domingo, 24 de julho de 2011

Harry Potter e as Relíquias da Morte

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O QUE DEIXA HARRY POTTER

A tão famosa saga do bruxo de cicatriz na testa teve as portas de seu fim abertas este mês nos cinemas. Embora muitos já conhecessem a conclusão da trama através dos sete livros escritos pela inglesa J. K. Rowling, foi para todos um grande acontecimento a estréia do oitavo e último filme gravado pela Warner. E como foi em todos os capítulos anteriores, Harry Potter e as Relíquias da Morte 2 arrastou multidões para as salas de cinema de todo mundo.

A octologia cinematográfica é um marco na história do cinema e não somente isso, mas também representa uma geração de crianças – hoje jovens e adultos - que cresceu com o bruxo nestes sete anos de história e onze de cinema. Portanto, não é possível falar da história ‘potteriana’ sem algumas gotas de saudosismo e emoção. Como algo que faz parte da vida a alegria do fim é tão maior que a do princípio que ao ouvir as notas do “Tema de Edwiges” – a característica música - já não aguardamos o início de mais um filme, mas o retorno de um amigo, o reencontro de sentimentos, e a visão de si próprio, com os conflitos inerentes ao crescimento de um adolescente, na tela. Questão de identificação.

Harry Potter parte, ainda que eternizado nas páginas e nos discos, deixando para todos – fãs ou não – uma série de lições, e boas. Como sabemos, desde o lançamento do primeiro livro, a série recebeu críticas de todas as dimensões, a maioria de caráter negativo, sobretudo por ser uma trama onde o assunto principal era a bruxaria, com feitiços, azarações, fantasmas, lutas, duelos e mortes. Mas eram poucos os que se esforçavam para ver a mensagem benéfica que o primeiro e todos os outros livros – bem como os filmes - trouxeram aos espectadores.

Em primeiro lugar, a série literária ‘Harry Potter’ é uma ficção e não tinha qualquer compromisso de traduzir em suas páginas a realidade como ela é. Deixa-se levar pela fantasia, por aquilo que sabemos não existir, mas repleta de humanidades, daquilo que é próprio do homem. Talvez por isso tenha atraído tantos olhos: misturar realidade e imaginação, um misto de desejo de dar um passo maior que o sensível, além da escrita de Rowling, que é simples, de fácil compreensão, narrando a vida de um menino órfão cujos pais foram mortos pelo maior símbolo do mal, o qual também quer aniquilá-lo.

É assim que se iniciam as lições de Harry Potter: a eterna luta entre o bem e o mal. E dessa forma acontecerá o desenrolar da trama. Para aqueles que conhecem a história mais explicações são desnecessárias, e os que ainda não conhecem fica a instigação.

A superação do garoto é digna de nota. Assim também como a amizade: encontrar amigos, confiar, cultivar. O companheirismo do trio protagonista demonstra, entre risos e discussões, o valor da amizade e como, com ela, pode-se chegar mais longe em mundo como o nosso, na real corrida individual pelo poder em cima do outro.

Também deixa lições de coragem: não temer o mal, mas lutar contra ele e nessa luta ser perseverante. E sempre o mal foi combatido pelos bons, a ponto de, no último livro, haver um mar de mortos, todos pela vida de Harry e pela destruição de Voldemort. Não temer a morte quando se sabe que a causa é justa e boa, digna de ser oblação até o sangue derramado. É lição para hoje quando tantos se perdem por não encontrarem um sentido, por não acharem razões para viver.

Não passa em branco a perseverança, a alegria, o saber conviver com as diferenças e o suportar quando não se consegue amar. E por fim a maior de todas as lições que Harry Potter deixa, depois de tantos anos, é o amor. Sua mãe deu a vida pelo menino, e por causa de seu amor ele não padeceu. Por amor ele viveu e pelo amor que corria em suas veias destruiu Voldemort. Sem contar o amor de Snape por Lilian, amor que transforma qualquer pessoa. Podemos exemplificar, pois muitas outras são as lições para a vida, resumindo em uma frase – entre tantas célebres – de Alvo Dumbledore: “Não tenha piedade dos mortos, Harry. Tenha piedade dos vivos e, acima de tudo, dos que vivem sem amor.”

