domingo, 13 de dezembro de 2009

Um comentário :
VIGESIMUS ANNUS


Cantai louvores ao Senhor, todas as gentes, povos todos festejai-o!
Pois comprovado é seu amor para conosco, para sempre ele é fiel!
Sl 116

1. Observações proeminentes

A nossa vida é, indubitavelmente, recheada de perguntas. Defrontamos-nos durante nosso caminhar com interrogações fundamentais, sejam elas naturais da própria existência e de seu desenrolar ou dúvidas secundárias, criadas por nossa mente, que não rendem tanto quanto as primeiras. Contudo, essas perguntas, nobres ou frívolas dentro da grandiosidade do universo humano e além do nosso tato, são fundamentais para um verdadeiro descobrimento do próprio ser e de sua interpretação. São também caixas enigmáticas. E suas respostas, se as encontramos, auxiliam na arte de viver. Todavia, o mais importante é o esforço a que somos submetidos quando buscamos estas respostas, como que chaves para a abertura de portas. O que não pode é
cruzarmos os braços e tornar-nos indiferentes quanto a essa busca. Buscar respostas, eis uma grande tarefa. Tarefa que me lanço e que paro somente para refletir sobre a minha busca nestes anos todos.

Ao completar dezenove anos de vida e entrar no vigésimo ano de minha existência, é inevitável que eu me complete de perguntas. Algumas, aquelas que sempre fiz. Outras, novas, com novos significados, apontando para um horizonte antes desconhecido. Tudo isso, levado pelo tempo. Misterioso tempo, que nos conduz da infância até a maturidade em um estalar de dedos. Irônico tempo. Da mesma forma como o ventre materno nos expulsa quando se completa nosso tempo e nós ainda despreparados somos lançados ao mundo, pisamos na vida adulta ainda incapazes. Não por falha humana, falha nossa, de nossos genitores, mas pelo simples fato de que somos humanos, e nos apegamos sempre mais àquilo que nos traz maior prazer e conforto.


Às perguntas “quem sou eu?”, “de onde onde vim, aonde vou?”, somam-se muitas outras, mas neste momento importante, principalmente aquela: “o que fiz até agora?”, e cruzando o limiar do tempo, a cada passo, a cada ano, a cada ampulheta virada, porque não dizer que também nos perguntamos: “quanto tempo me resta?”.Ao pisar no primeiro dia, ao iniciar a vivência do meu vigésimo ano de vida, interrogo-me também. E sigo buscando essas respostas. Entretanto, o que pode parecer difícil ou custoso, torna-se leve e proveitoso quando contamos com um auxílio sobre-humano. O Altíssimo nos ajuda nessa caminhada que, no fim das contas, tende a Ele.

Por isso, nesta data natalícia, dia de agradecimento e reflexão, elevo minha ação de graças ao Pai de todas as luzes por ser minha companhia constante. Peço que Sua mão pese sempre sobre mim, para que nos momentos em que eu me interrogar, eu ouça a Sua voz a me responder e o caminho indicar. Peço que o Cristo, Pastor e Mestre, me ajude sempre a ser útil, a Ele e aos homens, a começar nas pequenas causas, no amor e pelo amor. E que o Espírito Santo me auxilie, com sua Inspiração, a viver buscando a santidade na Sua força. E também aos meus pais, que há mais de 19 anos plantaram uma semente, sempre cultivando-a com estima inigualável.

Concluo essa brevíssima e ínfima reflexão pessoal pensando em uma resposta para tudo isso. Nada surge. Enigmática mente humana, incompreensíveis desígnios divinos! Termino esta, enfim, entregando a minha existência nas mãos de Maria, Mãe de Deus e nossa: “Totus Tuus”! Sou todo seu, Mãe, e tudo o que é meu é seu. O meu presente “Ad Infinitam Dei Gloriam”. E meu futuro
“In manus tuas”. De onde vim, para que vim, o que fiz, e o que farei no tempo que me resta, coloco nas mãos de Deus. Afinal, Voluntas Dei Pax Nostra.


"Que é a nossa vida? Um vapor que aparece por um instante para logo se desvanecer." (Tg 4, 14)
Dado em Cornélio Procópio, 14 de dezembro de 2009. Memória de São João da Cruz. Dia de minha 19ª natividade.



Edvaldo Betioli Filho
Noviço da Sociedade do Apostolado Católico
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ENEM

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Nos dias 05 e 06 de dezembro aconteceu o Exame Nacional do Ensino Médio. Querendo inovar na forma de avaliar os candidatos ao ensino superior, o Ministério da Educação errou mais uma vez. Ao propor um “novo” ENEM, tudo não passou de um teste de resistência, e não de raciocínio ou conhecimento como era a intenção, ao nos lançar um número de questões desproporcionais ao tempo, sem comentar a sua credibilidade em queda – basta ver os índices de abstenção.
Fica aqui meu protesto, que se une às manifestações de milhares de candidatos. Não é assim que se faz uma educação de qualidade. E todos nós sabemos que para um país melhor, melhor deve ser, primeiramente, a educação.

Transcrevo aqui a redação que escrevi no ENEM, acerca do amplo tema: “O indivíduo frente a ética nacional” (apresentando proposta de ação social). Com o espaço limitado, tentei inculcar nestas linhas certa acidez frenquente neste blog. Temeroso para não sair dos parâmetros exigidos, não sei se consegui.
Fica o espaço livre para vossas correções, apontamentos e observações. Qualquer semelhança desta redação com outros artigos aqui já publicados, são semelhanças que partiram de uma mesma mente.



O exemplo que não vem.


Um velho ditado latino que se tornou parte do vocabulário e da sabedoria popular diz que um exemplo move mais que diversas palavras. E de fato, é na cultura do povo que encontramos respostas às nossas próprias interrogações quando nos colocamos diante de intrigantes fatos sociológicos, como por exemplo, a situação do ser humano do hoje frente a ética e a moral.

É necessário, primeiramente, saber o porquê dos homens estarem afundados em uma inércia, um acomodamento assustador para que soluções sejam desenvolvidas e atitudes sejam tomadas. E para isto, basta voltar os olhos à história, fiel testemunha e cúmplice ocular. Não será difícil perceber que o povo acabou tornando-se refém dos benefícios dos governantes, dos mesmos que subestimam os governados, subjugando-os. Assolados por uma onda de populismo, onde medidas insuficientes são maquiadas de grandes realizações, o povo acomodou-se com uma política que venda os olhos e nos faz lembrar o “pão e circo” dos romanos.

Contudo, agrava essa situação quando se torna fácil cometer atos ilícitos: desviar, extorquir, roubar, superfaturar tornou-se tão comum quanto corriqueiro. Assim, a classe alta torna-se passível de tentação, pois está próxima do caixa público e a classe pobre vira vítima de um comodismo até certo ponto justificável do “rouba, mas faz”. E a classe média, de onde vieram os saudosos cara-pintadas do fim do século passado, está acometida pela falta de exemplo e também pelo acomodamento originário das facilidades de um mundo que está a um clique de distância e modernizando-se a cada minuto.

Mas então, qual seria a proposta para solucionarmos isso? Esta deveria partir da conscientização individual dentro de uma coletividade instruída por uma nova cultura, a partir de uma reforma política e educacional séria e irrestrita, e, sobretudo, de exemplos imaculados à nossa frente, guiando-nos, como verdadeiros líderes. Todavia, não encontramos, como não temos, aquilo de que mais carecemos. Somos levados a crer que propostas não são prenúncio de solução, e que nem ao menos a boa intenção é sinal mínimo de efetiva transformação.

A solução está na consciência, do povo, com o povo e para o povo, o mesmo que possui uma rica cultura inata. Mas fazer essa consciência despertar, fazer brotar essa semente do discernimento parece a essa altura missão impossível. Se a ciência dos homens não apresenta solução, resta-nos apelar ao além do físico. Talvez o transcendente, como suplicantes que somos, nos ajude.


Cornélio Procópio, 06 de dezembro de 2009

Edvaldo Betioli Filho
Noviço da Sociedade do Apostolado Católico
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domingo, 29 de novembro de 2009

Rimando...

Um comentário :
VERDADE SEJA DITA


- Meu nobre, preciso confidenciar-lhe,
Para que a verdade seja dita:
Não há pior sensação.
Que pousar a pena sobre o papel
E o nada permanecer na mão.

Há desejo, mas não há paixão,
É o vazio prenunciando a frustração:
Como a mulata que passa e nem te da bola,
Ou a cantada que de tão usada não mais cola.

Há desejo, mas não há emoção,
É o imaginado sem imaginação:
Como um Michelangelo sem seu cinzel,
Não existiria Davi, faltaria o céu.

Há desejo, mas não há sentido,
É aquele passo acerca do abismo.
Como o garçom sem nenhum pedido
Ou o brejeiro sem seu cinismo.

Somente desejar não é válido,
O papel continuará sempre pálido.
Não existe nem sequer o traço,
Restando do tiro nem o estilhaço.

E a prepotente senhora, a ré,
Ri acomodada do homem refém.
Como se fossemos de má fé,
Fantoches articulados por ninguém.

Merecia-a uma fina lição:
Uma greve, uma paralisação.
Deixássemos de seu auxílio utilizar
Para ela sem ter o que fazer ficar.
Perceberia o valor que possui então
Entre ela e a mão, a colaborativa união.
Ficaria ela sem graça e utilidade
Em uma desalentada solidão.

- Meu caro, compreendo seu desafogar:
Poeta sem ela, lobo sem luar.
Mas devo fazer uma objeção,
Logo uma justa consideração:
Sem ela veríamos apenas a palma de nossa mão.

