domingo, 30 de dezembro de 2007

Oração de 2007

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por Hugo Hamann, no Blog do Rigon.

Pela graça e simpatia da senadora Ideli
Pelo poder de síntese do Eduardo Suplicy
Pelo irmão do presidente que era só um lambari
Senhor, tende piedade de nós

Pelo Zuleido Veras e as obras da Gautama
Pelas opiniões importantes da nossa primeira dama
Pelo perigo latente quando Itamar não reclama
Senhor, tende piedade de nós

Pela histórica vaia na inauguração do PAN
Pelo Heráclito Fortes e sua pinta de galã
Pela novilha do Roriz e pela vaca do Renan
Senhor, tende piedade de nós

Pela mala de dinheiro da TelecomItália
Pelo novo mandato e a velha bandalha
Pela reforma dentária no Arlindo Chinaglia
Senhor, tende piedade de nós

Pelo uso de lobista pra pagar pensão de filha
Pelos atletas cubanos devolvidos para a ilha
Pelo ilustre Cafeteira que tem que trocar a pilha
Senhor, tende piedade de nós

Pelo jeito brincalhão do alegre José Serra
Pelo Cháves construindo faculdade pra “sem-terra”
Pelo papo da “galega” com a rainha da Inglaterra
Senhor, tende piedade de nós

Pela soda cáustica no leite de caixinha
Pela Argentina que elegeu sua Rosinha
Pela Dona Marta e sua blusa de oncinha
Senhor, tende piedade de nós

Pela prisão do Cacciola e a grande presepada
Pela festa de botox no Palácio da Alvorada
Pelo Jobim que enfrenta cobra e até onça pintada!
Senhor, tende piedade de nós

Pelo Lula que não sabe das mutretas do compadre
Pelo interno da Febem sustentado pelo padre
Pela usina que depende da autorização do bagre
Senhor, tende piedade de nós

Pelo “relaxa e goza” em pleno aeroporto
Pelo Delúbio que agora se faz de morto
Pelas festinhas juninas na Granja do Torto
Senhor, tende piedade de nós

Pelo terceiro mandato em plena campanha
Pelo PMDB e a eterna barganha
Pelo “por qué no te callas” do rei da Espanha
Senhor, tende piedade de nós

Pelo dólar no missal da mulher do missionário
Pelas fotos da Playboy que abundaram o Plenário
Pelo doping descoberto na careca do Romário
Senhor, tende piedade de nós

Pelo Cesar Maia e seu governo virtual
Pelo Marco Maciel e seu corpinho escultural
Pela Marina Silva e sua voz tão sensual
Senhor, tende piedade de nós

Pelo Chávez e suas bravatas
Pelo Maluf e suas mamatas
Pelo rabino e suas gravatas
Senhor, tende piedade de nós

Pelo Cabral que descobriu que sempre foi petista
Pelo Fidel que hoje se trata com médico legista
Pelo Renan que acreditou no furo da jornalista
Senhor, tende piedade de nós

Pela troca de partido para aprovação de emenda
Pela filha amanteigada do ministro da Fazenda
Pelo Mangabeira Unger que precisa de legenda
Senhor, tende piedade de nós

Pelo Luciano Huck e a falta de um rolex
Pelo Wellington Salgado e a falta de um gumex
Pelo senador Calheiros e a falta de um jontex
Senhor, tende piedade de nós

Pelo lindo amor que une os juízes do STF
Pela chantagem permanente pela CPMF
Pelo carisma e humildade da ministra Dilma Rousseff
Senhor, tende piedade de nós

Pelo Cháves e Fidel que adoram biodiesel
Pelo Agripino Maia e seu charme irresistível
Pelo imortal Sarney hoje mais pra imorrível
Senhor, tende piedade de nós

Pelo governo que tunga
Pelo presidente de sunga
Pela elegância do Dunga
Senhor, tende piedade de nós

Pelo assessor da presidência Marco Aurélio top-top
Pela campanha educativa dos policiais do Bope
Pelos ministros do Supremo brincado com o laptop
Senhor, tende piedade de nós

Pelo Bush que exportou democracia pro Iraque
Pelo amor entre o Jobim e os diretores da Anac
Pelo juiz que acha normal que o criminoso escape
Senhor, tende piedade de nós

Pela escova progressiva do ex-sapo barbudo
Pelo chato Sarkosy que merece ser cornudo
Pelo controlador de vôo que era cego, surdo e mudo
Senhor, tende piedade de nós

Pelo Lobão e Zé Sarney dividindo o Maranhão
Pelo Renan canonizado no lugar do Frei Galvão
Pela Marisa que não fala mas que presta uma atenção!
Senhor, tende piedade de nós

Pelo afilhado da Dinda que voltou e já sumiu
Pelo último livro que o Luiz Inácio coloriu
Pelo capitão Nascimento pra presidente do Brasil
Senhor, tende piedade de nós

Enfim,Para que possamos sobreviver a 2008 e aos próximos natais
Senhor, dai-nos a paz !