Sim, Harry Potter pode parecer mais uma história açucarada, infantil, jogada de marketing. Mas não deixa de ser séria para quem assim a encará-la. Tem um final feliz, e isso pode desagradar a muitos, mas qual o nosso desejo se não de que também nossa vida tenha um feliz findar?

Que varinhas mágicas se tornem mãos estendidas pela caridade; que feitiços se tornem palavras de consolo e edificação; que dragões se transformem em forças pela mudança; que maldições sejam convertidas em bênçãos. Que o ódio da vingança seja transfigurado pela mágica mais do que real do amor.

Tudo depende das coisas simples, desde a simplicidade de uma gentileza até a suavidade das palavras. É a simplicidade que faz a vida valer a pena, sem a necessidade de complicações, mas apenas dar um novo sentido a tudo através do amor. Como disse Dumbledore em outra ocasião: quando tudo estiver envolto em trevas, basta acender a luz. É isso. Difícil e fácil, sim, talvez mais simples que atravessar a Plataforma 9 ¾.

Termina com méritos a série Harry Potter. Merece aplausos. Fica pra História.

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sábado, 23 de julho de 2011

Borrões sobre o que chamam de filosofia

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O escrito abaixo publicado é fruto de estudos e não reflete a moral do autor, apenas pontos destacados e relacionados entre a filosofia de Condillac e o mundo contemporâneo.


O pensamento de Condillac e os costumes contemporâneos

A Idade Moderna representa para a Filosofia um importantíssimo marco no desenvolvimento do pensamento e do modo de pensar. É a partir da ruptura com a Idade Média e seu teocentrismo sempre baseado na fé e na verdade revelada que se desencadeará uma nova forma de pensar que influenciará todos os anos vindouros, inclusive os atuais, da contemporaneidade. Somos herdeiros da filosofia dos Modernos e o pensamento de hoje é senão desdobramentos da Modernidade e do novo modo de pensar o mundo.

É neste ensejo que queremos analisar a relação entre o pensamento de Étinne Bonnot de Condillac, um dos filósofos de maior destaque do Iluminismo francês, e os costumes adotados pela sociedade contemporânea, sobretudo o modo de pensar e agir das massas humanas que vivem em pleno século XXI. O que aqui apresentamos são apenas escorços – pois não se pode chamar de conclusões um estudo superficial de tão profundo tema – obtidos a partir de reflexões pessoais bem como e, sobretudo, das obtidas em sala de aula.

A filosofia de Condillac segue a linha do inglês Thomas Hobbes. Uma vez podendo ser considerados empiristas quanto à definição da origem do conhecimento e da constituição de ideias, compartilham das mesmas linhas mestras de pensamento. Hobbes definia a sensação como origem de todos os pensamentos, pois os conceitos expressos pelo pensamento são derivados de estímulos externos guardados através da imaginação. Para Hobbes, os conceitos que o homem cria parte do ato de repassar uma sensação e a sensação é importante pois é unidade mínima da máquina humana e gera pensamento.

Da mesma forma que Hobbes, Condillac critica o inatismo das ideias e baseado na filosofia de Locke, avança seu pensamento, tendo como principal ideia a de que todos os conhecimentos e todas as faculdades vêm dos sentidos, ou melhor, das sensações. E para chegar ao tema proposto no início deste texto temos que seguir uma linha de raciocínio, aparentemente lógica, até o prazer como determinante para a ação humana.

Para Condillac, as inquietudes humanas são o princípio de nossas determinações, que por sua vez nos levam ao sensível. As inquietudes possuem fontes diversas, mas podem ser causadas pela privação de um objeto, por exemplo. Essa inquietação causada por uma privação é a própria carência, e desta carência nascem os desejos e desenvolvem faculdades; é da inquietude que nascem todos os hábitos da alma e do corpo.

As sensações são de importância primaz no sistema filosófico de Condillac, e por isso sua filosofia é também chamada de sensual. Podendo ser considerada a pedra angular de seu pensamento, afirma que são as sensações canais pelos quais emanam os sentidos.

