domingo, 29 de março de 2009

Atualizando...

2 comentários :

O Real, o Relativo e a Doutrina.


"O Que é mais grave: relativizar o Absoluto ou absolutizar o relativo?"
Dom Hélder Câmara


Era uma vez uma criança de nove anos, que abusada sexualmente pelo nefasto padrasto, engravidou de gêmeos. Então alguns médicos resolveram por interromper a gravidez da pequena inocente, alegando risco de vida para a criança que carregava dois fetos em seu ventre. Surgiu então um arcebispo, que anunciou a excomunhão da equipe médica que assistia a menina e de sua mãe, que permitiu a decisão abortiva.

Eis que este acontecimento foi parar na boca de cada brasileiro, rodando não só por aqui, mas também pelo mundo afora. Tornou-se tema de debates. Cada um sentiu-se no dever de dar sua opinião (inclusive eu, que aqui o faço).

Todos se tornaram donos da razão quando o assunto era o aborto seguido de excomunhão em Recife. Choveram artigos em jornais e revistas. E a maioria destes fazia da Igreja o alvo principal, tratando esta Instituição como a ‘Geni’ da vez. Inclusive o presidente da república, que de chefe político também se tornou agora chefe moral da nação, exclamou em alto e bom som que a Medicina acertou e a Igreja Católica errou. Tudo foi dito. Pouco foi fundamentado. Criticar a Igreja pareceu fácil. Estar junto da Igreja pareceu impossível.

O primeiro erro, logo após o pronunciamento de Dom José Sobrinho sobre a excomunhão, foi terem insistido as críticas que o Estado é laico, ou seja, não religioso, e, portanto a Igreja deveria respeitar esta laicidade e não opinar na decisão da equipe médica. De fato, o Estado é laico, mas se comprometeu, em todas as Constituições desde a Proclamação da República, a respeitar a liberdade de crença e culto (cf. Artigo 5°, VI).

E a doutrina da Igreja Católica é clara. O catolicismo tem uma visão, do homem e da sociedade, apoiada nos Textos Bíblicos, na Literatura Patrística – dos Padres da Igreja, e no próprio percurso de sua história, ainda que acidentado, ao longo de seus dois mil anos de Tradição.

Destes três aspectos - Sagradas Escrituras, Magistério e Tradição - é fruto o Código de Direito Canônico, que no Cânon (Artigo) 1398 afirma: “Quem provoca aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão latae sententiae”. Ou seja, quem provoca o aborto recebe excomunhão automática, sem que haja a necessidade de alguma voz eclesial proferir a punição. Talvez o único erro da Igreja tenha sido cometido pelo arcebispo de Recife quando foi precipitado demais ao sentenciar os médicos e a mãe da menina, quando o Direito Canônico já dizia tudo.

Seguir a Igreja Católica implica submeter-se a uma doutrina, a um conjunto de idéias fundamentadas e definitivas. Seguir e praticar. Por isso, não compreendi tanto rebuliço em torno desta excomunhão, pois uma excomunhão só diz respeito ao católico romano praticante, que aceita livremente o núcleo de sua doutrina, ainda que essa doutrina discorde da corrente de idéias de determinadas épocas.

Outro fato que me causa espanto é ver tantos ateus criticarem a Igreja. Se são eles os não-crentes, para que interferirem na doutrina dos que creem? Ignorância ou carência? Mas o pior de ver ateus e a toas vociferando contra a Igreja é ver os próprios filhos apedrejando a Mãe. O católico verdadeiro não teme ser chamado de retrógrado pela sociedade e defende as posições da Instituição a qual desejou seguir. Insistindo em uma comparação um tanto quanto forçada, é como aquela máxima de antigamente: Ame-a ou deixe-a.
Tornou-se necessário ser radical sem converter-se em um xiita. A sociedade propõe que tudo é relativo. Por isso chovem críticas sobre a Igreja. Porque ela é contra a ditadura do relativismo, uma doutrina que não admite a existência de princípios nem de valores absolutos. A Igreja possui uma identidade, e está de pé há dois mil anos porque mantém esta identidade viva, identidade que não mudará seus dogmas, inclusive o de que a vida é sagrada e a família é a base de tudo.

Outra questão incabível que li em diversos artigos é de que o Arcebispo de Recife, ao proferir a excomunhão, estaria condenando os excomungados ao inferno. Mentira. Dom José Sobrinho não condenou ninguém ao inferno. Nem o colégio episcopal, nem o papa têm poder de condenar quem quer que seja ao inferno. É uma atribuição somente de Deus. “Porquanto todos nós teremos de comparecer manifestamente perante o tribunal de Cristo, a fim de que cada um receba a retribuição do que tiver feito durante a sua vida no corpo, seja para o bem, seja para o mal” (2Cor 5, 10).