FELIZ E ILUMINADO 2008!
Até lá!
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sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

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"Anuncio-vos uma grande alegria (...): hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador, que é o Messias Senhor"
(Lc 2, 10-11)

"No Natal, o nosso espírito abre-se à esperança, ao contemplar a glória divina escondida na pobreza de um Menino envolvido em panos e reclinado numa manjedoura: é o Criador do universo, reduzido à impotência de um recém-nascido! Aceitar este paradoxo, o paradoxo do Natal, é descobrir a Verdade que liberta, o Amor que transforma a existência. Na Noite de Belém, o Redentor faz-Se um de nós, para ser nosso companheiro nas estradas insidiosas da história. Acolhamos a mão que Ele nos estende: é uma mão que não nos quer tirar nada, mas apenas dar.

Com os pastores, entremos na cabana de Belém sob o olhar amoroso de Maria, silenciosa testemunha do prodigioso nascimento. Que Ela nos ajude a viver um bom Natal; nos ensine a guardar no coração o mistério de Deus, que por nós Se fez homem; nos guie ao testemunharmos no mundo a sua verdade, o seu amor, a sua paz. " (Bento XVI)

Assim como a estrela guiou os Magos, que o Salvador guie todos os dias nossos passos pelo caminho do bem rumo a Deus. E que possamos um dia comtemplar a face do Pai.

A TODOS, UM FELIZ E ABENÇOADO NATAL!

Que Jesus, o menino da gruta de Belém, renasça em nossos corações todos os dias, reavivando a fé, a esperança e o amor que existem dentro de nós.


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sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Passos rumo a Deus

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"Então Jesus disse a Simão: Não temas; doravante será pescador de homens."
(São Lucas 5, 10)


ÀS PESSOAS DE BEM

Você se lembra quando descobriu o fantástico mundo das letras, que unindo sílabas você poderia desvendar as palavras ainda misteriosas e se dedicar às leituras, ainda que no início fossem simples frases para te alfabetizar? Você se lembra de sua satisfação quando não mais engasgava ou tropeçava naquela palavra que teimavam em não sair, e no final lia aquele texto, com alguns deslizes, mas para você era a melhor leitura de sua vida? Você dava um passo a frente no caminho da vida.
Você se lembra quando começou a aprender a andar de bicicleta? Sua ansiedade e seu esforço por um equilíbrio quase impossível? E sua felicidade ao perceber seu progresso até enfim conseguir parar em cima das duas rodas sem auxílio? Você dava um passo a frente no caminho da vida.
Você se lembra de quando já ia sozinho para a escola? Você se lembra das amizades que criou e dos amigos que cultivou? Você se lembra dos sufocos das provas bimestrais? Você lembra da cola repassada ou recebida? Você se lembra quando passava de ano direto, ou então enroscava na recuperação, mas mesmo assim era aprovado? Você dava passos a frente no caminho da vida.
Você se lembra como foi crescendo e chagando nos dias de hoje? Os seus passos nesse caminho indispensável, mesmo que muitas vezes pudessem ser nele encontrados pedras e pedregulhos, buracos e poços, galhos ou espinhos?
Pois é. Aqui chegamos, guiados por um ser maior que nós, que nos estende sua benigna mão e nos exorta a termos coragem e seguirmos em frente, assim como a Josué: "Isto é uma ordem: sê firme e corajoso. Não te atemorizes, não tenhas medo, porque o Senhor está contigo em qualquer parte para onde fores." (Josué 1, 9).
E dentro de mim essas palavras têm um peso especial. Assim como Jesus convoca os seus discípulos, sei que devo seguí-lo. Uma missão singular, que deve minha entrega e dedicação. E sigo amparado pelas palavras do livro de Josué acima citadas. Sei que essa escolha, somente ela, já é um passo a frente no caminho da vida. E daqui a adiante muitos passos hão de vir, e hei de construir e realizar uma caminhada plena, rumo à uma terra prometida, talvez não usando a metáfora de Canaã, a terra onde jorram leite e mel, mas sim, a terra que nos propicia a vida eterna.
É fato que Deus nos ama. Cabe a nós, cada um conforme suas limitações e particularidades, retribuirmos esse amor, E minha forma de retribuição é dedicar-me e ser mais um simples trabalhador em sua messe, que é grande, porém com poucos operários, contribuindo para a construção de um mundo novo, mesmo que para isso travemos batalhas, usando a arma mais nobre do cristão, a oração; mas tendo a consciência que nada será em vão, pois acima de tudo, existe uma infinita misericórdia e um eterno amparo.
À família, que é sustento e apoio dos meus passos, a eterna gratidão e minhas orações. Por todo apoio e dedicação, peço, assim como Maria permaneceu ao lado de seu filho até o fim, que ela permaneça ao vosso lado. Ela que é a estrela da esperança, ela que guia nossos passos rumo ao Seu reino, vos abençoe. Estejam convosco, na verdade e no amor: graça, misericórdia e paz.
E nós, sigamos crentes e confiantes nosso caminho, como sempre fizemos, dando passos à frente nessa trajetória chamada vida. Portanto, rendamos graças ao Senhor, e cantemos louvores ao nome do Altíssimo.