Teríamos o sol, mas não o bronzeado,
A primavera sem o jardim perfumado.
A garota de Ipanema sem o balançado,
Um Shakespeare deshamletizado.

É preferível entrarmos na sua manha,
Que termos de mendigar imaginação.
Antes sujeitos à sua façanha,
Que oco permanecer o coração.

- Até que sábia é sua proposição.
Sejamos prudentes nessa situação,
Analisemos sempre com atenção,
Para que não façamos tudo em vão,
E não despertemos sua indignação.
Dela com certeza o homem precisará,
Contudo, auto-suficiente sempre será.

- Mas esta nossa sadia discussão
Fez-nos esquecer o brinde de comemoração.
Deixemos esse assunto pra outra hora
E às alegrias mundanas voltemo-nos agora.
Largue as azeitonas para não dar indigestão
Empunhe seu copo, erga-o com decisão,
Admire o colarinho de dois dedos com moderação
E enfim desejemos saúde...

- À INSPIRAÇÃO!

* * *
Caros amigos leitores do Diálogo Vivo. Peço sinceras desculpas pelo atraso nas publicações. Conto com a compreensão de todos! Novos artigos estão saindo do forno! Aguardem!!

Cordialmente,
Edvaldo Betioli Filho
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domingo, 25 de outubro de 2009

2 comentários :
Após uma pausa nas escritas e publicações para participar do Novinpal, volto a escrever aos poucos neste caderno virtual.
Saudações fraternas a todos os visitantes, e não deixem de dar uma passada por aqui!
Obrigado!
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domingo, 20 de setembro de 2009

Contextualizando...

2 comentários :
Ao amigo Lucas, já que faltava um pouco de política por aqui...!


O virada
do rei


Costumam dizer que a voz do povo é a voz de Deus. Não querendo entrar em particulares detalhes e populares crendices, de verdadeiro não sei se deve haver mais algum elemento nesta afirmação, que de tão usada e passada, acaba tornando-se – infeliz e erroneamente, na minha desprezível opinião - uma verdade até mesmo imutável. E é da boca do mesmo povo que surge, quer seja na orla de Copacabana ou na oca do Pará, expressões que insistentemente grudam nos vocabulários das ruas e ruelas de toda a cercania verde amarela e quiçá de todo o orbe, num impulso natural da necessidade de comunicar as relações humanas cada vez mais descambadas.

Contudo, o fato é que nem tudo o que está na boca do povo é dotado de certa coerência ou provido de um fundo de verdade. Mas o mesmo povo não tarda em perceber, ainda que demore a manifestar-se contra ou a favor, as verdades da vida.

Proponho então um exercício de imaginação ao amigo leitor, para que facilite o desenrolar e a compreensão dessas palavras esvoaçantes.

Imagine: e se durante
a corrida espacial da Guerra Fria, quando o império americano fez o homem pousar na lua, Neil Armstrong retirasse, por uma sutil colaboração financeira da nação de Lênin, do bolso de seu macacão espacial – se é que eles possuem bolso – ao invés da bandeira estrelada e listrada de vermelho e azul, à qual ele jurara respeito e lealdade, e fincasse uma outra, aquela laureada de uma foice e um martelo? Quanta decepção seria!

Sem nos deter nas conseq
uências mais catastróficas em esferas políticas, econômicas, relacionais, pensem na reação do povo. Tudo o que Armstrong teria dito iria por água abaixo. Todas as farpas trocadas passariam ao pó. E todos nós, reles, desejaríamos que ele e a farsa ficassem isolados junto de São Jorge e seu dragão naquela terra, ou lua, de ninguém. Ele seria aclamado por unanimidade um vira-casaca!

Suponha que um flamenguista fanático passasse a ser corintiano ao ver o urubu ser derrotado pelo mosqueteiro. Como ele seria chamado? Vira-casaca!

E se Maradona em uma de suas Copas fizesse um gol contra proposital, a favor da seleção canarinho, para receber em troca alguma coisa que aqui é melhor não escrever? Vira-casaca!

E mais uma: se um petista militante declarasse que a partir de hoje seria tucano fanático por uma cadeira no Congresso? Vira-casaca, na mosca, sem sombras nem
dúvidas.

São muitos os exemplos de casos que surgem neste exercício de imaginação, todos em especial disputa, que poderíamos conferir o título de vira-casaca, retratados pelo ‘Aurélio’ como “indivíduo que troca de partido ou de idéias, de acordo com as conveniências próprias”.

Pois bem, todos esses receberiam o sábio título, inventado pela camada popular, de vira-casaca, afinal, a voz do povo é a voz de Deus, certo?

Errado. Errado, pois lamentavelmente a
voz do povo está deixando de ser a voz de Deus, logo que o povo não tem mais voz. Não porque Deus tenha deixado e existir, mas porque o povo está cada vez mais acostumado com tantos interesses sensivelmente equivocados que passa agora a ser comum tornar-se um vira-casaca com as suas propriedades negativamente regressivas. De veras regressivas, logo que analisando todas às vezes quando acontece essa mudança de posição, de idéia, de valor - essa troca de camisa ou bandeira - acaba surgindo quase sempre uma regressão, caminha-se para trás, dá-se marcha ré na impressão enganosa aos olhos alheios de que a primeira já está engatada.

E é mais ou menos isso, mais ou ‘menos pior’ como diria um refrão de samba, o que está acontecendo por aqui, onde tudo parece estar dando certo, indo bem. Aqui, onde se acaba criando então um castelo de mentiras. Uma fortaleza de ilusões. Um rei que, estando nu, esconde-se atrás de um
artefato permutado em pirotecnia para que ninguém veja sua deficiência: a sua ação de virar a casaca, de abandonar ideologia, de mudar de lado. Ilusão imaterial fundada em uma poça de lama. Ou melhor, de óleo.

Agora, portanto, deixemos a imaginação de lado e mergulhemos na realidade, no nosso dia a dia, para percebermos
até que ponto chegou o mandatário máximo de nossa república.

O excelentíssimo senhor, há dois anos, passou a repetir mundo afora que o Brasil seria a nova potência pois tinha em mãos a cana de açúcar e até aquele momento o mais que bendito etanol. De seu trono cada vez mais elevado pelo combustível chamado de bio, emastrou bandeiras verdes, que brotavam de uma promessa verde, para um desenvolvimento que desembocaria num futuro verde. Interessaram-se nações diversas naquela que po
deria ser uma alternativa viável ao ciclo do petróleo que, segundo o mandatário, tinha seus dias contados. O nosso era melhor que de todos, inclusive superior ao do companheiro Bush, que, aliás, no mesmo ano de 2007 foi acompanhado pelo excelentíssimo a uma usina da gigante estatal brasileira. Parecia que definitivamente o Brasil caminharia para frente.

Entretanto, como dizia o sábio, o brasileiro gosta de levar a vida entre paradoxos. E o operário engravatado do Planalto tomou a frente, assumiu a lider
ança, deu o exemplo de máxima ‘vira-casaquice’. Bastou George virar as costas e ser anunciada a descoberta das gigantescas reservas de petróleo que o presidente mudou de lado, inverteu o tabuleiro, vestiu outra camisa.
E atualmente, em setembro a pino, ele fez festa para anunciar que agora o Brasil será a nova potência mundial. A promessa ainda é a mesma de dois anos atrás, mas os meios para que isso aconteça mudaram to
talmente.

Agora o óleo é a menina dos olhos do rei, e as reservas de Tupi e companhia as pupilas do senhor reitor. Que se parta para as favas tudo o que foi dito e maldito sobre o petróleo. Se ele era ruim,
decadente, sem futuro, sujo e obsoleto, agora não o é. Se o etanol avançava como o ponta de lança de antigamente junto com a propaganda, que se breque o primeiro, e que se amplie o segundo. O excelentíssimo diz para o mundo, interessados já na cana de açúcar, que continuem consumindo petróleo, sem parar, e de preferência, do nacional quando ele vier a jorrar na superfície do mar.

De nada valem as informações de que o bio é mais limpo, mais sustentável, mais viável. O que se torna importante não
é a problemática que nos espera no futuro – agora papo de ‘ecochato’ – mas a ‘solucionática’ monetária, o lucro imediato, a força instantânea, o poderio mundial. E se todos os problemas se resumissem somente nisso seria relativamente simples, mas com os poços pré-sal vem à questão o modo de exploração: a partilha ou concessão; a euforia, a super estatização na exploração e... o risco da regressão, como em todo o caso quando se muda de lado!

O magnânimo molusco de faixa presidencial pulou o muro e permutou rapidinho seu ideal, simplesmente pelo poder do poder. E por mais impac
tante que isso seja não é de assustar. Basta olhar a trajetória da agremiação à qual ele faz parte. Compare o PT de ontem e o PT de hoje. Mais um exemplo real e boçal, que faria frutificar um outro artigo exemplificando a arte da substituição dos princípios por vultos monetários.

E escrevo tudo isso para concluir com os olhos voltados para o povo, o mesmo que fora comentado nos primeiros parágrafos. Será que a maioria tornar-se-á sensível a esta interesseira metamorfose? Será que as urnas refletirão as consequências das atitudes do hoje ou será que triunfará o candidato poste na sucessão presidencial?

Nunca antes na história desse país tivemos um caso – tal que me faz tão descrente em relação ao povo e à política - tão explícito de uma pessoa vira-casaca, na mais pura e crua realidade, sem necessidade de exercíci
os de imaginação. E esta pessoa é o nosso presidente. O presidente que fora escolhido pelo povo. O povo que era portador da graça de ser a voz de Deus.

