sábado, 31 de março de 2012

Eleição Presidencial 2012 / The Election 2012

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A figura de Rick Santorum
Este ano de 2012 é eleitoral não somente no Brasil, onde escolheremos os representantes dos executivos e legislativos municipais, mas também nos Estados Unidos, país que elegerá o seu 45° Presidente. Com um processo eleitoral bem diferente do nosso, os americanos, que se dividem em dois partidos - Democratas e Republicanos - primeiro escolhem, em um sistema conhecido como prévias, quem serão os candidatos – ou o candidato, como agora, quando Barack Obama concorre à reeleição – para depois, em novembro, elegerem o presidente.
As prévias deste ano estão acontecendo somente no Partido Republicano – o partido de Reagan e Bush pai e filho – entre quatro pré-candidatos: Mitt Romney, Rick Santorum, Ron Paul e Newt Gingrich, e a esta altura já tem um candidato favorito e quase vencedor: Romney. Ex-governador de Massachusetts, o empresário multimilionário é Mórmon (Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias) e empunhou a bandeira da economia nessa campanha pela indicação do Partido Republicano. 
Santorum in the churchContudo, a disputa não acabou, ainda mais quando se tem, como principal oponente uma figura chamada Rick Santorum. Ex-senador pela Pensilvânia, Santorum é advogado e está a levantar, durante toda a campanha, o estandarte da moralização social. Santorum está incomodando não somente Romney e sua campanha abastada, mas também a imprensa norte-americana, que fica ouriçada por ter chances reais chegar ao pleito de novembro um candidato católico, que pratica sua fé e defende seus valores.
Zapeando por algum tempo na imprensa estadunidene, percebe-se logo que o país, representado por seus jornais, tem medo de Santorum. Lendo um pouco de sua vida e daquilo que falam dele, é fácil reconhecer os porquês de tanta rejeição. Santorum tem 53 anos, casado há 21, é pai de sete filhos. Convenceu os americados que é o candidato republicano que mais representa a fé religiosa ortodoxa. É chamado de “devoto”, “tradicionalista” e até mesmo de “papista”, como escreveu o historiador Gary Wills, destacado pelo Washington Post.
Santorum era, em suas próprias palavras, um “católico de nome”, até quando conheceu Karen Garver, uma enfermeira neonatal e estudante de Direito, em 1988. Karen é filha de um pediatra conceituado de Pittsburgh, que se especializou em genética médica. Patriarca de uma grande família católica, o Dr. Kenneth Garver tratou muitos pacientes que consideravam o aborto, mas sempre se opôs a ele.
“Nós nos sentamos a mesa e toda a noite falamos sobre este assunto”, ouviu Santorum quando foi conversar com o pai de sua futura esposa. Neste momento, segundo ele, ficou convencido que “só havia um lugar para estar, do ponto de vista da ciência, bem como do ponto de vista da fé”. Essa conversa, citada pelo The New York Times, foi um primeiro passo no caminho de uma cultura profundamente conservadora católica, que influenciou sua vida como marido, pai e político. Ao longo das últimas duas décadas, ele passou por uma transformação religiosa que agora está estimulando um debate nacional sobre a fé na esfera pública.
O casal Santorum teve oito filhos, um deles morreu duas horas após o nascimento, em 1996, e uma filha, hoje com 3 anos, é vítima de uma gravíssima doença genética. Diferente dos católicos que acreditam que a doutrina da Igreja deve se adaptar aos novos tempos e necessidades, os Santorums vivem um catolicismo “como deve ser vivido”, tradicional, que adere totalmente à autoridade de ensino do papa e de seus bispos.
Os seus filhos mais velhos estudam em uma escola da Opus Dei. Em 2002, inclusive, participou da celebração do centenário de nascimento de São Josemaria Escrivá, e de sua respectiva canonização, bem como já palestrou em um grande evento do Regnum Christi. A família é membro da Paróquia Santa Catarina de Sena, onde não raro o sr. Santorum lê a escritura nas missas dominicais e participa das adorações eucarísticas.
“Nós acabamos nos mudando para um bairro onde havia uma paróquia, na qual o padre foi simplesmente fantástico, absolutamente incrível, que nos encheu com o Espírito Santo”, disse Santorum a um grupo anti-aborto. “Ao longo desse tempo, eu só vi mudanças em mim e mudanças em Karen.”
111224otooleEm 1994 foi eleito para o Senado. Lá começou um grupo de oração e colaborou no processo de conversão de um senador companheiro, Sam Brownback, agora o governador do Kansas, ao catolicismo. Após ser reeleito em 2000, a família viajou para Roma, onde teve uma audiência com o Papa João Paulo II. Um amigo lembra como foi o encontro: “Ele disse ao papa: ‘Pai, você é um grande homem’. E o papa virou-se para ele, que estava com todas as seis crianças ao seu lado, e disse: ‘Não, você é um grande homem’". 
Em 2002, em um ensaio, Santorum escreveu que era tempo para os católicos mais comprometidos recuperarem as instituições religiosas, como faculdades, escolas e hospitais, “para o bem de nossas almas”. “Sua visão de Estados Unidos é recuperar sua grandeza através da promoção da religião, da família e da liberdade”, resume seu site de campanha.
No último mês expressou, abertamente, sua discordância em relação à cobertura dos anticoncepcionais por parte das seguradoras de saúde - como defende Obama -, com o casamento homossexual e o aborto, inclusive em caso de estupro, porque “de toda experiência ruim pode surgir algo bom”. 
Depois de Kennedy, John Kerry foi o primeiro católico a ter o nome em uma cédula, em 2004 quando concorreu com George W. Bush. Santorum poderia ser o segundo, contudo, a não adesão da população estadunidense ao ex-senador da Pensilvânia é um espelho da situação dos católicos e sobretudo da sociedade dos Estados Unidos.
Quem são os atuais católicos, cerca de 25 % da população, dos Estados Unidos? O problema aqui reside: a maioria dos católicos norte-americanos não ouvem seus bispos e querem pensar de forma independente, com uma consciência formada pela contemporaneidade vazia de valores. Entre esses últimos, Santorum não faz sucesso, e quem leva vantagem é um mórmon.
Difícil compreender como católicos preferem um mórmon? Não, quando se leva em consideração que estes católicos estão mais preocupados com a economia que com a vida, a saúde, a família e os valores sociais. É como disse Santorum: “Nós vamos melhor entre as pessoas que levam sua fé a sério”. Assim ele diagnostica o problema: a fé já não é mais levada a sério.
Conforme relatou o The New York Times, as pessoas estão se deixando levar pela aparência polida de um Romney, que nesta campanha está escondendo sua religião (e seus rituais bizarros, como o batismo de almas de pessoas mortas), deixando de lado um autentico Santorum. Quando se nota que a maioria dos católicos dos Estados Unidos é a favor do aborto, da união homossexual, das pesquisas com células-tronco, do sexo antes do casamento e do divórcio, percebe-se o desolador panorama da devastação moral que vivem os EUA. Segundo o El Pais da Espanha, Santorum deseja erradicar este declíneo, levando Deus à política, e quem está com ele nessa batalha é a Opus Deis.
Não por menos Santorum é atacado negativamente pela mídia. Pode ser que não leve a indicação do Partido Republicano, mas deixa o modelo de que algo bom pode florescer na política. A figura de Rick Santorum, boa surpresa desta campanha de 2012, é forte e contundente, contraditória para muitos. E faz florescer a esperança.
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quarta-feira, 21 de março de 2012