Dado em Palmeira, no dia 14 de Dezembro, festa de São João da Cruz, do ano 2007, dia de minha décima sétima navidade.
"Maria, Mãe da esperança, Mãe nossa, ensinai-nos a crer, esperar e amar convosco. Indicai-nos o caminho para o seu reino! Estrela do mar, brilhai sobre nós e guiai-nos no nosso caminho!" (Encíclica Spe Salvi - Bento XVI)
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quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Porque o Brasil se cansou...

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"Em qualquer país em que o talento e a virtude não produzam progresso, o dinheiro será a divindade nacional." (Denis Diderot)



Valeu Charges.com.br!
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sexta-feira, 30 de novembro de 2007

O Sorriso da Esperança

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Nada me deixou mais entusiasmado, se assim podemos dizer, que a II Carta Encíclica de Sua Santidade o Papa Bento XVI. Entitulada de
Spe Salvi, do latim, Salvos pela Esperança, foi lançada oficialmente no Vaticano, hoje, 30 de novembro, dia de Santo André. Até aí, muitos poderiam dizer que Bento XVI estaria cumprindo o papel de pontífice. Mas essa encíclica me tocou de forma especial. Me fez lembrar Albino Luciani, o papa sorriso, de tão saudosa memória. Nascido dia 17 de outubro de 1912 em Forno de Canale, Itália. Ordenado padre em 1935. Seu grande desejo: ser um simples padre. Seus instrumentos: seu afável carisma. Seu tesouro: sua humildade e sua esperança. Esperança. A mesma esperança que seu não imediato sucessor no trono de Pedro nos trás na manhã de hoje.
Quando in
esperadamente fora eleito para o maior título da Igreja Católica, Luciani deu início a um sonho mais ambicioso. O humilde padre, tornado agora papa, desejava mais do que nunca uma Igreja dedicada aos mais pobres e humildes. E em suas mãos estava o poder e a chance de mudar os rumos da Igreja e da História. Luciani tinha esperança em seu coração e em suas ações.
Porém o bem muitas vezes não está sozinho. O mal tratou de impedir o Santo Padre de iniciar seus trabalhos. Mas Luciani sabia e estava consciente de todo mal que enfrentaria, mas seguiu em frente, com muita humildade. O porquê de continuar, Bento XVI nos explica claramente em sua carta encíclica: " [...] graças à esperança, podemos enfrentar o nosso tempo presente: o presente, ainda que custoso, pode ser vivido e aceito, se levar a uma meta [...]".
E podemos encontrar tantos outros exemplos maravilhosos de esperança, como por exemplo Santa Josefina Bakhita, que mesmo sofrendo com a violência de seus patrões esperava a sua libertação, pois sabia que Senhor também a conhecia, tinha-a criado; mais ainda, amava-a. Poderia citar tantos outros exemplos. Mas hoje, Luciani e seu sorriso cativante parece-me especial.
O que somos sem a esperança? A esperança de ver Cristo ressuscitado em nosso meio, a esperança de estarmos a Seu lado no banquete final, esperança de contemplar a face de Deus. Esperança.
Luciani morreu 33 dias depois de ser elevado ao trono petrino. Mas sua esperança, tenho certeza, não morrerá jamais. Hoje, o servo dos servos de Deus, Albino Luciani, aquele que poderia ser o maior papa da história contempla a face do Pai e sei que nos dá força para termos esperança, nos ampara nos momentos em que desejamos não crer em mais nada. A esperança que nascera com Luciani não fora guardada com ele
, e sim propagada para todos aqueles viam a esperança em seu cativante sorriso. Por isso pedimos, Servo de Deus João Paulo I, Sorriso da Esperança, guiai-nos na nossa caminhada terrena rumo ao pai.
Enfim, caminhemos com Maria, aquela que esperou o filho de
Deus em seu ventre, aquela que esperou a ressurreição do Messias, aquela que esperou o fogo do Espírito Santo. Caminhemos com Maria a "estrela da esperança" , como definiu Bento XVI.
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quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Momentos de Paz