Logo se vê então porque a voz do povo não é mais a voz de Deus. Deus com certeza não teria a capacidade de pular o muro para ir atrás de seus próprios interesses, negar seu passado, e ainda por cima sujar seus pés no óleo da ganância. Dado em

Cornélio Procópio, dia dezenove de setembro do ano do Senhor dois mil e nove.
253° dia de nosso noviciado

Edvaldo Betioli Filho
Noviço da Sociedade do Apostolado Católico
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domingo, 6 de setembro de 2009

Personalidade

Um comentário :

O cavaleiro da Imaculada


A infância de todo ser humano, principalmente no momento quando sua personalidade está se formando, é sempre marcada por imagens, ainda que simples, e por acontecimentos, talvez singelos, que quando ecoam dentro das pequenas mentes, dependendo das circunstâncias em que se deram, ficarão registradas por toda a vida, no pensamento e também na alma.

Certo dia, podendo até ser chamado de um dia qualquer se não fosse a ação da Providência Divina, o pequeno Raimundo, que até aquele momento brincava, foi chamado por sua mãe. Ela, que estava nervosa e cansada de suas desobediências e peripécias, perguntou-lhe quando ele tomaria jeito e passaria a ser uma criança diferente, com um profundo: “Até quando?”.

Raimundo, na sua inocência, caiu em si e percebeu que aquela pergunta não era uma chamada à atenção qualquer. Era mais que isso. E essa pergunta foi o primeiro passo para ter início a transformação que aconteceria em sua vida. A indagação fez com que o pequeno se colocasse aos pés de uma singela imagem de Nossa Senhora que aquela católica família polonesa guardava em casa. E diante da Mãe do Céu, a pergunta, que agora não mais era de sua mãe, brotava de seus lábios: “Até quando?”.

Eis que surgiu, esplendida e formosa, diante das retinas daquela criança de oito anos que permanecia em oração, a Virgem Maria, portando duas coroas de flores nas mãos. E oferecendo-as a Raimundo, perguntou-lhe qual ele escolheria. Uma, de flores brancas, a qual coroaria sua vida com a pureza. A outra, de flores vermelhas, a qual cingiria sua trajetória neste mundo com o martírio. E Raimundo escolheu as duas.

Depois deste inigualável acontecimento, o qual se refletiria em sua vida pura e sofrida, mudou totalmente seu modo de viver. Sua mãe, a única a quem ele confiara esta visão, só fora revelar este segredo após sua morte, reconhecendo que aquele fato foi um marco na vida de seu filho.

Mas como, interrogava-se Raimundo, poderia ele viver de modo que agradasse a Mãe do Céu, a quem ele agora dispensava uma imensa devoção? Ele sonhava em ser militar, queria ir para frente de batalha, afinal, como a maioria dos poloneses, ele era um grande entusiasta da pátria, um verdadeiro patriota. Contudo, novamente a mão da Divina Providência pousou sobre aquele ser humano e para o convento dos Franciscanos Conventuais ele entrou, para ser aí um cavaleiro, não militar, mas do Reino.

Agora este nosso cavaleiro não mais se chama Raimundo. Despido do homem velho, o novo Maximiliano, consagrado a Deus, tinha a mente voltada toda para Ele. Servi-lo e amá-lo, imitando Seu filho Jesus, sendo seu apóstolo. E seu apostolado começou antes mesmo de ser ordenado sacerdote, criando entre os seus pares a Milícia da Imaculada. Note-se que Maximiliano amava a vida militar e adotando este nome quis mostrar que ele combateria. Agora, em outro front: a frente de batalha mariana. Era o comandante do estado de suas forças, o general de uma corporação na vida espiritual, sempre subordinado a uma regra da qual derivariam todas as outras: a obediência.

E a partir daí ele nunca mais saiu do campo de batalha. Sua vida seria toda ela uma luta: para salvar as almas e fazer Cristo, e sua Mãe, conhecidos em todo o mundo, mesmo nos rincões mais distantes, como o Japão, a China e a Índia. Todavia, sua sofrida e amada Polônia teria prioridade.

À medida que o tempo foi passando, a Milícia foi crescendo, afinal, a santidade atrai qualquer idade, e ela torna-se fascinante quando se é jovem. Orações e medalhas eram suas armas, silenciosas, mas eficazes para quem tinha uma fé intrépida de que o mundo poderia ser salvo por elas. Entretanto, os problemas também ousaram acompanhar frei Maximiliano. Por todos os lados eles o cercaram, desde oposições humanas até limitações financeiras. E aos seus filhos espirituais ele exortava: confiemos na Imaculada, ela há de nos ajudar.

Sua obra já era tão grande que aquele incansável soldado precisou de um “quartel-general” maior, onde ele pudesse abrigar todos os seus companheiros e também seus equipamentos gráficos, que imprimiam agora uma revista, seu novo instrumento de evangelização, que chegaria á tiragem de um milhão de exemplares por edição. A este lugar, fundado no coração da sua alva e rubra Polônia, chamará de Niepokalanow ou Cidade de Maria.

Mas se dentro de sua Cidade viviam em paz cerca de setecentos seguidores de Maria, fora dela as nações vociferavam uma contra a outra. E para continuarmos nossa história é necessário entendermos que tudo isso o que nas linhas acima foi narrado aconteceu no período entre guerras, quando a Europa viveu vinte anos de tensão e apreensão, temor e tremor, sabendo que a qualquer hora aquela débil sensação de paz poderia ser destruída por um líder totalitarista que desse um passo rumo às armas de fogo. E de fato foi isto que aconteceu.

Em 1938, a Polônia começava a ser engolida pelo monstro nazista. Frei Maximiliano sabia o que estava por vir: “Filhinhos, aproxima-se um combate sem quartel. A guerra está muito mais perto de nós do que se poderia crer”. Em 1939, sua pátria foi invadida. Iniciava-se a II Guerra Mundial, e também a fase final de sua vida.

As máquinas da Cidade de Maria param de funcionar; os freis devem, por ordem dos superiores, se dispersarem pela terra, sob a exortação de frei Maximiliano: “Não esqueçam o amor”. Ele, embora fisicamente fraco, era um homem de uma moral incrível e de uma santidade tremenda, que assustavam aqueles que de Deus permaneciam longe. Isso incomodou o Reich, fazendo que ele fosse incluído nas listas de pessoas influentes que poderiam contribuir, segundo o nazismo, para a desordem social. E no dia 17 de fevereiro de 1941, no meio da manhã, ele foi levado pela Gestapo para Pawiak, a temida prisão de Varsóvia.

Conta-nos o Santo Evangelho que, depois da agonia no Getsêmani, Jesus Cristo foi preso e entregue aos soldados para ser flagelado. Frei Maximiliano seguiria a partir de agora os mesmos passos do Mestre e Senhor.

Aceitou sem murmúrio sua prisão e jamais blasfemara contra os soldados que lhe desferiam golpes. Mais preocupado com os outros do que consigo mesmo fazia de tudo para que crescesse a esperança naquele ambiente que cheirava à esterilidade. Ele não abandonaria sua cruz, mas tomou-a sobre os ombros pelo amor da Imaculada. E tempo depois, assim como Cristo fora levado ao Gólgota, ele foi levado a Auschwitz.

E neste lugar, solidão e sofrimento. Dor e desespero. Ali terminava a vida, encerrava-se a humanidade. Cessava-se toda esperança ou sorte. Não era mais frei Maximiliano, mas o prisioneiro número 16.670. E lá ele permaneceu trabalhando e padecendo, vendo o ser humano, tão nobre e amada criatura de Deus, ser lentamente destruído. Mas para ele, o amor ainda poderia existir.

A prova disso foi quando em julho de 1941 um prisioneiro de seu bloco escapou. E a lei nazista era clara quanto a isso: por uma vida que escapava, dez eram condenadas à fome e sede até a morte. E os dez foram escolhidos, na frente de todos. Mas um deles desesperou-se ao ser incluído nesse grupo e clamava pelo amor de Deus, que ele não fosse para o Bunker da fome, pois ele era pai de família, tinha filhos e esposa para assistir e que não queria morrer sem vê-los novamente.

Aconteceu então algo que solo de campo de concentração algum jamais foi testemunha: um prisioneiro ousou sair das filas e ofereceu-se para tomar o lugar do outro, que implorava entre soluços.

O prisioneiro era Frei Maximiliano Maria Kolbe. Um frade franciscano, que queria doar sua vida pela de seu irmão, fazendo-se ao máximo imitador de Cristo: “Prova de amor maior não há, que doar a vida pelo irmão”. Frei Kolbe agora estava no lugar daquele pai, por amor.

Os condenados, à porta da cela da qual entravam para nunca mais saírem com vida, despiram-se. Foram confinados. Foram privados do pão e da água. E um por um todos foram padecendo. Morreram, todos com o amparo de Frei Kolbe, que não murmurava ou blasfemava contra ninguém, mas enquanto tinha forças, cantava hinos à Imaculada e rezava ao Altíssimo. E ele, aquele sacerdote católico, viu todos os outros nove prisioneiros morrerem. No nono dia no bunker da fome restou apenas ele, ressequido, mirrado, mas cheio de santidade, e fortificado pela fé.

Sem mais ter o que fazer o centurião romano, para comprovar a morte de Cristo, traspassou-lhe o lado com uma lança. E para não ter que esperar mais um segundo, o auxiliar do bloco 11 aproximou-se de frei Kolbe, 47 anos, aquele que sobrevivia sem saber como, armado com uma seringa de ácido fênico.

Era dia 14 de agosto de 1941, véspera da Assunção de Nossa Senhora. O dia do início da verdadeira vida daquele cavaleiro da Imaculada, santo e mártir.

