terça-feira, 13 de janeiro de 2015

#JeSuisChalie? E por que ninguém é Baga?

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Como tudo o que envolve exposição e mídia nestes tempos de protagonismo instantâneo, de frivolidade e superficialidade sem fim, tornou-se um vírus “bonitinho” a frase “Je suis Charlie”. Com certeza você já viu isso em todos os cantos: placas, camisetas, charges... O problema de tudo isso é que “Eu sou Charlie” virou mais um bordão irrisório, bobo, insignificante.

O que significa ser Charlie? Querem homenagear uma revista? Os mortos? Uma ironia inconsciente? O problema é: todos querem ser Charlie sem comprometimento. Querem aparecer na rede social como grandes engajados, mas não ousam lançar uma palavra contra os extremistas islâmicos.

Ataque a uma escola nigeriana / AFP
    Enquanto o mundo volta os olhos para a França, muitos outros territórios são marcados com o sangue de milhares de mortos pelo extremismo islâmico. Enquanto Paris e seu Charlie ganham passeata dos líderes mundiais, os mesmos líderes e o resto do mundo esquecem de Baga na Nigéria: os cartunistas franceses não foram e não são as únicas vítimas da maluquice fanática.

No dia 3 de janeiro, o grupo radical islâmico Boko Haram (que significa a educação ocidental é pecado), matou mais de 2 mil civis da cidade de Baga, sendo a maioria crianças, mulheres e idosos que não conseguiram fugir diante da invasão. Segundo a Anistia Internacional, mais de um milhão de pessoas já estão deslocadas dentro da Nigéria. E este não foi o primeiro ataque do Boko Haram. Em agosto do ano passado, dezenas de cristãos foram queimados na cidade de Madagali, norte da Nigéria. Conforme o governo nigeriano, só em 2014 o grupo vitimou mais de 3 mil pessoas e, desde 2009, mais de 12 mil foram mortos.

Dom Ignatius Kaigama, Arcebispo de Jos
Mas por que nada disso vira notícia? Não há passeatas nem manifestações em apoio à Nigéria. Muito menos ações contra os extremistas. Para lembrar ao mundo que muitos outros seguem morrendo, uma voz se levanta naquele país: Dom Ignatius Kaigama, Arcebispo de Jos. Em entrevista para a BBC, o apelo foi contundente: “Não se esqueçam de nós”. Para ele, o mundo precisa agir de forma mais determinada para conter o avanço do Boko Haram na Nigéria. Em entrevista ao programa Newsday, o Arcebispo lembrou que a Nigéria está desamparada e não consegue conter os radicais.

Não sou contra louvar os mortos inocentes da França. Eles precisam ser lembrados, juntos com milhares dos quatro cantos do mundo, como sinais de que o fanatismo continua matando. Que caia a máscara da falsa diplomacia, do bom mocismo que pede um diálogo com quem não quer dialogar. Que caia nossa hipocrisia, que se enfrentem os terroristas também onde as câmeras não conseguem gravar.
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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Charlie Hebdo e os cristãos

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Carta aberta ao Exmo. Sr. Deputado Estadual Durval Ângelo (PT-MG)

Sr. Deputado Durval Ângelo Andrade, espero que estas linhas o encontrem bem. Este é meu desejo para todos os homens: que estejam bem e que conheçam o Bem, sejam eles meus amigos ou não.

Escrevo ao senhor motivado pelo seu twitter. Nele pude perceber que sua excelência é defensor da liberdade de expressão e, assim, não recusará estas minhas letras. Também no twitter, o senhor expôs sua rápida – como manda o espaço dessa rede social – análise sobre o atentado terrorista que assolou a França e o mundo no dia 07 de janeiro. Pois bem, é exatamente sobre sua postagem deste mesmo dia, na qual o senhor faz três perguntas, que eu quero lhe fazer algumas outras indagações, afinal, como católicos e cristãos ocidentais que somos, buscamos uma única Verdade.