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Que o primeiro choro seja de paz
Sonhar desde o ventre materno
Com talvez um aconchego eterno
E desafiar a nova vida voraz.

Que o primeiro passo seja de paz
Ansiar e alcançar nosso objetivo
Buscar o caminho sem conhecer o perigo
Mostrar ao mundo do que já é capaz.

Que as primeiras palavras sejam de paz
Instrumento para a nova e surpresa visão
Que adiante realidade ou ilusão transformarão
O passado é passado e o futuro já se faz

Que os próximos anos sejam de paz
A vida fazendo-se de forte instrumento
Para crescer solidamente a todo momento
Podendo fracassar, mas desistir, jamais.

Que sejamos sábios perante a tentação tenaz
Constantemente fortes perante todo o mal
Caminhando com o bem e seu amor leal
Para que o último suspiro seja de Paz.

(Obra publicada no livro Recordações da maior família que já tive - Ano XX - 2007)
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terça-feira, 20 de novembro de 2007

Palavras ao vento

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Seu nobre instinto animal
Seu perfeito desejar carnal
Seu desejo, minha perdição
Sua perfeita e tenaz sedução.

O amor que faz viver e morrer
Que faz sangrar e faz sorrir
Oh amor, não nos façai perecer
De seus frutos, deixai-nos usufruir.

E no longo silêncio sepulcral
De sua boca bem cerrada
Vejo sua beleza monumental
E aguardo a sentença desejada.

E esses versos perdidos
Que no relento estou a escrever
Não há destinos ou meros objetivos
Apenas o ócio a me corroer.
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segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Um lampejo

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Doce beleza efêmera
A meus olhos tão eterna,
Uma de suas metades é ternura
E a outra é mistério...
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sábado, 22 de setembro de 2007

ENSAIO

Um comentário :
Caríssimos, os tempos modernos que à nossa porta batem e em nossos lares entram, são os principais incentivos de tudo o que presenciamos a olho nu. Uma nova cultura surge de mentes fracas para influenciar e atingir mentes mais debilitadas ainda. Acompanhamos tudo passivamente, como se esta crise, que chamamos de crise moral, não nos atingissem. Aqueles bons valores proferidos outrora, da visão mais pessimista, são hoje como água no deserto. Da visão mais otimista, e desta devemos compartilhar sem entrarmos em uma utopia, esses valores perduram por conta da fé, uma vontade interior inabalável que resiste às armadilhas a nós impostas. E devo alegrar-me por ainda existir uma maioria que opte pelos bons ensinamentos que nos transmitem, além de muitos outros, ordem e respeito.Mesmo aplicado nossos esforços, vemos uma ditadura preocupada com a casca, esquecendo que é o interior do fruto, na maioria das vezes, é o elemento mais importante. Vemos, além de tudo, uma busca incessante por um prazer que nunca será encontrado. O pseudo-sucesso proveniente de erros disfarçados leva a uma autoconfiança que se baseia simplesmente no próprio eu, sem considerar e desprezando aquilo tudo que aprendemos, principalmente o senso que guia uma vida rumo ao amanhã. Nestas mentes influenciáveis e além de tudo, decadentes, reina a fraqueza sustentada pela soberba que surge no ponto em que se pensa que são plenos portadores de toda e qualquer razão, tal soberba que diversas vezes há de levar ao fundo do precipício, este, cavado pelas próprias mãos. Só aí se percebe que essa corrente não é digna de confiança e que ainda sim, os valores esquecidos, pendurados na parede da memória do passado são de grande serventia em meio aos tempos atuais. Mas infelizmente, a essa altura, tudo pode ser tarde demais.Queremos que vossas senhorias vejam, enxerguem e percebam que certos rumos, que muitos tomam, podem levar a lugar algum. Que essa utopia, que exalta uma vazia vaidade e uma nada fundamentada ambição, seja derrotada por pessoas que acreditam na conservação do bem, de costumes e valores. Talvez, vejamos em nosso passado raízes dessa oca ditadura e não consigamos consertá-la, mas é sabido de todos que poderemos aniquilar esse mal em nosso futuro. Em nossas mãos, a chance de ver o sol nascer de uma outra forma. Vós outros que acreditais, levantai-vos, vamos.
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terça-feira, 11 de setembro de 2007