Assim morria aquele apóstolo que entregou sua vida na obediência e no trabalho incansável pela salvação das almas. Assim morria aquela criança inocente que contemplara Nossa Senhora, podendo compreender a influência que aquela aparição e aquelas coroas, branca e vermelha, causaram na sua vida e na sua morte. Assim morreu Raimundo, Maximiliano Kolbe, pelo irmão. Daniel Rops, historiador sempre atual, escreveu que “sempre precisamos de santos. Hoje, porém, se necessita de um tipo especial. Penso em ti, padre Maximiliano Kolbe, cuja fugira exemplar encarna de maneira mais profunda a revolução contra o erro de nosso tempo onde o amor não é mais amado”.

A história deste santo atual foi se espalhando em todo o mundo. O papa Paulo VI proclamou-o bem-aventurado, confessor da fé, revestido de paramentos brancos, em 1971. João Paulo II, filho também ele da heróica Polônia, proclamou santo o herói mártir de Auschwitz, revestido de paramentos vermelhos.

O século XX, o século do qual Maximiliano Kolbe fora filho autêntico findou-se. Mas ainda deve permanecer em nós aquela pergunta que a ele foi feita quando criança: Até quando? Até quando nós deixaremos de lado nosso irmão? Até quando permaneceremos inertes, vendo o mal proliferar-se ao nosso redor?

São Maximiliano Maria Kolbe, o patrono do difícil século XX já respondeu a esta pergunta doando sua vida, deixando-nos seu exemplo: amando efetivamente o Mistério através do outro. Nestes tempos, a urgência da resposta recai sobre todos nós, afinal, nós somos os cavaleiros do hoje.
Noviço Edvaldo Betioli Filho
Cornélio Procópio, 05 de setembro de 2009

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domingo, 9 de agosto de 2009

Ao mestre, com carinho.

2 comentários :

Meu pai não só marca minha vida por sua presença ou seu título de 'Pai', mas por aquilo que ele me ensinou e ensina, e tenho certeza, ensinará.
Neste segundo domingo de agosto ofereço a ele este conto, mais um produzido nesta mente por ele gerada.

" A honra dos filhos são os pais" (Pr 17, 6)

Feliz dia dos Pais!!



Abril de 84



Meu pai não entendia, ou melhor, não queria entender.
- Pai, é a democracia, devemos lutar! Temos de dar um basta a este regime! Eu quero ir neste comício!
- Você não sabe o que está dizendo, nem ao menos o que está se passando!
Eu sabia o que estava dizendo, ou melhor, pensava que sabia.
Tinha crescido com todo aquele burburinho. Burburinho não, pois a Ditadura Militar tinha deixado grandes gritos presos em muitas gargantas, e esses gritos precisavam ser postos pra fora. Poderia esse ser o momento, quando a repressão já estava bem mais branda e o regime estava a um passo de seu fim.

Mas não era bem isso que eu estava imaginando quando discuti com meu pai naquela tarde.

Contudo, eu era apenas um rapaz, dos seus dezenove anos, cabelos compridos e mal ajeitados, barba crescida e repleta de falhas, um desocupado que ainda tentava entrar em alguma faculdade, um irresponsável de idéias vulneráveis, querendo ser mais um radical com os ideais revolucionários de certo Che, que, todavia não conseguia nem ao menos responder às suas próprias necessidades. Dependia totalmente de meu pai, eu tinha consciência disso, mas não queria esse fato aceitar. E ele, nesse dia, não queria que eu saísse de casa.

Para mim, meu pai não era grande entusiasta do regime militar, mas no fundo pensava que ele tinha alguma queda pela rigidez, pela formalidade e de certa forma pela segurança, que passavam à população que a eles eram fiéis, tanto em relação às ameaças bélicas, quanto aos comunistas.

Mas naquele dia eu estava empolgado, mais do que o normal. Na certa a adrenalina estava em níveis altíssimos em meu sangue e minhas veias pulsavam. Tanto pulsavam que desobedeci meu pai. Todos os meus amigos iriam, porque eu ficaria fora? Não escutei sua voz, que para mim naquela hora soava autoritária demais e lancei-me às ruas, junto de mais alguns como eu, tendo como único objetivo abrir a boca para gritar palavras de ordem contra tudo e contra todos, mesmo sendo palavras toscas e inúteis.

Andávamos em bando rumo ao grande comício que começaria daqui a poucas horas e que comemoraria o resultado de alguma votação no Congresso. E isso era tudo o que eu sabia. Caminhávamos como arruaceiros bêbados de qualquer coisa que nos deixava mais agitados. Mas um fato roubou nossa atenção, ou ao menos a minha.

Na avenida pela qual tomávamos caminho havia uma banca de jornal, lotada por uma grande aglomeração. Como grão-curioso que era, meti-me no meio daquela gente que fitava uma só coisa: a televisão. Percebi que as expressões daquele povo eram de um alguém derrotado. Sem entender muita coisa, perdido na minha ignorância, voltei também meus olhos àquela tela quatorze polegadas e tentei compreender o que se passava.
Ainda assim, só consegui notar que aquilo estava relacionado com nossa manifestação, enquanto a repórter, direto de Brasília, anunciava de dentro de seu terninho, naquela voz mecânica de senhora do microfone:
- A Emenda Constitucional apresentada pelo Deputado Dante de Oliveira, do PMDB de Mato Grosso, que permitiria as eleições diretas para Presidente da República foi rejeitada pela Câmara dos Deputados. Ela recebeu 298 dos 320 votos necessários. Mais uma derrota para a democracia. Líderes sindicais e estudantis confirmaram os comícios desta tarde que acontecerão em todo o Brasil. Agora, o tom é de protesto.

Lembro que muitos vaiaram. Tantos outros xingaram meia dúzia de palavras e saíram dali como chegaram. Meus comparsas já se preparavam para continuar a caminhada. E eu, também iria surfar nesta onda. Já estava saindo quando passei os olhos pelas manchetes dos principais jornais expostos ali nas portas daquela banca. Entre política, esporte e economia li pequeno título no canto direito da diagramação: “Pai Desconhecido”.

Não que eu fosse leitor assíduo de jornal impresso, mas aquilo me chamou a atenção, sem saber por que.

E inclinei-me um pouco para ler o pequeno texto que acompanhava o título da matéria. Meus colegas já chamavam minha atenção para prosseguirmos, mas mesmo assim continuei ali, lendo aquelas linhas que diziam mais ou menos isso: “A cada ano no Brasil nascem cerca de 500 mil crianças de ‘pai desconhecido’. Quase 30% de brasileiros que não possuem reconhecimento, tanto o legal, quanto o amoroso, e nem sequer sabem o nome do pai, nunca viram uma foto sua e nem tem certeza se está vivo”.

Não que eu fosse sensível aos problemas da sociedade, mas aquilo chamou ainda mais minha atenção. E mais uma vez sem saber por que.
Não tinha mais tempo para ler. E se tivesse, deveria comprar o jornal para contemplar a matéria na íntegra. Mas não era hoje que eu iria gastar meu dinheiro comprando meia dúzia de folhas impressas no preto e branco. E assim prosseguimos rumo ao centro dos protestos por aquela dita derrota. Mais agitados. Mais primitivos. Mais bêbados.

Quando já estávamos perto, sendo possível ouvir toda uma agitação, vem ao nosso encontro um outro grupo, um outro bando de devolutos, avisando o cabeça da turma que era preciso levar alguns pedaços de madeira, barras de ferro, ou o que achássemos no caminho para servir de arma, pois a polícia estava lá para repreender todo e qualquer protesto, e que se viessem pra cima, segundo ele, nós revidaríamos. Está bem. Nós revidaríamos, concordei.

E eu, mais uma vez, não querendo lembrar da imagem do meu pai que tanto me atentara para o que poderia acontecer, tomei nas mãos o primeiro objeto que me deram e parti para a luta. Eu era mais um a ir com os outros. Sem lenço nem documento, e principalmente, sem personalidade.
De fato, a polícia estava presente, com escudos e cães, com cavalos e porretes, para tentar garantir a ordem no centro de uma das maiores cidades do país. Estavam conseguindo até que um grande grupo de jovens chegou segundos após nós termos posto os pés ali e mais agitados que quaisquer outros, gritavam: Pra cima deles!.

E nós fomos. Sim, eu também fui, ora, todo o nosso grupo foi, porque eu não iria? Não podia perder a oportunidade de lutar. Mas foi mais que uma luta. Tornou-se uma batalha cruenta.

A partir daí lembro-me de poucas coisas: nossa correria, atirando o que tínhamos em mãos. Nossa pancadaria em meio a uma gigantesca aglomeração. Nossa ofensiva e a defensiva deles, que tentava acabar com nossa petulância. Vi paus, vi pedras, vi o fim do caminho. Vi uma bomba de gás lacrimogêneo arremessada parar do meu lado. Vi um policial vir em minha direção e vi-o erguer o braço. E nada mais. Pois ele desferiu-me um golpe na nuca, e aí apaguei legal. Tudo escureceu.

Só acordei e voltei a ver as cores e o clarão da vida em um branco e frio quarto de hospital. Nenhum daqueles que comigo estavam naquela confusão se fazia presente ali. A primeira pessoa que vi ao abrir os olhos não foi um baderneiro, nem um bêbado, nem ao menos um violento revolucionário. Não eram aqueles viciados em um trago, nem aqueles que me chamavam para causar confusão sem princípios conscientes. Logo depois que abri os olhos, a primeira pessoa que pousou ante minhas retinas foi meu pai. Foi aquele que sabia que tudo isso aconteceria.
Minha cabeça doía. Contudo, o que mais me incomodava era o arrependimento que sentia por não ter obedecido aquele homem que queria o meu bem, somente meu bem.

Mesmo com hematomas estampados por todo o meu corpo, ao ver aquele homem que me dera a vida e o nome – e muito mais que isso – lembrei-me da poucas linhas que li em algum jornal naquela abafada banca antes deste derradeiro episódio.