Reflexão

Um comentário :

Detalhe São Jerônimo CaravaggioMuitas coisas estão ocultas de nós neste mundo; em compensação, temos a sensação misteriosa do liame vivo que nos prende ao mundo celeste superior, as raízes de nossos sentimentos e de nossas ideias não estão aqui, mas em outra parte [...] quando esse sentimento se enfraquece ou desaparece, o que havia brotado em nós perece. Tornamo-nos indiferentes à vida, sentimos mesmo aversão por ela.

Fiódor Dostoiévski, Irmãos Karamázov, p. 328.

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quarta-feira, 14 de março de 2012

Margaret Thatcher - A Dama de Ferro

Um comentário :
 
A Thatcher que habita em nós

A dama de ferroEle é biográfico e lá pelas tantas, quando o clímax da narração já passou, torna-se um pouco cansativo. Porém, “A Dama de Ferro” despertou em mim grande interesse pela baronesa, sobretudo pelo fato do filme ser como que uma obra de arte.
Em primeiro plano, a espetacular atuação de Meryl Streep. Logo se percebe o porquê de suas tantas indicações ao Oscar. Ela faz o filme brilhar ainda mais ao interpretar Thatcher quase que perfeitamente: os cabelos intactos em um penteado imóvel pelo laquê; a voz que evolui junto com a autoridade; a postura no passar dos tempos... Tudo contribuiu para transmitir a imagem de uma dama que vai além do aparente ferro com que foi revestida pela história, e porque não dizer, por ela mesma.
Conforme a amostra, Thatcher foi uma grande mulher. Triste e solitária, mas uma grande mulher. Grande por ter sempre lutado em uma sociedade e em uma política composta somente por homens. Determinada, aguerrida, chegou onde queria para mudar seu país. Independente do que fez ou deixou de fazer, dos resultados de seu governo, da inflação, das greves, da guerra, da crise do petróleo etc., ela defendeu suas convicções até o fim, e por isso acabou, aos poucos, ficando sozinha, sendo preterida por seus amigos, inclusive por seu partido Conservador.
De seu lado, entretanto, estava sempre a figura que a complementava: Denis. E com ele surgem os melhores diálogos, como quando ele a pede em casamento, ou quando ele deixa claro que a vida política da primeira ministra era insustentável. Era o toque doce na monocromática vida política de tantos matizes.
O fim de Thatcher, a mulher mais poderosa do século XX, é explicado e justificado durante todo o percurso do filme. A começar pela primeira cena, primorosa, da dama de ferro em uma venda, comprando leite. A filha de um quitandeiro, como muito é sublinhado no filme, tornou-se a dama de ferro também porque ela assim o quis que acontecesse.
A imagem que fica é de uma mulher que prefere sacrificar seus sentimentos, e eles existem aos montes, e os que estão ao seu redor, em prol de suas convicções. thatcherUm tanto quanto espartana, mas admirável, sobretudo neste mundo de mentes quase sempre voláteis e descompromissadas. Mundo assombrado pelos fantasmas do comunismo, como ela preferiria dizer. Comunismo tal que ela, junto com os grandes Ronald Reagan e Karol Wojtyla, conseguiram derrubar.
Por fim, senti-me com um pouco de Thatcher dentro de mim. Num primeiro momento, confesso que me pareceu prazeroso, mas perigoso. Fez-me lembrar de alguns versos da canção de Roberto Ribeiro: “Sabe Deus a força que eu faço, para derreter o aço, que há em mim. Sabe Deus como eu encolho tanto, para endurecer o pranto, eu sou assim”. Thatcher fez-me refletir sobre a Thatcher que habita em mim.
 

The Iron Lady (Inglaterra - 2011)

Drama, Biografia - 105 min - 12 anos

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