquilo que é desejo do indivíduo, formando suas ideias e juízos visualizamos claramente o hedonismo, onde o fim do viver são os prazeres. Ainda que até mesmo os epicuristas tenham apregoado o hedonismo, a vida na constante busca da felicidade, passando por Condillac, que escreve sobre as sensações, os desejos e o prazer, a massa humana de hoje vive alicerçada pelo pensamento hedonista radical, extremado. O homem é conduzido, empurrado, levado pela enxurrada da filosofia do imediatismo e do consumo. Quem não busca a todo tempo o prazer individual está em desvantagem em relação àquele que vive do prazer sensual e é colocado à margem por aqueles que são importantes por viverem para o útil, o prazeroso.

O hedonismo da contemporaneidade, que está impregnado em nossos costumes, é bastante diferente do de Epicuro, pois este procurava, através do prazer, dar sentido à vida na busca da felicidade, fosse a curto ou longo prazo. Já em Condillac, o prazer e o desprazer vão nortear o homem, mantendo a vida entre os extremos. É neste ponto que os dias atuais perdem: vive-se nos extremos, e todo extremo é inconveniente, e o prazer em demasiado acaba tornando-se vício. Por aí caminha a humanidade. Caminha?

Este tema da Filosofia Moderna, mencionado por Locke, Hobbes e mais especificamente por Condillac é, como dito nas primeiras linhas, amplo demais para reduzi-lo em uma breve reflexão. Contudo, esperamos ter conseguido encontrar e manter uma ponte relacional entre o pensamento do francês e a Era Contemporânea, sobretudo os dias em que vivemos. Se Aristóteles considerava o homem um animal político, ousamos dizer que Condillac, dentro da Modernidade, ferrenha racionalista, afirmaria ser o homem um animal sensual ou, após isto, um animal passional. E o homem de hoje, como definiríamos? Esta dúvida é plausível diante do nada Contemporâneo.



[1] CONDILLAC, E. B. Resumo Selecionado do Tratado das Sensações. Coleção Os Pensadores, p. 50.

[2] Idem, p. 53

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