O outro fator deste pensamento que dá segmento à mesma linha de raciocínio é que a sensação, quando distribuída em mais de um objeto torna-se atenção. As impressões, quando são de grande número, fazem com que concedamos mais atenção a uma que a outra. Dessa maneira, selecionamos o que nos apraz mais e guardamos esta sensação na memória. À sensação que se tem no momento, Condillac chama de impressão, sensação atual. E às sensações passadas, transformadas, chama de memória.

Os objetos captam de nós a atenção e nos causam impressões pelos sentidos – sensação - e nós estabelecemos relações e comparações entre eles, formando assim ideias e reflexões. Todas as sensações que possuímos posteriormente são derivadas da memória, ou seja, pressupõe que anteriormente tenham existido outras sensações. E se há um arquivamento se sensações, a memória, por consequência existem os pensamentos que mais nos agradam e mais nos levam à felicidade. Ou seja, fazemos uma “seleção”, escolhemos as sensações que contribuem para nossa felicidade e a ela devotamos mais atenção: a isso Condillac chama de desejo.

Não há sensações indiferentes senão por comparação; cada uma é em si mesma agradável ou desagradável: sentir-se e não sentir-se bem ou mal são expressões completamente contraditórias [...] Não saberíamos estar mal, ou menos bem do que havíamos estado, se não comparássemos o estado em que estamos com aqueles pelos quais passamos. [1]

O desejo é movimento da alma rumo àquilo que mais apraz ao sujeito, e do desejo nascerá as paixões, como o amor, o ódio, a esperança, o medo, a vontade. Portanto, tudo aquilo que experimentamos através dos sentidos, mais especificamente das sensações, faz com que permaneçamos com aquilo que mais nos concede prazer. E aqui entra o ponto chave desta presente reflexão: pelos sentidos os objetos causam impressões, a isso se chama atenção; a atenção faz com que se relacionem as sensações, sejam da memória, sejam da sensação atual, que geram ideias, reflexões e desejos. Destarte, o que produz atenção são o prazer e o sofrimento – a intensidade pelo preferido – e isso fará com que essa escolha de permanência daquilo que experimentei conduza inevitavelmente o comportamento do sujeito.

Este era o ponto a que se intentara chegar com estas elucubrações: perceber que o comportamento humano é orientado pelo prazer, ou desprazer, pois é pelas sensações que o homem busca sua felicidade e, mesmo que não tenha ciência disso, sua conservação. O prazer sempre determinará, segundo a filosofia de Condillac, aquilo que o sujeito buscará através de seu desejo: o ser humano almeja o que lhe dá prazer.

Mas pelo que podemos constatar a filosofia de Condillac não ficou restrita somente ao seu tempo, contudo podemos relacioná-la com nosso cotidiano e ver os mais variados modos de viver, os diversos costumes, que se encaixam perfeitamente na teoria condillaquiana, como se as massas de hoje conhecessem o pensamento deste iluminista francês. O fato é que a sociedade, ainda que possa ter se modificado em seus adjetivos, jamais deixou de ser um conjunto de homens movidos pelo prazer, seja no século XVII, XVIII ou XXI

O indivíduo da segunda década do século XXI torna-se ainda mais anódino, pois, além de se encaixar na simples e eficiente explicação de Condillac, é objeto de um imediatismo radical e de um relativismo estéril que, ao apregoar o niilismo, mostra-se acéfalo e sem personalidade própria, mas com uma pseudo-força arraigada não na necessidade derivada de uma empatia, compaixão ou compromisso, mas sim à deriva do prazer imediato.

Hoje é fato, e não há como negar, que a finalidade da vida está nos prazeres individuais e instantâneos. Os costumes - entendam-se aqui como práticas - rumam à confirmação da tese de Condillac: o indivíduo, através da distinção entre sensações positivas ou negativas, escolherá aquilo que lhe é benéfico e lhe dá prazer.

Podemos ilustrar esta teoria com alguns exemplos: a explosão das redes sociais virtuais e o aumento vertiginoso de seu uso é uma prova da ininterrupta busca da satisfação individual, da interação solitária, do prazer na hora determinada pelo gosto e vaidades. Ainda que existam redes de amigos, são elas falsas pela distância e raro encontro físico e reforçam a tese da individualidade. Cada indivíduo, defronte sua máquina, faz-se independente.