Mais um fato infundado que foi proferido por aí afirmava que a Igreja acobertava o estuprador, não impondo a ele a pena da excomunhão. De fato, o estuprador, que cometera grave pecado, não fora excomungado, pois nas leis da Igreja não existe crime mais grave que a morte. Entretanto, o padrasto que abusava da criança receberá também sua punição. A Justiça dos Togados está sendo feita já nesta terra, e a Justiça Divina também será feita. “E aquele que receber uma criança como esta por causa do meu nome, recebe a mim. Caso alguém escandalize um destes pequeninos que creem em mim, melhor será que lhe pendurem ao pescoço uma pesada mó e seja precipitado nas profundezas do mar. Ai do mundo por causa dos escândalos! Ai do homem pelo qual o escândalo vem. Não desprezeis nenhum destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus veem continuamente a face do meu Pai que está nos céus” (Mateus 18, 5-6.10-11).

Devemos reconhecer, enfim, que Dom José não deu opinião própria, nem falou absurdo algum, apenas foi transparente, afirmando a posição oficial da Igreja. Se médicos, jornalistas e presidente da república, ditos católicos, ficaram revoltados com a Igreja, isso mostra a incoerência em que vivem.

O mundo está contestando os valores. Está atribuindo um valor meramente relativo às circunstâncias de tempo ou lugar, a uma época ou cultura. Os 50 milhões de abortos praticados por ano em todo o Mundo, oito vezes mais que as vítimas do Holocausto, passam despercebidos aos olhos da sociedade. Para a Igreja, o aborto não é direito, mas homicídio.

A realidade é diferente da ficção. No ficcionismo nós podemos manipular pessoas, transformar realidades, permutarmos cenários e ainda assim, as consequências serão algumas outras linhas onde desenrolaremos a história para que se chegue a um coerente fim. No real não se tem rascunhos. O real, a vida real, faz com que tenhamos a obrigação de viver coerentemente, para que os resultados de nossas ações não se tornem uma bomba auto-explosiva. São-nos propostos caminhos (Cf. Dt 30, 19). Alguns tomam um e seguem-no. Nós, verdadeiros católicos, seguimos nossa doutrina, deixando todo o relativismo de lado, defendendo nosso catecismo, buscando viver a realidade como Cristo nos ensinou: “Eu vim para que todos tenham vida, e vida em plenitude”.


Dado em Cornélio Procópio (PR), dia vinte e nove de março, Quinto Domingo da Quaresma do Ano do Senhor de 2009, septuagésimo sexto dia de nosso noviciado.



Edvaldo Betioli Filho
Noviço Palotino
Continue Reading...

domingo, 1 de março de 2009

Entenda o Sentindo da Quaresma

Um comentário :
VIVENDO A QUARESMA

“Em nome de Cristo, suplicamos: reconciliem-se com Deus. Aquele que nada tinha a ver com o pecado, Deus o fez pecado por causa de nós, a fim de que por meio dele sejamos reabilitados por Deus. Visto que somos colaboradores de Deus, nós exortamos vocês para que não recebam a graça de Deus em vão. Pois Deus diz na Escritura: ‘Eu escutei você no tempo favorável, e no dia da salvação vim em seu auxílio’. É agora o momento favorável. É agora o dia da salvação” (2Coríntios 5, 20-6, 2).

O que é a Quaresma?
Do latim quadragesima, é o período de quarenta dias - da Quarta-feira de Cinzas até a Quinta-feira Santa - que antecedem a festa ápice do Cristianismo: A Ressurreição de Jesus Cristo.

Qual seu sentido?
É o período de preparação para a Páscoa, reservado para a reflexão, a conversão espiritual. O católico deve aproximar-se de Deus visando seu crescimento espiritual. É um momento voltado à reflexão, onde cristãos se recolhem em oração e penitência para preparar o espírito para a acolhida do Cristo Vivo.
A Quaresma não tem sentido isolada da Páscoa. Na caminhada quaresmal não vamos ao encontro do nada ou da morte, mas caminhamos para a ressurreição do Senhor e nossa. Quaresma é, portanto, tempo de conversão e reconciliação com Deus e com as pessoas.
“Rasguem o coração, e não as roupas! Voltem para Javé, o Deus de vocês, pois ele é piedade e compaixão, lento para a cólera e cheio de amor...” (Joel 2, 13).

Qual a origem da Quaresma?
As origens da Quaresma são antigas. Já no século IV se fala de quarentena penitencial. Antes disso, nos séculos II e III, costumava-se fazer alguns dias de jejum em preparação da Páscoa.

Qual o significado dos 40 dias?
O Número 40 é simbólico. Na Bíblia o número quatro simboliza o universo material. Os zeros que o seguem significam o tempo de nossa vida na terra, suas provações e dificuldades. A duração da Quaresma está baseada no símbolo deste número na Bíblia: Quarenta dias do dilúvio, quarenta anos de peregrinação do povo judeu, quarenta dias de Moisés e Elias na montanha, quarenta dias de Jesus jejuando no deserto, entre outros. Esses períodos vêm antes de fatos importantes e mostram a necessidade de ir criando um clima adequado e dirigindo nosso coração para o que há de vir.