E mesmo que minha cabeça latejasse, eu consegui compreender a importância de meu pai. Pude tomar consciência de que ideologias são meras idéias desvalidas quando não existe o amor. Este, por sua vez, pode passar muito bem, obrigado, sem influências ideológicas. O amor existe por si só. Os ímpetos revolucionários são chamas que se apagarão quando o amor deixar de cumprir sua missão de combustível das boas obras. Naquele lugar de odor característico, cheirando a remédio, compreendi que o amor, aquele que nunca passará, vale mais que tudo. E tudo isso o que aconteceu me fez rever meus conceitos.

Percebi que meu pai não era tão admirador dos militares, nem ao menos se sentia atraído pela sua forma de governar. Enxerguei que meu progenitor não queria que eu saísse naquele dia não porque ele fosse de direita e eu um influenciado pelo barbado líder sindicalista, mas porque ele prezava minha vida. Porque ele me amava.

Eu sei que meu pai entendia, e melhor, queria que eu entendesse. Mas eu não compreendia que eu estava errado e para que isso acontecesse foi preciso uma certa tragédia se dar. E, felizmente ou infelizmente, como queiram, sempre será assim. Muitos filhos, como no meu caso, tardarão em ver o amor de seus pais, não porque ele inexista, mas porque nós ainda seremos simplesmente filhos até que tenhamos que transmitir tudo isso às nossas próprias crias.

A matéria dos ‘filhos sem pai’ ecoava ainda em meus pensamentos naquele alvíssimo leito, em abril de 84. Meu pai me amava. Eu o amava. Enfi percebia que aos pais competia o exercício da autoridade e a realização do amor. Como eu era privilegiado por ter esse bem. E só pude dizer, envolto nestas circunstâncias, apenas quatro palavras, tão comuns mas tão verdadeiras, que transbordavam de meu coração: Pai, eu te amo.



“Em atos e palavras respeita teu pai a fim de que venha sobre ti sua bênção (Eclo 3, 8)”.
Dado em Cornélio Procópio (PR), dia nove de agosto, segundo domingo do mês (Dia dos Pais), do ano do Senhor de dois mil e nove. 212° dia de nosso noviciado.



Edvaldo Betioli Filho
Noviço da Sociedade do Apostolado Católico




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Indulgências - Esclarecimentos

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INDULGÊNCIAS
Esclarecimentos

“Na indulgência se manifesta a plenitude da misericórdia do Pai, que vem ao encontro de todos com seu amor, expresso em primeiro lugar no perdão das culpas. Ordinariamente, Deus Pai concede seu perdão por intermédio do sacramento da penitência e da reconciliação. [...] A Igreja, tendo recebido de Cristo o poder de perdoar em seu nome (cf. Mt 16, 19; Jo 20, 33), é, no mundo, a presença viva do amor de Deus que se inclina sobre toda a fraqueza humana para a acolher no abraço da sua misericórdia. É precisamente por meio do ministério da sua Igreja que Deus espalha pelo mundo sua misericórdia, mediante o dom precioso que, conforme antiquíssima designação, chama-se indulgência.
(João Paulo II, bula O mistério da Encarnação, nº. 9.)

1. O que é
Indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel, devidamente disposto, e cumprindo certas e determinadas condições, alcança por meio da Igreja. (CIC 1471)

1.1 Culpa e Pena
Em todo pecado deve-se distinguir-se a culpa e a pena. Pelo sacramento da penitência, também chamado de confissão, o homem fica livre da culpa do pecado que o separava de Deus. Entretanto, há ainda uma pena temporal (castigo) devida ao pecado. A penitência imposta pelo sacerdote na confissão satisfaz em parte as penas temporais merecidas pelos nossos pecados. Um meio para aliviar as penas temporais, devidas pelos nossos pecados, consiste em ganhar as indulgências que a Igreja concede.

2. Espécies de indulgências
A Igreja estabelece unicamente duas espécies de indulgências: as plenárias e as parciais, conforme libertem, no todo ou em parte, da pena temporal devida pelos pecados (CDC, cân, 993).

2.1 Indulgência Plenária
É a qual se ordena à remissão de toda a pena temporal devida pelos nossos pecados; de tal maneira que, se lucrássemos uma delas e morrêssemos logo após, reunir-nos-íamos a Deus no céu imediatamente, sem de ter de pagar por nossos pecados no purgatório.

2.2. Indulgência Parcial
É a remissão parcial da pena temporal devida pelos nossos pecados, em maior ou menos grau, conforme a obra que fizermos enriquecida com indulgências.

3. Condições para se ganhar as indulgências
Para que alguém seja capaz de ganhar indulgências para si mesmo são necessárias as seguintes condições:
1. Ser batizado;
2. Que não esteja excomungado;
3. Encontrar-se em estado de graça, pelo menos no fim das obras prescritas:
Deve-se entender que a aplicação das indulgências supõe que os pecados já tenham sido perdoados quanto à culpa e à pena eterna, e, em consequência, aquele que as ganha está na graça de Deus. Suponhamos que esteja anexa à visita a determinado santuário uma indulgência plenária. Um fiel poderá estar em pecado mortal ao entrar no templo para a visita. Ali, entretanto, tendo a intenção de ganhar a indulgência, ele se confessa, comunga e reza um pai-nosso e uma ave-maria pelas intenções do papa. A indulgência plenária lhe terá sido concedida.
4. Que seja súdito de quem concede as indulgências;
5. Ter a intenção, ao menos geral, de ganhar a indulgência:
Deve-se entender que sendo a indulgência uma graça, a Igreja só a concede a quem realmente tem a intenção de aproveitá-la. É muito conveniente expressar diariamente essa intenção como parte das orações da manhã. Por exemplo, dizendo: “Deus Misericordioso, Maria Santíssima, quero ganhar todas as indulgências que puder neste dia, nesta semana e sempre”. Assim, estarão eles em condições de ganhar as indulgências que tenham sido concedidas às orações e boas obras que digam ou façam, mesmo que não se lembrem disso no momento de realizá-las, e mesmo que não saibam que tal oração ou ação goza de indulgências concedidas pela Igreja.
6. Cumprir as obras prescritas, no tempo determinado e no modo devido, segundo o teor da concessão (CDC, cân, 996, 1, 2).

3.1 Condições para Indulgência Plenária
É necessária a execução da obra enriquecida com a indulgência e o cumprimento das seguintes condições: 1. Confissão sacramental; 2. Comunhão Eucarística; 3. Oração pelas intenções do papa; 4. Exclusão de todo afeto em relação a qualquer pecado, mesmo venial.

• As indulgências podem ser aplicadas às almas do purgatório? Sim. Tanto as indulgências parciais como as plenárias podem ser aplicadas às almas do purgatório como sufrágio (MI n° 4)
• Qual é a intenção da Igreja ao conceder as indulgências? É auxiliar a nossa incapacidade de expiar neste mundo toda a pena temporal. Os fiéis quando se empenham em ganhar as indulgências, compreendem que por suas próprias forças não podem expiar o prejuízo que se infligiram a si mesmos e a todo o corpo místico de Cristo, e por isso são excitados a pratica da humildade.
• A Igreja Católica tem o poder conceder indulgências? Sim. Que a Santa Igreja católica, apostólica, romana tenha o poder e o direito de conceder indulgências é uma verdade da fé, expressamente definida.
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domingo, 26 de julho de 2009

Um comentário :
Frio holofote


Trocando em miúdos, no fim das contas,
você virou pó.

Baixadas as cortinas, encerrados os aplausos,
você está só.

A sua disputa, velha prostituta,
são todas iguais.

Nada elas valem, mas que se calem,
perante os tribunais.

Foram apostas viciadas, fichas furadas,
e o mesmo bordão.

Alguém te esqueceu, e você se perdeu,
na velha ilusão.




Agora restou o nada. O nada e o medo.
E a sua muralha vem ao chão. Ao chão por um dedo.
Que debochando do amanhã, aponta para sua vida vã.



Senhor figurista, então invista,
numa contradição.

Aquelas perspectivas, palavras vivas,
na contra mão.

Única fortaleza, nenhuma pureza,
findou falso brilho.

A vida mesquinha, você se encaminha,
a morrer no exílio.

Não tenho pena, ver a última cena,
luzes a se apagar.

No último malograr, não faltará a rima,
quando te faltar o ar!



Agora restou o expiro. O expiro e a morte.
Não há muralha. Nem muralha, nem forte.
O amanhã não veio. Cessou a sorte.



Edvaldo Betioli Filho
22.07.2009
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domingo, 14 de junho de 2009

Um comentário :

Nosso Medo e Nossa Fé


“A única coisa de que devemos ter medo é do próprio medo”
(Josué de Castro)


Sempre fui muito curioso quanto a entender o ser humano. Os porquês que se acendem em minha mente não se referem ao surgimento do Universo, nem ao seu fim, quanto menos ao objetivo que o homem tem ou terá, se vive e viverá em outros mundos ou outras vidas; mas sempre me tocou quão intrigante é esta máquina tão complexa, com inúmeras particularidades, capaz de tantas descobertas e realizações, mas que carrega em si tantas dúvidas e mistérios a respeito do seu próprio ‘eu’.

Portador de inúmeras emoções, o ser humano possui uma, tão primitiva quanto interna que o faz acuar: o medo. Sabe-se, conforme nossa psicologia, que o medo é experimentado normalmente em face de uma ameaça, quando o perigo se faz presente. E recentemente, com tantos acontecimentos que tomaram proporções gigantescas na mídia como um todo, aquelas indagações referentes ao ser humano pulsaram com mais vigor em meus pensamentos.