O que é a internet se não um exemplo de motor gerador de sensações? Conforme Condillac, as sensações são “nossas maneiras de ser”[2] como então não imaginar algo mais vazio que o indivíduo mergulhado nas sensações provenientes do mundo virtual? Pois não se pode negar: a internet é símbolo do abstrato, de algo que existe no nada, ainda que metafisicamente esta concepção esteja equivocada, coisa que pode desaparecer como se nunca tivesse existido. E assim esfacelam-se as relações pessoais, os compromissos, a cordialidade, o toque físico corpóreo e até mesmo as paixões carnais dos sexos opostos.

Qual outro lúcido exemplo para ilustrar o homem movido pelo prazer se não o também crescente número de seitas neo-pentecostais protestantes bem como de seus adeptos? Ainda que nalgumas vezes não apresentem uma busca desenfreada pelo imediatismo, é uma gritante demonstração do pragmatismo, utilitarismo, da busca do prazer, do aprazimento. Cabe-nos uma interrogação em nível de especulação filosófica – para não recair no juízo temerário: será que as multidões arrastadas por seitas protestantes recém fundadas – leia-se inauguradas – são movidas realmente pelo compromisso com a doutrina de tal organização ou pela lei moral que fundamenta e que rege a instituição, por exemplo? Muito barulho substituiu o silêncio; muitas palavras substituíram a contemplação, o clamor passou a ser exigência: tudo pelo prazer imediato.

Tudo isso é orquestrado por figuras dotadas de uma retórica popularesca, homens que se tingem da figura de pastores, mas que desejam congregar apenas o material e não mais o espiritual. Nestes casos apresenta-se a questão financeira, a busca desenfreada e irracional pelas posses e riquezas, deixando de lado a essência do ser, transfigurando-a. Nestas seitas a religião deixou de ser compromisso para ser realização pessoal, perdendo o caráter de mistério para ser uma desnudada realidade pragmática, onde o livro sagrado é o livro-caixa, e o mandamento maior é o prazer pessoal.

Estes dois exemplos querem dizer uma só coisa: na medida em que o prazer determina aquilo que é desejo do indivíduo, formando suas ideias e juízos visualizamos claramente o hedonismo, onde o fim do viver são os prazeres. Ainda que até mesmo os epicuristas tenham apregoado o hedonismo, a vida na constante busca da felicidade, passando por Condillac, que escreve sobre as sensações, os desejos e o prazer, a massa humana de hoje vive alicerçada pelo pensamento hedonista radical, extremado. O homem é conduzido, empurrado, levado pela enxurrada da filosofia do imediatismo e do consumo. Quem não busca a todo tempo o prazer individual está em desvantagem em relação àquele que vive do prazer sensual e é colocado à margem por aqueles que são importantes por viverem para o útil, o prazeroso.

O hedonismo da contemporaneidade, que está impregnado em nossos costumes, é bastante diferente do de Epicuro, pois este procurava, através do prazer, dar sentido à vida na busca da felicidade, fosse a curto ou longo prazo. Já em Condillac, o prazer e o desprazer vão nortear o homem, mantendo a vida entre os extremos. É neste ponto que os dias atuais perdem: vive-se nos extremos, e todo extremo é inconveniente, e o prazer em demasiado acaba tornando-se vício. Por aí caminha a humanidade. Caminha?

Este tema da Filosofia Moderna, mencionado por Locke, Hobbes e mais especificamente por Condillac é, como dito nas primeiras linhas, amplo demais para reduzi-lo em uma breve reflexão. Contudo, esperamos ter conseguido encontrar e manter uma ponte relacional entre o pensamento do francês e a Era Contemporânea, sobretudo os dias em que vivemos. Se Aristóteles considerava o homem um animal político, ousamos dizer que Condillac, dentro da Modernidade, ferrenha racionalista, afirmaria ser o homem um animal sensual ou, após isto, um animal passional. E o homem de hoje, como definiríamos? Esta dúvida é plausível diante do nada Contemporâneo.