Tenho certeza que o senhor recebeu diversas respostas à referida postagem, como registrou em sua rede social, muitas delas inclusive excedendo o limite da racionalidade e do diálogo. No entanto, senhor deputado quando vossa excelência afirma extremismo cristão ocidental, a que se está referindo? Compreenda, senhor deputado, que somos uma nação de maioria cristã. Como não podemos afirmar que todo aquele que professa a fé no islã é extremista e terrorista – de fato não o é! – é muito perigoso dizer da existência de um extremismo cristão.

Peço licença ao senhor, mas ouso relembrá-lo, novamente, que a maioria cristã ocidental é filha do catolicismo. Não matamos em nome de Jesus! Não cerceamos liberdade de ninguém! Não oprimimos, ofendemos, escravizamos, ferimos, quem quer que seja! Prova disso é também o “Charlie Hebdo”: diante de tantas charges escarnecedoras sobre Jesus Cristo, a Mãe de Deus, o Santo Padre, a Igreja respondeu com orações.

Foi assim com todos os ataques que o catolicismo sofreu nos últimos tempos. Por exemplo, vítima dos radicalismos de grupos feministas, que contra, como dizem, um “discurso de ódio” da Igreja agridem fisicamente, como aconteceu com o arcebispo de Bruxelas, Dom Andre-Joseph Leonard em 2013. As mesmas feministas profanaram o altar da catedral de Colônia, durante uma Missa, em 2013. Durante a Jornada Mundial da Juventude, no mesmo 2013, o grupo “Marcha das Vadias” se manifestou no meio de uma multidão católica, introduzindo imagens sagradas nos orgãos genitais. Disto fui testemunha ocular, inclusive da reação da multidão de peregrinos, que perplexos, reagiram rezando em paz. Também um grupo feminista, que pede “liberdade”, invadiu recentemente o presépio montado na Praça de São Pedro, roubando o menino Jesus. E diante de tudo, qual foi o extremismo cristão ocidental?

Aliás, senhor deputado, o “extremismo” cristão é oferecer uma proposta, radical por ir contra toda a cultura moderna quando prega o amor, a doação e o sacrifício. É uma proposta libertadora: quer ajudar o homem a ser resgatado do pecado para ter vida plena. A moral católica jamais quer impor algo de si aos outros. É propositiva e, por assim ser, não obriga ninguém a segui-la. O seguimento de Cristo, e daquilo que é inerente a ele, é livre e racional!

Extremismo é morte, senhor deputado, e morte, permita-me lembrá-lo, é aquilo que o seu partido político apoiou quando aprovou as “Resoluções do 3° Congresso do Partido dos Trabalhadores”, em 2007. Citarei fielmente: “defesa da discriminalização do aborto e regulamentação do atendimento à todos os casos no serviço público evitando assim a gravidez não desejada” (p. 82 da versão online). 
O senhor perguntou se a intolerância religiosa seria capaz de matar. Mas se perguntou porque o seu partido apoia o genocídio de inocentes? E porque o senhor compactua com tal intolerância pela vida? Sim, excelência, os extremismos existem e eles matam, sobretudo quando começam a classificar a vida em "desejada" e "não desejada"

Agradeço a oportunidade para dialogar com o senhor. Ofereço também meu blog, onde publiquei esta carta, caso queira responder às interrogações. Se somos católicos, não precisamos temer, afinal, seguimos a Cristo e somos guiados na obediência pelas autoridades por ele constituídas, não é mesmo? Por fim, aproveito para mais uma vez lamentar pelas mortes na França e por todas as vítimas da irracionalidade e do terror. É pela paz que rezo e por aqueles que não a promovem.

Cordialmente,
Edvaldo Betioli Filho
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Recomeçando

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No começo do Ano do Senhor de 2015, o Blog Diálogo Vivo retorna suas atividades, de um modo novo, mais interativo, sempre aberto ao diálogo e ao confronto de ideias.
Ad Infinitam Dei Gloriam
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