O que fazer no tempo da Quaresma?
A Igreja propõe, por meio do Evangelho, três grandes linhas de ação: oração, penitência e a caridade. Não somente durante a Quaresma, mas em toda a sua vida, o cristão deve buscar o Reino de Deus.

Quantos domingos tem a Quaresma?
A Quaresma possui cinco domingos, mais o Domingo de Ramos - início da Semana Santa. Durante toda a Quaresma a cor litúrgica é o roxo, um convite à conversão, à penitência e à fraternidade.

Por que não se canta o Aleluia?
O clima de Quaresma deve transparecer também na ausência do Aleluia e do Glória. Aleluia significa “Louvai Javé”, e é aclamação marcada pela alegria e pela festa. O Clima da Quaresma não combina com isso, pois não é tempo de festa. O Aleluia será uma explosão de alegria na Vigília Pascal. Também o Glória é omitido pelos mesmos motivos.

O que é a Via-Sacra e quando surgiu?
Nas quartas e sextas-feiras da Quaresma costuma-se fazer a Via-Sacra. A palavra significa “caminho sagrado”, e segue os passos de Jesus rumo à cruz. É um ato de piedade que se reza e se medita sobre 14 episódios da dolorosa sexta-feira santa. Tem início na primeira estação, onde Jesus é condenado à morte, até o sepultamento de Jesus. Ultimamente acrescentou-se a 15ª edição – a ressurreição de Jesus, pois a morte não o venceu ou derrotou.
A prática de percorrer esse “caminho sagrado” é antiga. Fala-se dela no século IV e pelo que tudo indica, nasceu em Jerusalém. A partir do século XVII, as estações foram fixadas em 14.

O que acontece se Solenidades caem em um domingo da Quaresma?
Tomemos por referência a Festa de São José, dia 19 de março. A Norma estabelece que festas não prevalecem sobre os mistérios da nossa redenção. Portanto, quando 19 de março for um domingo da Quaresma, a solenidade de São José é transferida e celebrada no dia seguinte, segunda-feira.

O que é a Campanha da Fraternidade?
A caminhada da Quaresma é acompanhada pela realização da Campanha da Fraternidade – a maior campanha da solidariedade do mundo Cristão. Cada ano é contemplado um tema urgente e necessário. É uma atividade ampla de evangelização que ajuda os cristãos e as pessoas de boa vontade a concretizarem na prática a transformação da sociedade a partir de um problema específico. É um sinal altamente positivo para chamar a atenção, denunciar, convocar à conversão e suscitar gestos concretos.

Quais os objetivos da Campanha da Fraternidade?
Seus objetivos permanentes são: despertar o espírito comunitário e cristão no povo de Deus, comprometendo, em particular, os cristãos na busca do bem comum; educar para a vida em fraternidade; renovar a consciência da responsabilidade de todos na promoção humana, em vista de uma sociedade mais justa e solidária.

Como começou a Campanha da Fraternidade?
O projeto de uma campanha de fraternidade que já existia regionalmente em Natal, no Rio Grande do Norte desde 1961, tornou-se nacional pela CNBB no dia 26 de dezembro de 1963 com uma resolução do Concílio Vaticano II. O Projeto realizou-se na Quaresma de 1964. Neste ano, aconteceu a primeira Campanha da Fraternidade com o Tema: “Igreja em Renovação”, e o lema: “Lembre-se que você também é Igreja”.

O que contempla a Campanha da Fraternidade deste ano?
A Campanha da Fraternidade 2009 tem por tema: Fraternidade e Segurança Pública, e lema: “A paz é fruto da justiça” (Is 32, 17). Segundo os bispos, o objetivo central desta Campanha é “suscitar o debate sobre a segurança pública e contribuir para a promoção da cultura da paz nas pessoas, na família, na comunidade e na sociedade, a fim de que todos se empenhem efetivamente na construção da justiça social que seja garantia de segurança para todos” (CNBB, Texto-Base, n° 4).

O que é a CNBB?
A CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – é a instituição permanente que congrega os Bispos da Igreja Católica no País. Foi fundada de 14 a 17 de outubro de 1952 por Dom Hélder Câmara e Dom Eugênio Araújo Sales. Com o clima criado pelo Concílio Vaticano II, estimulou-se a reestruturação da CNBB, promovendo a colegialidade entre os bispos.
Todo ano, desde 1964, a CNBB promove a Campanha da Fraternidade, escolhendo temas que são sempre aspectos da realidade social, econômica e política do país.
Desta forma, a CNBB, sendo a Igreja no Brasil, celebra a Quaresma em preparação à Páscoa com a Campanha da Fraternidade, dando ao tempo quaresmal uma dimensão histórica, humana, encarnada e principalmente comprometida com as questões específicas de nosso povo, como atividade essencial ligada à Páscoa do Senhor.
Sem a CNBB, a história do Brasil teria sido escrita de forma bem diferente. Comprometida com a liberdade e a justiça, sempre se colocou ao lado dos oprimidos, chamando a atenção da sociedade e do governo para a realidade do País.

Organizado por:
Nov. Edvaldo Betioli Filho
A.D. 2009
Continue Reading...