ENFIM

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O velho, de cabelos brancos, acordou aquela noite serenamente como se alguém o tivesse chamado. Olhou pela janela coberta por cortinas empoeiradas e viu por entre elas a rua vazia, nela havia nada mais se não a escuridão. Sorriu. Calçou seu chinelo de pano, aquele que sua senhora sempre deixava aos pés da cama, e que desde que ela partira, estava guardado. Hoje ela já não estava mais de seu lado, antes, sua ausência causava dentro dele o mesmo vazio que sentira em sua juventude quando viu a mãe partir daquela mesma casa, na pequena Surrey, mas hoje ele não sentia nada. Seu passado revirado em sua memória era mais um motivo para dar seus primeiros passos pelo quarto cheirando a mofo. Vestiu o seu mais belo traje, o qual a sua senhora mais gostava. Lembrou-se da última vez em que estavam juntos, recordou o último afago que ela fez em seus alvos cabelos, sentiu novamente o seu suave perfume. Suas pernas que já não eram mais as mesmas de algum tempo atrás, açoitadas pelos tremores de sua doença, hoje estavam firmes, seguras, assim como suas lembranças. Passou pela porta de madeira nobre, deu mais alguns passos rumo à sala, que fora tão importante no passado, recebendo autoridades e personalidades. Curvado, passou as mãos pelos quadros pendurados na parede, quadros que por muitas vezes, viu seu pai os admirar. Forçou os olhos para ler as pequenas inscrições gravadas em um pedaço de papel emoldurado. Datava 1945, se lembrara bem quando ganhara aquilo ao término da Segunda grande Guerra, fora orgulho de seu pai, o famigerado General Gilwell. Chegou à sala, sentou na velha cadeira de balanço que um dia pertencera a seu avô paterno. Repousou os pés sobre uma almofada. Olhou, olhou, olhou. Balbuciou algumas palavras que não estavam no seu idioma, provavelmente, era latim. Olhou por tudo novamente e relembrou aquela sala cheia, momentos que nunca saíram de sua memória, como as discussões sobre a crise de 1929, sua conversa com seu pai sobre o seu ingresso à guerra e sobre o seu namoro com a mais bela jovem daquele condado, que seria sua amada por toda a vida. Repousou as magras mãos sobre os joelhos e depois de um longo suspiro exclamou de forma uníssona: “Enfim”. Levantou a mão direita, como se alguém tivesse segurando. E devo confidenciar que realmente parecia impossível não haver ninguém tocando aquela mão. De uma forma natural, como a folha que cai da árvore no ápice do outono, abaixou a mão e fechou lentamente os olhos. Agora, não seria mais possível ver novamente seus penetrantes olhos azuis.

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domingo, 1 de julho de 2007

Sobre lágrimas e bois

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Essa semana me emocionei como nunca havia feito antes. Lágrimas rolaram pelo meu rosto, assim como rolaram no rosto do Senador Joaquim Roriz. Acreditei tanto nele e em seu inflamado discurso, que o Senado Federal subiu em meu conceito.
Comecei a ligar os fatos e não me surpreendi quando percebi que o senador Renan Calheiros está sendo vítima de intrigas intermináveis. Ora senhores, tudo é bem mais simples e mais limpo do que nos é mostrado! Acompanhe comigo: Roriz recebeu de presente de um amigo milionário um pedaço de papel, normalmente conhecido como cheque, que vale algumas cifras. E recebeu sabe pra quê? Pra comprar alguns bois do grandioso rebanho do alagoano Renan Calheiros!
Pronto! Acabou as dúvidas! Só resta saber agora quem vai acreditar nessa história, porque, no Congresso Nacional, ninguém mais quer acreditar.
Se Roriz chorou na tribuna do senado porque recebeu um cheque de mais de 2 milhões de reais, imagina a aguacera que o povo vai fazer, ganhando seu salário mínimo e tendo que aturar elementos como esses no poder.
É difícil, é o Brasil.
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