[1] CONDILLAC, E. B. Resumo Selecionado do Tratado das Sensações. Coleção Os Pensadores, p. 50.

[2] Idem, p. 53

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sexta-feira, 15 de julho de 2011

A Atualidade da Família

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Os Pinguins do Papai

O cinema sempre foi porta voz do pensamento de uma nação ou a vitrine da situação na qual vive determinado povo e, como toda arte, sempre lançou um grito vindo dos submundos mais obscuros da consciência do artista, ainda que sempre disfarçado com um bocado de pó de arroz.

Na arte da grande tela já vimos Chaplin ironizando o líder nazista com seu bigode avacalhador diante do temor das mordaças das repressões múltiplas. Vimos o homem representar macacos ao tentar estabelecer relações com sua darwiniana desorigem, como também assistimos tantas odisséias no espaço para tentar materializar o sonho da conquista sem fim.

Seja um canto à alegria, seja um retrato da história ou um protesto indignado, haverá sempre – diante do cinema de hoje já sem tanta frequência – uma mensagem a ser transmitida pelo desenrolar do enredo e um espectador que, dotado de emoções, poderá ser influenciado ou não por aquilo que vê.

O fato é que o cinema acabou tornando-se máquina de dinheiro e suas produções querem não mais fazer rir ou chorar a quem assiste, mas encher as salas de cinema e com um forte marketing vender a marca. Não raras vezes ouvimos vozes que desejam rever um Ben Hur, Sinos de Santa Maria, ou Dr. Jivago: talvez esta nostalgia não seja sem fundamento. Ainda assim, nas superficialidades açucaradas de nossos filmes, é possível chegar a algumas conclusões e lições de diversas dimensões.

E foi a uma que cheguei quando terminei de assistir a mais nova estreia de Jim Carrey, Os pinguins do papai. Não tenho por objetivo aqui fazer uma análise crítica do filme, da produção, atores ou trilha sonora, mas sim daquilo que ele apresenta ao público. De cinema entendo coisa nenhuma, mas este filme se esforça por ser atraente e engraçado. Nunca achei graça nas comédias de Carrey, desde o insuportável do “O Máscara”, sempre tão forçadas e previsíveis, contudo, agora ele está visivelmente mais velho e suas piadas continuam insossas – todavia isto é apenas um detalhe de cunho pessoal. Mas o fato ápice destas linhas não é esse, se não a situação da família que o filme apresenta.

Está bem, vou deixar um pouco de meu espírito ranzinza de lado e dizer que o filme é leve, mamão com açúcar, termina com um “e viveram felizes para sempre”, deixando uma lição nas entrelinhas. Mas até chegar ao “The End”, o filme mostrou claramente a calamitosa situação da família: desagregada, esfacelada, quase que inexistente, como se fosse de importância mínima, atrás inclusive de pinguins – se bem que no filme são eles que salvam a família.

De um lado um rico e bem vivido corretor de imóveis. Em um grande e frio apartamento vive sozinho apesar de ter dois filhos. É divorciado e os filhos passam os finais de semana com ele – obrigados, diga-se de passagem. As crianças não chamam o pai de pai, mas pelo sobrenome, precedido por um formal “senhor” (!). O pai não sabe a idade das crianças, bem como não sabe demonstrar-lhes afeto, carinho, tentando substituir isso com presentes.

O dinheiro nunca trouxe-lhes felicidade. E a família – o que é isso mesmo? – some da tela. Até que surge ninguém menos que um pinguim, herança do pai protagonista. E será o pinguim, ou melhor, os pinguins, o ponto de convergência entre o Sr. Popper, seus filhos e sua ex-mulher.

Não importa lembrar o resto do filme, pois a reflexão que fazemos já nos primeiros minutos é mais importante e séria que todo o resto. Já que um dia se perguntaram para onde caminha a humanidade, vale a pena perguntar-se novamente: é necessário agora interrogar-se para onde caminha a família, sustentáculo da sociedade e por sua vez da humanidade.

Não consigo ver um futuro sem família como querem os poderes materialistas e imediatistas. Só há o vazio onde não há o amor próprio dos pais e dos filhos. Há o gelo, o gelo e o nada apregoado pelas filosofias hedonistas, individualistas, onde o eu basta a si mesmo e o mundo ao redor é o inferno.