Quando surgiu, há alguns meses, o surto da Influenza no México, a famigerada Gripe Suína, o mundo todo se viu tomado de medo de uma epidemia que evoluiria para uma pandemia, que poderia tomar proporções da Gripe Espanhola e dizimar grande parte da população mundial. Tentou-se evitar o pânico, mas não foi possível evitar na maioria dos seres humanos o medo. Medo de contrair a doença. Por quê? Por que o ser humano tem medo de morrer, se apavora perante a morte de seu corpo. E aí chegamos a um ponto chave de tantas reflexões.

É natural do ser criado ver-se acuado perante o desconhecido, logo que segundo a ciência, ao medo normal o homem é, muitas vezes, inadaptável. Não é necessário entrarmos nas propriedades do medo, como as fobias, o medo neurótico, mas somente o medo real, normal, distinguidos pela psicanálise. Então nos perguntamos: porque o ser humano teme tanto a morte? E essa pergunta desafiadora é um tanto quanto simples - quando não há exceções patológicas - de se responder: o ser humano teme a morte porque não vive plenamente o presente, sem fortalecer o suficiente ou nada fortalecendo sua fé, e se não há fé, força motriz, há medo.

O ser humano é tomado pelo medo de tantas coisas porque teme a morte. Ora, este é nosso fim último, o inevitável, aquele mistério que um dia a todos revelará sua face. Porque então temer aquilo que é certo que um dia acontecerá?

Jesus Cristo percebeu em seus discípulos o medo da morte quando uma tempestade afligia o barco em que estavam e repreendeu-os: “Por que tendes medo assim? Ainda não tendes fé?” (Mc 4, 40).

O ser humano tem medo, pois teme o fim. Contudo, se eles vivessem, se nós vivêssemos as virtudes, a morte, este destino prefixado chegaria nobremente e a contemplaríamos sem medo algum, pois estaríamos certos da Vida Eterna, afinal, “que outro fim temos nós senão o se conseguir o reino que não tem fim?” (Sto. Agostinho, De Civitate Dei).

Outro caso, com o perdão da expressão, no mínimo curioso, é o da queda do AirBus da Air France no Oceano Atlântico. Após essa lamentável tragédia onde todos morreram, surgiu a pergunta: Você tem medo de andar de avião? E o medo em muitos aumentou. Revelou-se o medo da morte. E isto quase me levou a crer que o medo maior, o de morrer, dos quais derivam os outros medos, parece inerente à espécie humana. Todavia, lembro-me do dito popular: ‘Ninguém morre de véspera’, e a esta afirmação popular vem de encontro à divina: “Não temas a sentença da morte, lembra-te dos que te precederam e dos que te seguirão. É uma sentença do Senhor para toda a carne: porque recusares a vontade do Altíssimo?” (Eclo 41, 3-4).

Há também, e não podemos esconder o medo do sofrimento, o medo da dor, o medo da fome. Nestes casos, mais uma vez, não devemos aceitar o medo, pois assim seremos covardes, mas devemos enfrentá-lo, sendo corajosos para ir ao encontro do que sofre e alivia-lo; vencer o medo para socorrer o que padece e ajuda-lo; superar o medo para alimentar o que tem fome e sacia-lo. Por medo, o homem não pode se omitir diante das dificuldades. Quem enfrenta estes males terrenos, com amor, enfrentará da mesma forma a morte e não a temerá, pois do outro lado encontrará o Eterno.

E o medo poderia render tantas outras páginas, a morte muitos outros tratados e a fé muitas outras sumas. Mas concluo unindo-me à voz do mestre Agostinho na afirmação de que é necessário “temer a alma sua própria morte e não a morte do corpo”.

O Arcebispo Emérito de Milão, Cardeal Carlo Martini, afirma em seu livro (Diálogos Noturnos em Jerusalém) lançado recentemente, que se preocupa quando as pessoas não pensam e se deixam levar. Para ele, “quem reflete segue em frente”. Por isso aqui escrevo, desejando seguir em frente nesse mundo que não pára de girar, com muitos outros que sei, me acompanharão nessa caminhada, temente somente a Deus, superando obstáculos e enfrentando gripes, aviões, oceanos... a escuridão deste exílio para encontrar a Luz da liberdade Celeste, na firme confiança nas palavras do Messias: “Não tenhais medo, pequenino rebanho, pois foi do agrado do vosso Pai dar-vos o Reino” (Lc 12, 32).

E o medo, ah, este fortalece minha fé e, junto com o Apóstolo dos Gentios, exclamo: oh morte, onde está sua vitória? Para mim, viver é Cristo. Morrer é Lucro (cf. 1Cor 15, 55 e Fl 1, 22).

“É valiosa ao Senhor a morte de seus fiéis” (Sl 116, 15).
Dado em Cornélio Procópio (PR), dia onze de junho, quinta feira, Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, do Ano do Senhor de dois mil e nove, 152° dia de nosso noviciado.

Edvaldo Betioli Filho
Noviço da Sociedade do Apostolado Católico
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domingo, 10 de maio de 2009

Um comentário :

Dedico estas singelas linhas à minha mãe.
A ela, que me ensina mais do que cem professores!
A ela, que me compreende até quando não falo!
A ela, que me dá o mais precioso dos presentes: o amor!
A ela... Feliz dia das Mães!


“Vou pronunciar o teu nome quando estiver sozinho, sentado entre as sombras dos meus pensamentos silenciosos. Vou pronunciá-lo sem palavras e sem motivo. Sou como uma criança que chama cem vezes por sua mãe, alegre de apenas de poder pronunciar ‘mãe’”.
(Rabindranath Tagore)

O menino e a mulher


Fazia frio naquela que era uma das primeiras noites de maio. Frio que era capaz de matar, homens e desejos. Contudo, existiam dois corações que teimavam, insistiam, em permanecer dentro de si aceso o fogo da esperança.

Comecemos observando aquela ponte, no centro daquela grande metrópole, que havia se tornado o abrigo de seres que para muitos tinham perdido a dignidade. Muitos ali viviam quase como ratos, padecendo como seres humanos. Naquele lugar, onde o maior amparo era a marquise e o maior alento os pedaços de papelão que tentavam isolar as correntes de vento, viviam pessoas de carne e fome, osso e frio, com um passado esquecido e um presente jamais contemplado.

Um pouco menos de uma dezena de indivíduos vivia ali, entre eles, o menino. Sem nome para nós, nome que não importava para ele. Simplesmente o menino. Sua idade também era desconhecida, talvez uma década de vida, anos de puro padecimento que ainda assim não tiravam o brilho de seus olhos.

Vivia ali não por escolha, mas por necessidade. Abandonado quando pequenino, não conheceu quem lhe dera a vida, lembrava-se apenas da namorada daquele que dizia ser seu pai. Nunca compreendera o significado da palavra pai ou mãe. Para ele, tudo isso era invenção daqueles branquinhos de olhos azuis e cabelos penteados que via dentro dos carros que passavam naquela avenida.

Cresceu mais na rua que em casa. Casa, aliás, que não poderia denominá-la de lar. Lá ele viva sob os açoites daquele que há pouco tempo viu estendido no chão, com uma bala que tomou sua cabeça por alvo, simplesmente por não ter pagado algumas poucas pedras dos homens lá do alto do morro. Observou o sangue escorrer, o liquido escarlate derramar-se por sobre seus pés, mas não sentiu lágrima alguma escorrer em sua face. E não sentia necessidade de chorar, tudo continuaria, afinal, igual. Para o menino, a rua permaneceria como morada, a esmola como consolo, a fome como companheira, o escárnio como amigo.

A vida do menino teria tudo para ser mais uma entre várias que acabariam em uma Febem da vida. Inevitavelmente ele, segundo o determinismo, em algum instante infeliz, cometeria um delito, seja ele qual fosse. Seria costumeiramente machucado e sua vida continuaria a mesma, assombrada por um futuro onde a única perspectiva era o fim.

O menino não tinha estudo, estava ele nos índices de crianças fora da escola, que ainda era grande. Mal sabia escrever seu nome e quase não podia ler, o que fazia gaguejando. Mas naquele dia em que o lusco-fusco já cobria todo o céu, ele voltava para seu viaduto, pensando em um anúncio, que com dificuldade lera estampado em uma grande loja de departamentos: Promoção Dia das Mães. Ora, pensou ele, como seria esse tal de dia das mães? Como seria, ao menos, ter uma mãe? Ou o que significa, realmente, mãe?

Ele de veras não sabia e cabisbaixo indagava-se de tudo isso na sua pequena ignorância. Se um dia pudesse conhecer o significado da palavra mãe... Deveria ser algo verdadeiramente importante, pois aquele anúncio de loja era decorado com um enorme coração e dentro dele, uma mulher que sorria ao ser abraçada por duas crianças. Ainda que renegado, o menino tinha consciência de que todos esses símbolos que latejavam agora em sua mente significavam outra coisa que ele nunca sentira na pele, mas que sempre ouvira dizer que existia: o amor.

Ele estava abalado por esses pensamentos tão adultos para uma criança que decidiu não mais quedar-se naquele lugar onde já se reuniam seus companheiros, mas quis voltar àquela loja que ficaria de portas abertas até mais tarde por causa dessa data comercial que se aproximava. Lá chegou e em frente de sua vitrine sentou. Vislumbrava aquela cena e imaginava-se no lugar daquelas crianças. Em seus devaneios de infante ele realizaria seus sonhos, sem sair daquele lugar.