O filme “Os pinguins do papai” retratou bem como estamos: caminhando para o abismo. Entretanto, só depois de sair do cinema e apertar o botão da curiosidade fiquei sabendo que esta gravação é baseada em um conto infantil da década de 30. Maior não poderia ser minha surpresa! Há tempo estamos vendo a decadência de certos valores – imprescindíveis – e continua-se a confundir, achando que o feio é belo, que o imoral é moral, que o anormal é normal, que o errado é certo.

É como escreveu Pio X em uma de suas sábias encíclicas: precisamos salvar sociedade! E para isso os homens e mulheres que ainda prezam os valores precisam mostrar ao mundo que Deus é presente, está em nosso horizonte e seu amor nos completa, sustenta e movimenta. É preciso mostrar que a inversão de sentido que acontece hoje está errada. Deus fez homem e mulher e exortou-os a, unidos, multiplicarem-se!

Precisamos cada vez mais de apóstolos leigos, de famílias, que expressem a todos a felicidade de cumprir a vontade de Deus, ainda que nas intempéries da vida. Não podemos ter medo de dizer que somos pela união da família, pela fidelidade conjugal, pela união matrimonial de homem e mulher, pelo nascimento de seus filhos! Ainda que sejamos rotulados de retrógrados, é melhor sê-lo nesta situação que progressistas na bancarrota!

Entre claquetes e desabafos, creio piamente que o cinema retrata a sociedade e a nossa ocidental parece em crise. Mas não para aqueles que têm esperança e acreditam na sobrevivência e fortalecimento da família. No fim das contas vale a pena assistir ao filme “Os pinguins do papai” e ver evidenciado os tantos erros do hoje e, tomados de coragem e amor, colaborar na urgente mudança da mentalidade liberal. Ainda que isso pareça ser o nado contra a maré. Mas... Talvez nesta travessia também os pinguins nos ajudem.

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segunda-feira, 11 de julho de 2011

Ordenação Episcopal Dom Julio Endi Akamine, SAC

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ORDENAÇÃO EPISCOPAL
DOM JULIO ENDI AKAMINE, SAC

Aconteceu na tarde do dia 09 de julho a Ordenação Episcopal do Mons. Julio Endi Akamine, SAC, por Dom Odilo Scherer, cardeal arcebispo de São Paulo, na Catedral Metropolitana de São Paulo. Estiveram presentes bispos de diversas localidades, padres, diáconos, seminaristas, religiosos e religiosas. A Basílica ficou repleta de fieis, bem como de representantes de outras denominações religiosas. Também foi marcante a presença da comunidade Nipo-Brasileira, que prestigiou a ordenação do primeiro bispo descendente de japoneses.

A celebração foi marcada pela solenidade e lucidez próprias do eleito. Em sua mensagem, Dom Julio disse que o bispo deve distinguir-se não pelo título, mas pelo serviço, e repetindo seu lema episcopal, afirmou mais uma vez seu desejo de fazersempre o bem, convidando todo o povo a também realizá-lo.

Não passou despercebido de todos aqueles que acompanhavam este importante momento para a Igreja a menção que Dom Julio fez a um dos muitos conselhos recebidos por ele de sua mãe, a Sra. Teruko Oshiro Akamine: “Filho, quanto mais se sobe na árvore, mais fino é o tronco e mais forte são os ventos”.

Temos a certeza que o episcopado de Dom Julio será marcado pelo trabalho e pela simplicidade. Desde a manhã do dia 09 de junho quando chegamos à cidade de São Paulo para a celebração vimos o ordenado sempre solícito com as pessoas, fosse à recepção das excursões, ou nas refeições, e até mesmo na Casa Provincial dos Palotinos, quando ao engraxar seus sapatos, por exemplo.

Dom Julio Endi Akamine, SAC segue a partir de agora seus trabalhos na Região Episcopal Lapa. E com ele seguem nossos agradecimentos por todo o trabalho feito junto dos Palotinos e também nossas orações, pedindo ao Espírito Santo que o ilumine, que seja um solícito e santo pastor!