Naquele mesmo dia, naquela mesma metrópole, naquela mesma loja trabalhava a mulher. Seu nome também não nos importa, simplesmente a mulher. Tinha um trabalho bom naquele comércio, num lar aconchegante vivia sozinha, sem marido ou filhos, sem pais ou irmãos. Já tinha certa idade, que também pouco nos interessa. Era solteira, os pais que ela muito amava morreram cedo e sem parentes próximos, desde cedo trabalhou para seu sustento. Hoje, quando a meia-idade batia à sua porta, sentia falta de transmitir o afeto que recebera de sua mãe.

A mulher também foi tocada por aquele anúncio publicitário que estava decorando a sua vitrine. Que belo sorriso que aquela mulher portava, sorriso decorrente do abraço dos filhos. Filhos... Como seria ter um filho, uma cria, um rebento, um ser que em seu ventre seria gerado? Mas a vida, pensava ela, não lhe dera essa felicidade. Devia contentar-se com sua solitária existência.

Naquele gélido início de noite, a mulher foi tocada pelo crepúsculo que tomava conta do céu. Que espetáculo da natureza, pensou ela, como nunca pode perceber isso? Como tinha sido insensível! E saindo do lugar onde estava, dirigiu-se decididamente até a porta do estabelecimento para observar aquele céu entre os prédios que pareciam querer alcançá-lo.

E aquele céu que se figurava incandescente não conseguiu prender mais sua atenção a partir do momento que de canto de olho viu uma criança, miúda, insegura, sentada na calçada observando aquele anúncio que ela também há poucas horas dispensara sua atenção.

Ao ver o menino, em farrapos, tremendo de frio, desamparado, com os olhos vidrados naquela cena publicitária, encheu-se de um sentimento inexplicável para ela, mas que conhecemos por compaixão. E tomada por essa força, comovida, a primeira atitude que teve foi tirar seu casaco e pôr sobre as costas do menino. No mesmo instante, ele pareceu despertar de uma hipnose. Seus olhos voltaram para os olhos da mulher, que estavam marejados e ele, inesperadamente, pôs-se em pranto também. A mulher e o menino, sem cerimônia alguma, mas com candura, se abraçaram. Como a mãe que ele nunca tivera. Como o filho que ela nunca possuíra. E o céu, que deixava sua paleta de cores de lado para cobrir-se com a escuridão fazia-se de deleitável pano de fundo.

Ela nunca tivera a oportunidade de ter uma criança em seus braços, não sabia o que era ser mãe. Mas tomou-o para si, afinal, toda mulher, no âmago de sua alma, é mãe. Pois sabe amar, sabe dispensar carinho, sabe acolher, sabe afagar. Mesmo que todo o amor seja destinado para alguém que não saiu de seu ventre. Mãe adotiva, por causa justa. Não tinha sido mãe no princípio, mas agora seria, afinal, maternidade é irreprimível. Maternidade não tem fronteiras, não tem cor, não tem preferência, não tem distinção. São criaturas divinas, reflexos do Amor Maior. Bastam a si mesmas. Tem por bandeira o amor. Por devoção a esperança. E exalam o perfume da paz. Ainda que embalem uma criança, que corrijam um jovem, que caminhem com um adulto, que zelem por um idoso, que velem por um ancião. Toda mulher é mãe.

E ele, nunca tivera oportunidade de ser amado. Era o reflexo da situação do mundo. Ele estava sedento por amor. E como filho, acolheu tudo o que ela pode conceder-lhe. Soube retribuir. Soube agradecer. E agradeceria pelo resto de sua vida. Como soldado que ferido na guerra vê socorro próximo de sua chaga, ele via chegando socorro à sua fraqueza o amor da mulher. Agora o amor de sua mãe.

Então voltemos ao início.
Fazia frio naquela que era uma das primeiras noites de maio. Frio que era capaz de matar, homens e desejos. Contudo, existiam dois corações que teimavam, insistiam, em permanecer dentro de si aceso o fogo da esperança. Esses corações poderiam ser de uma gama de pessoas, mas aqui eram do menino e da mulher.
O menino que era agora o filho.
A mulher que era agora a mãe.
Por amor.



“Quem é bom, tem coração de mulher. Quem ama, tem coração de mãe”(Pe. Gambi)
Dado em Cornélio Procópio (PR), aos dez de maio, sexto domingo da Páscoa, dia das Mães, do Ano do Senhor de 2009.120° dia de nosso noviciado.


Noviço Edvaldo Betioli Filho



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domingo, 12 de abril de 2009

Iluminada Páscoa

Um comentário :


Páscoa não é somente hoje, nem tão pouco amanhã...
Páscoa é todo dia em que se decide abandonar o que não é da Luz e se apegar a Ela e com Ela viver plenamente!


FELIZ E ILUMINADA PÁSCOA!
O Senhor Ressuscitou! Aleluia, Aleluia!!
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domingo, 29 de março de 2009

Atualizando...

2 comentários :

O Real, o Relativo e a Doutrina.


"O Que é mais grave: relativizar o Absoluto ou absolutizar o relativo?"
Dom Hélder Câmara


Era uma vez uma criança de nove anos, que abusada sexualmente pelo nefasto padrasto, engravidou de gêmeos. Então alguns médicos resolveram por interromper a gravidez da pequena inocente, alegando risco de vida para a criança que carregava dois fetos em seu ventre. Surgiu então um arcebispo, que anunciou a excomunhão da equipe médica que assistia a menina e de sua mãe, que permitiu a decisão abortiva.

Eis que este acontecimento foi parar na boca de cada brasileiro, rodando não só por aqui, mas também pelo mundo afora. Tornou-se tema de debates. Cada um sentiu-se no dever de dar sua opinião (inclusive eu, que aqui o faço).

Todos se tornaram donos da razão quando o assunto era o aborto seguido de excomunhão em Recife. Choveram artigos em jornais e revistas. E a maioria destes fazia da Igreja o alvo principal, tratando esta Instituição como a ‘Geni’ da vez. Inclusive o presidente da república, que de chefe político também se tornou agora chefe moral da nação, exclamou em alto e bom som que a Medicina acertou e a Igreja Católica errou. Tudo foi dito. Pouco foi fundamentado. Criticar a Igreja pareceu fácil. Estar junto da Igreja pareceu impossível.

O primeiro erro, logo após o pronunciamento de Dom José Sobrinho sobre a excomunhão, foi terem insistido as críticas que o Estado é laico, ou seja, não religioso, e, portanto a Igreja deveria respeitar esta laicidade e não opinar na decisão da equipe médica. De fato, o Estado é laico, mas se comprometeu, em todas as Constituições desde a Proclamação da República, a respeitar a liberdade de crença e culto (cf. Artigo 5°, VI).

E a doutrina da Igreja Católica é clara. O catolicismo tem uma visão, do homem e da sociedade, apoiada nos Textos Bíblicos, na Literatura Patrística – dos Padres da Igreja, e no próprio percurso de sua história, ainda que acidentado, ao longo de seus dois mil anos de Tradição.

Destes três aspectos - Sagradas Escrituras, Magistério e Tradição - é fruto o Código de Direito Canônico, que no Cânon (Artigo) 1398 afirma: “Quem provoca aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão latae sententiae”. Ou seja, quem provoca o aborto recebe excomunhão automática, sem que haja a necessidade de alguma voz eclesial proferir a punição. Talvez o único erro da Igreja tenha sido cometido pelo arcebispo de Recife quando foi precipitado demais ao sentenciar os médicos e a mãe da menina, quando o Direito Canônico já dizia tudo.

Seguir a Igreja Católica implica submeter-se a uma doutrina, a um conjunto de idéias fundamentadas e definitivas. Seguir e praticar. Por isso, não compreendi tanto rebuliço em torno desta excomunhão, pois uma excomunhão só diz respeito ao católico romano praticante, que aceita livremente o núcleo de sua doutrina, ainda que essa doutrina discorde da corrente de idéias de determinadas épocas.

Outro fato que me causa espanto é ver tantos ateus criticarem a Igreja. Se são eles os não-crentes, para que interferirem na doutrina dos que creem? Ignorância ou carência? Mas o pior de ver ateus e a toas vociferando contra a Igreja é ver os próprios filhos apedrejando a Mãe. O católico verdadeiro não teme ser chamado de retrógrado pela sociedade e defende as posições da Instituição a qual desejou seguir. Insistindo em uma comparação um tanto quanto forçada, é como aquela máxima de antigamente: Ame-a ou deixe-a.
Tornou-se necessário ser radical sem converter-se em um xiita. A sociedade propõe que tudo é relativo. Por isso chovem críticas sobre a Igreja. Porque ela é contra a ditadura do relativismo, uma doutrina que não admite a existência de princípios nem de valores absolutos. A Igreja possui uma identidade, e está de pé há dois mil anos porque mantém esta identidade viva, identidade que não mudará seus dogmas, inclusive o de que a vida é sagrada e a família é a base de tudo.

Outra questão incabível que li em diversos artigos é de que o Arcebispo de Recife, ao proferir a excomunhão, estaria condenando os excomungados ao inferno. Mentira. Dom José Sobrinho não condenou ninguém ao inferno. Nem o colégio episcopal, nem o papa têm poder de condenar quem quer que seja ao inferno. É uma atribuição somente de Deus. “Porquanto todos nós teremos de comparecer manifestamente perante o tribunal de Cristo, a fim de que cada um receba a retribuição do que tiver feito durante a sua vida no corpo, seja para o bem, seja para o mal” (2Cor 5, 10).

Mais um fato infundado que foi proferido por aí afirmava que a Igreja acobertava o estuprador, não impondo a ele a pena da excomunhão. De fato, o estuprador, que cometera grave pecado, não fora excomungado, pois nas leis da Igreja não existe crime mais grave que a morte. Entretanto, o padrasto que abusava da criança receberá também sua punição. A Justiça dos Togados está sendo feita já nesta terra, e a Justiça Divina também será feita. “E aquele que receber uma criança como esta por causa do meu nome, recebe a mim. Caso alguém escandalize um destes pequeninos que creem em mim, melhor será que lhe pendurem ao pescoço uma pesada mó e seja precipitado nas profundezas do mar. Ai do mundo por causa dos escândalos! Ai do homem pelo qual o escândalo vem. Não desprezeis nenhum destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus veem continuamente a face do meu Pai que está nos céus” (Mateus 18, 5-6.10-11).