O Blog Diálogo Vivo alegrou-se na cobertura deste acontecimento, desde a nomeação pelo Papa Bento XVI até a sua ordenação por Dom Odilo Pedro Cardeal Scherer. Continuamos nesta caminhada, acompanhando seu episcopado e também contribuindo com o apostolado pela internet, para que Cristo reine.

BRASÃO EPISCOPAL DE D. JULIO

Descrição heráldica: escudo de blau (azul) com o símbolo da Cruz do Infinito de goles (vermelho), realçado de ouro, chefe de prata com uma roda de goles (vermelho) e brocante sobre a roda um pinheiro araucária arrancado de ouro, cortado de goles (vermelho) com um livro aberto em perspectiva em ponta e em chefe uma lamparina acesa, tudo de ouro. Sobre o escudo um chapéu prelatício com seus cordões, em cada lado, terminados por seis borlas na posição 1, 2 e 3, tudo de ninople (verde). Sob o conjunto, um listel deprata forrado de goles (vermelho) ostenta a divisa “BONUM FACIENTES INFATIGABILES” escrita em letras maiúsculas de sable (preto).Um brasão é como um cartão de visitas: apresenta a pessoa através de símbolos próprios da arte heráldica.

I. ADORNOS
Os adornos externos ao escudo são: o capelo verde (ou chapéu prelatício) com dois cordões de cada lado do escudo e, na ponta de cada um dos cordões, seis borlas. Por trás do escudo fica a cruz hastil. O chapéu prelatício, as cordas e as borlas são símbolos heráldicos clássicos usados por todos os clérigos e significam a sua condição de peregrinos. Nos tempos passados, quando as peregrinações à Terra Santa eram feitas prevalentemente a pé, o chapéu protegia o peregrino do sol escaldante e as cordas prendiam o chapéu à cabeça. Esses objetos do peregrino foram incorporados como símbolos heráldicos dos clérigos. Cada grau hierárquico é identificado por particularidades artísticas: no caso dos bispos, o chapéu, os cordões e as borlas são todos de cor verde; também a quantidade de borlas e suas posições são próprias dos bispos.

II - ESCUDO
O Escudo é o elemento mais importante do brasão episcopal. Tanto as cores quanto os desenhos têm seu significado heráldico próprio e foram inseridos para apresentar, de maneira direta e imediata, os traços característicos do dono do brasão e o que ele, pela graça de Deus, se tornou.

1. O Pinheiro sobreposto ao Círculo vermelho e o Fundo prata (branco)
A cor prata, na arte heráldica, significa pureza, eloquência e temperança. O vermelho é a cor do trabalho, da labuta e lembra o Sangue de Cristo. O Pinheiro, na heráldica, é símbolo da benignidade, cuidado e amparo. É sabido que o Pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia) cresce em meio à floresta densa, sobressai sobre a vegetação e estende seus galhos e sua sombra sobre outras árvores. Como o pinheiro não nega a sua sombra, seus frutos e a sua proteção às outras plantas e animais da mata, assim o ministério episcopal deve ser marcado pela dedicação e pelo desvelo do próximo. Cuidando dos outros e amparando-os, o ministério episcopal busca a perfeição do Pai que faz nascer seu sol sobre bons e maus e chover sobre os justos e injustos (cf. Mt 5,45). A cor dourada do pinheiro significa que tudo deve ser feito com nobreza de sentimentos, com reta e boa intenção (cf. Mt 6, 1-4). O conjunto formado pelo Fundo branco (prata) e pelo Círculo vermelho faz alusão ao Japão, terra de origem dos avós de D. Julio. No Japão, eles tinham lido num panfleto: “No Brasil, há uma árvore com frutos de ouro. Basta estender a mão para colhê-los!”. Aqui, eles não encontraram a riqueza prometida. Encontram, porém, outra árvore: a árvore da cruz e da vida. O que D. Julio é hoje e o que ele é chamado a ser para a Arquidiocese de São Paulo, ele o deve aos cristãos que trouxeram seus avós para a fé.