Devemos reconhecer, enfim, que Dom José não deu opinião própria, nem falou absurdo algum, apenas foi transparente, afirmando a posição oficial da Igreja. Se médicos, jornalistas e presidente da república, ditos católicos, ficaram revoltados com a Igreja, isso mostra a incoerência em que vivem.

O mundo está contestando os valores. Está atribuindo um valor meramente relativo às circunstâncias de tempo ou lugar, a uma época ou cultura. Os 50 milhões de abortos praticados por ano em todo o Mundo, oito vezes mais que as vítimas do Holocausto, passam despercebidos aos olhos da sociedade. Para a Igreja, o aborto não é direito, mas homicídio.

A realidade é diferente da ficção. No ficcionismo nós podemos manipular pessoas, transformar realidades, permutarmos cenários e ainda assim, as consequências serão algumas outras linhas onde desenrolaremos a história para que se chegue a um coerente fim. No real não se tem rascunhos. O real, a vida real, faz com que tenhamos a obrigação de viver coerentemente, para que os resultados de nossas ações não se tornem uma bomba auto-explosiva. São-nos propostos caminhos (Cf. Dt 30, 19). Alguns tomam um e seguem-no. Nós, verdadeiros católicos, seguimos nossa doutrina, deixando todo o relativismo de lado, defendendo nosso catecismo, buscando viver a realidade como Cristo nos ensinou: “Eu vim para que todos tenham vida, e vida em plenitude”.


Dado em Cornélio Procópio (PR), dia vinte e nove de março, Quinto Domingo da Quaresma do Ano do Senhor de 2009, septuagésimo sexto dia de nosso noviciado.



Edvaldo Betioli Filho
Noviço Palotino
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domingo, 1 de março de 2009

Entenda o Sentindo da Quaresma

Um comentário :
VIVENDO A QUARESMA

“Em nome de Cristo, suplicamos: reconciliem-se com Deus. Aquele que nada tinha a ver com o pecado, Deus o fez pecado por causa de nós, a fim de que por meio dele sejamos reabilitados por Deus. Visto que somos colaboradores de Deus, nós exortamos vocês para que não recebam a graça de Deus em vão. Pois Deus diz na Escritura: ‘Eu escutei você no tempo favorável, e no dia da salvação vim em seu auxílio’. É agora o momento favorável. É agora o dia da salvação” (2Coríntios 5, 20-6, 2).

O que é a Quaresma?
Do latim quadragesima, é o período de quarenta dias - da Quarta-feira de Cinzas até a Quinta-feira Santa - que antecedem a festa ápice do Cristianismo: A Ressurreição de Jesus Cristo.

Qual seu sentido?
É o período de preparação para a Páscoa, reservado para a reflexão, a conversão espiritual. O católico deve aproximar-se de Deus visando seu crescimento espiritual. É um momento voltado à reflexão, onde cristãos se recolhem em oração e penitência para preparar o espírito para a acolhida do Cristo Vivo.
A Quaresma não tem sentido isolada da Páscoa. Na caminhada quaresmal não vamos ao encontro do nada ou da morte, mas caminhamos para a ressurreição do Senhor e nossa. Quaresma é, portanto, tempo de conversão e reconciliação com Deus e com as pessoas.
“Rasguem o coração, e não as roupas! Voltem para Javé, o Deus de vocês, pois ele é piedade e compaixão, lento para a cólera e cheio de amor...” (Joel 2, 13).

Qual a origem da Quaresma?
As origens da Quaresma são antigas. Já no século IV se fala de quarentena penitencial. Antes disso, nos séculos II e III, costumava-se fazer alguns dias de jejum em preparação da Páscoa.

Qual o significado dos 40 dias?
O Número 40 é simbólico. Na Bíblia o número quatro simboliza o universo material. Os zeros que o seguem significam o tempo de nossa vida na terra, suas provações e dificuldades. A duração da Quaresma está baseada no símbolo deste número na Bíblia: Quarenta dias do dilúvio, quarenta anos de peregrinação do povo judeu, quarenta dias de Moisés e Elias na montanha, quarenta dias de Jesus jejuando no deserto, entre outros. Esses períodos vêm antes de fatos importantes e mostram a necessidade de ir criando um clima adequado e dirigindo nosso coração para o que há de vir.

O que fazer no tempo da Quaresma?
A Igreja propõe, por meio do Evangelho, três grandes linhas de ação: oração, penitência e a caridade. Não somente durante a Quaresma, mas em toda a sua vida, o cristão deve buscar o Reino de Deus.

Quantos domingos tem a Quaresma?
A Quaresma possui cinco domingos, mais o Domingo de Ramos - início da Semana Santa. Durante toda a Quaresma a cor litúrgica é o roxo, um convite à conversão, à penitência e à fraternidade.

Por que não se canta o Aleluia?
O clima de Quaresma deve transparecer também na ausência do Aleluia e do Glória. Aleluia significa “Louvai Javé”, e é aclamação marcada pela alegria e pela festa. O Clima da Quaresma não combina com isso, pois não é tempo de festa. O Aleluia será uma explosão de alegria na Vigília Pascal. Também o Glória é omitido pelos mesmos motivos.

O que é a Via-Sacra e quando surgiu?
Nas quartas e sextas-feiras da Quaresma costuma-se fazer a Via-Sacra. A palavra significa “caminho sagrado”, e segue os passos de Jesus rumo à cruz. É um ato de piedade que se reza e se medita sobre 14 episódios da dolorosa sexta-feira santa. Tem início na primeira estação, onde Jesus é condenado à morte, até o sepultamento de Jesus. Ultimamente acrescentou-se a 15ª edição – a ressurreição de Jesus, pois a morte não o venceu ou derrotou.
A prática de percorrer esse “caminho sagrado” é antiga. Fala-se dela no século IV e pelo que tudo indica, nasceu em Jerusalém. A partir do século XVII, as estações foram fixadas em 14.

O que acontece se Solenidades caem em um domingo da Quaresma?
Tomemos por referência a Festa de São José, dia 19 de março. A Norma estabelece que festas não prevalecem sobre os mistérios da nossa redenção. Portanto, quando 19 de março for um domingo da Quaresma, a solenidade de São José é transferida e celebrada no dia seguinte, segunda-feira.

O que é a Campanha da Fraternidade?
A caminhada da Quaresma é acompanhada pela realização da Campanha da Fraternidade – a maior campanha da solidariedade do mundo Cristão. Cada ano é contemplado um tema urgente e necessário. É uma atividade ampla de evangelização que ajuda os cristãos e as pessoas de boa vontade a concretizarem na prática a transformação da sociedade a partir de um problema específico. É um sinal altamente positivo para chamar a atenção, denunciar, convocar à conversão e suscitar gestos concretos.

Quais os objetivos da Campanha da Fraternidade?
Seus objetivos permanentes são: despertar o espírito comunitário e cristão no povo de Deus, comprometendo, em particular, os cristãos na busca do bem comum; educar para a vida em fraternidade; renovar a consciência da responsabilidade de todos na promoção humana, em vista de uma sociedade mais justa e solidária.

Como começou a Campanha da Fraternidade?
O projeto de uma campanha de fraternidade que já existia regionalmente em Natal, no Rio Grande do Norte desde 1961, tornou-se nacional pela CNBB no dia 26 de dezembro de 1963 com uma resolução do Concílio Vaticano II. O Projeto realizou-se na Quaresma de 1964. Neste ano, aconteceu a primeira Campanha da Fraternidade com o Tema: “Igreja em Renovação”, e o lema: “Lembre-se que você também é Igreja”.

O que contempla a Campanha da Fraternidade deste ano?
A Campanha da Fraternidade 2009 tem por tema: Fraternidade e Segurança Pública, e lema: “A paz é fruto da justiça” (Is 32, 17). Segundo os bispos, o objetivo central desta Campanha é “suscitar o debate sobre a segurança pública e contribuir para a promoção da cultura da paz nas pessoas, na família, na comunidade e na sociedade, a fim de que todos se empenhem efetivamente na construção da justiça social que seja garantia de segurança para todos” (CNBB, Texto-Base, n° 4).

O que é a CNBB?
A CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – é a instituição permanente que congrega os Bispos da Igreja Católica no País. Foi fundada de 14 a 17 de outubro de 1952 por Dom Hélder Câmara e Dom Eugênio Araújo Sales. Com o clima criado pelo Concílio Vaticano II, estimulou-se a reestruturação da CNBB, promovendo a colegialidade entre os bispos.
Todo ano, desde 1964, a CNBB promove a Campanha da Fraternidade, escolhendo temas que são sempre aspectos da realidade social, econômica e política do país.
Desta forma, a CNBB, sendo a Igreja no Brasil, celebra a Quaresma em preparação à Páscoa com a Campanha da Fraternidade, dando ao tempo quaresmal uma dimensão histórica, humana, encarnada e principalmente comprometida com as questões específicas de nosso povo, como atividade essencial ligada à Páscoa do Senhor.
Sem a CNBB, a história do Brasil teria sido escrita de forma bem diferente. Comprometida com a liberdade e a justiça, sempre se colocou ao lado dos oprimidos, chamando a atenção da sociedade e do governo para a realidade do País.

Organizado por:
Nov. Edvaldo Betioli Filho
A.D. 2009
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