2. A lamparina acesa e a Bíblia aberta
São símbolos do estudo e do ensino: a lamparina é símbolo da ciência e de quem busca o saber; e a Bíblia aberta, na heráldica, significa erudição e ensino. O conjunto desta partição, em fundo vermelho, representa as atividades em que Dom Julio mais se dedicou e também a missão principal do Bispo que é a pregação da Palavra de Deus. Os símbolos indicam que há uma sagrada circularidade entre o que o Bispo é com os cristãos e o encargo que ele tem frente a eles. “Cada Bispo deve poder repetir como Santo Agostinho: ‘Se se considerar o lugar que ocupamos, somos mestres; mas, pensando no único Mestre, somos condiscípulos vossos na mesma escola’ (...). Aquilo que ouviu e recebeu do coração da Igreja, cada Bispo devolve-o aos seus irmãos, de quem deve cuidar como o Bom Pastor” (Pastores Gregis, 28; 29).

3. Cruz do Infinito em fundo azul
A cor azul significa a justiça e o zelo. Como cor própria dos palotinos, significa também o zelo pela salvação da humanidade e pela propagação da fé. A Cruz do Infinito, em vermelho (sangue de Cristo) e realçado pelo dourado (nobreza), é formada por dois símbolos matemáticos do infinito: “∞” e “8” (infinito em posição vertical). Esse símbolo foi muito usado por S. Vicente Pallotti em suas anotações espirituais para exprimir os dois polos de seu mundo espiritual: Deus Amor Infinito e o seu anelo insaciável de glorificar Deus. Esses dois polos estão separados ontologicamente e, ao mesmo tempo, unidos pela Misericórdia de Deus. Ao enviar o Filho, que se encarnou, e ao derramar o Espírito em nossos corações, Deus transpõe o abismo ontológico que nos separa dele.
A transcendência de Deus se torna proximidade e imanência. Com o dom do Espírito, que clama em nós “Abbá”, somos configurados a Cristo e podemos corresponder à graça de Deus. Por isso o símbolo do infinito em posição vertical indica tanto o movimento descendente da graça de Deus e quanto o ascendente da glorificação dos cristãos. Infinito é Deus, e somente Ele. Mas, ao menos, carregamos dentro de nós algo que é ilimitado por natureza: o desejo. S. Vicente Pallotti suspirou: “Ah, se me fosse concedido amar infinitamente Deus”. Ele tinha consciência de sua finitude ontológica, mas ardia do desejo de corresponder infinitamente a Deus. O símbolo da cruz formado com os dois infinitos é a “invenção” de um Santo que experimentou e viveu intensamente o Amor Infinito-Deus.

III – LISTEL E LEMA
O listel (fita em que se escreve a divisa) contém o lema episcopal: Bonum facientes infatigabiles. Partindo do fato de ser nomeado Bispo Auxiliar de São Paulo, D. Julio procurou, nas cartas de Paulo, uma frase que pudesse guiá-lo no serviço episcopal. Encontrou, na Carta aos Gálatas, a exortação: “não desanimemos de fazer o bem” (6,9). Para Deus, nenhuma iniciativa de bem, nenhum ato de bondade e de solidariedade é em vão. Deus recolhe, em sua misericórdia e amor, todos os nossos sorrisos e nenhuma lágrima, que cai de nossa face, lhe escapa. O Pai vê e reconhece o bem que realizamos por causa de Cristo e em seu nome. O bem que fazemos, mesmo que não seja reconhecido pelos outros, está destinado à glorificação da ressurreição.

FOTOS DA CELEBRAÇÃO (clique para ampliá-las)


Você pode assistir toda a Ordenação Episcopal por aqui:

Dom Julio concedeu uma entrevista exclusiva, logo após sua nomeação, para o Blog Diálogo Vivo, no dia 21 de maio. Você pode ler por aqui: ENTREVISTA

Muitas pessoas perguntaram o que significam as letras "SAC" após o nome de D. Julio: SAC é a sigla de Sociedade do Apostolado Católico, uma Sociedade de Vida Apostólica, fundada por São Vicente Pallotti, constituída por padres e irmãos. Dom Julio fez sua consagração a Deus na Sociedade do Apostolado Católico, por isso é chamado Palotino e possui esta sigla ao final de seu nome, como todos os consagrados palotinos.
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