sábado, 1 de setembro de 2012

Reflexão

Um comentário :
Da Conveniência à Convergência

De profetas da desgraça, o mundo está cheio. De vozes agourentas, nossa terra já está repleta. Mas ser pessimista é diferente de ser realista. Embora eu seja um otimista imperdoável – ou um esperançoso, e aí há uma abissal diferença – penso que nossa atual conjuntura precisa de um realismo engajado, concreto. Perceber a situação, e tomar conta de que meu eu está inserido na problemática planetária é urgente. Reconhecer nosso pecado é um passo decisivo para a cura.
Em primeiro lugar, um mal há de ser reconhecido neste mar de anormalidades. Chamemos aqui de incoerência. Talvez seja esta a lança mais sutil que perfura sem fazer alarde, e sangra sem permitir que o sujeito ferido perceba sua chaga. A questão da coerência deve ser tratada com delicadeza, com simplicidade, mas também com sinceridade, pois muitas regras são ditadas, contudo, o seguimento dessas normas faz com que surjam os problemas hereditários da incoerência.
Se leis são estabelecidas, e há uma obrigatoriedade se seu segmento como parte da vida, sem liberdade de escolha, aí existe uma chance da incoerência ser passível de perdão. Por exemplo: se um cidadão, de cujo pais está sob domínio de um governo totalitário, recusa-se a seguir as leis de seu estado, e pratica algo diverso da obrigação, ou simplesmente não cumpre a constituição legal, torna-se um desertor justamente justificável. O problema é grande quando o líder deste mesmo país totalitário, que formalizou a lei e obrigou outros a cumprirem, não a cumpre. Embora esse exemplo seja tosco e vulgar, é o ponto de partida para compreender o problema da incoerência.
Esta dificuldade é muito mais emblemática – e preocupante – quando a incoerência acontece por parte daquele que se propôs – ou seja, não imposto – a seguir uma regra, norma ou lei, por vontade própria, e não pratica esse segmento depois de ter abraçado tal decisão.
Pode ser que muitos aleguem que a exigência da liberdade é muito maior que a da arbitrariedade, contudo, meu otimismo me impede de ver as coisas na “crueldade” da realidade. Sempre penso que o ser humano pode ser mais, que consegue dar o passo além, simplesmente é capaz. Esse mesmo otimismo me faz não compreender porque isso acontece: se meu passo foi consciente e livre, porque divergir durante a caminhada?
Certa vez me disseram que todos somos incoerentes, pois a coerência é própria dos seres perfeitos, e como não o somos... Concordo com o dito, mas creio que isso não pode ser usado como justificativa. Sou incoerente, mas o desejo de não o ser já me faz coerente com a própria coerência. A coerência, para compreensão, também poderia ser dividida em graus. Dependendo do fim a que se é fiel. Ainda assim, chegamos em uma conclusão única: quando a questão é compatibilidade de palavra e ação, a práxis é muito mais importante. Entretanto, quando a perseverança de propósito torna-se cada vez mais afligida, precisamos de base sólida para nos agarrar. Há a necessidade de reunir a dispersão que existe dentro da vontade da benignidade de escolha.
Sinto um cheiro da necessidade do radical, mas sem radicalismos. Mas como viver esse discurso em uma esfera comercial, que alimenta o hedonismo e o egoísmo, fazendo-os escravos do fator monetário? As tentações hodiernas infiltram estruturas cujos engajados, não feitos na totalidade, se tornem influenciados, manipuláveis, e pensam, por fim, poder conciliar a regra com as tentações, que acabam se convertendo em ilusórias exceções saudáveis.
E notamos, mais do que antes, o desejo sempre crescente do ser humano de que o mundo deve girar em torno de si, favorecendo seus prazeres. Há uma sede de conveniência mesmo quando houve uma livre disposição da renúncia de si mesmo. Talvez, a conveniência engana-nos a nós mesmos.
A conveniência faz com que nos iludamos através de nossas escolhas, uma vez que primariamente escolhemos o que moralmente se apresenta como satisfatório para depois rasgar os grilhões da formalidade e ceder às tentações da conveniência. Chego a pensar que tudo começa a ser feito a partir da conveniência, sem espaço para a existência da boa intenção primária. A conveniência nos cega, impedindo-nos de perceber – e ver – a verdade.
A tentação da cegueira voluntária é presente, e só será vencida quando houver uma conversão – ou uma passagem, como queiram – da conveniência para a convergência.
A convergência representa a estratégia a ser seguida quando se está diante do ataque da dispersão da conveniência, que leva à incoerência. Pode-se dizer que convergência está para a coerência assim como a conveniência pra a incoerência. Uma conduz à outra, sendo indissociáveis na vida humana.
Registre-se aqui que realizar essa conversão acima citada exige uma força hercúlea, mas ainda assim possivelmente humana. E essa realização já não se pode mais fazer no âmbito da teoria– como estas linhas que você está lendo. Essa atuação acontece na vida realmente vivida, tendo como apoio a teoria que, por sua vez, é um preâmbulo esclarecedor e um plano de metas.
Refletir sobre a coerência, a conveniência e a convergência exige muito mais tempo e espaço. Ainda assim, lança-se a semente, que constitui a esperança fundamental daqueles que desejam convergir ao Absoluto.
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domingo, 1 de julho de 2012

Inverno…

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Caros amigos, podemos considerar o dia de hoje como diferente dos demais: encerramos o mês de junho, bem como concluímos o primeiro semestre do ano da graça do Senhor de 2012. Estamos, se assim podemos considerar, no ponto central do ano: chegamos ao término de sua primeira metade. Equilibramo-nos sobre a sombra do que passou e sobre a luz do que há de vir. Entre o imutável e o mistério. Entre as folhas debruçadas ao chão do outono e os botões de flores a eclodirem na primavera. Estamos no inverno...DSC03451

Junto do mês de junho, que hoje celebramos, recebemos sobre nossos corpos o inverno. Gélido, pálido, brumoso, inanimado. Lançando no céu um jogo de cores, do qual a matiz principal é acinzentada.

E aqui chegamos a um ponto cruciforme: a diferença entre dois invernos. Um, o inverno que, como estação da natureza, fenômeno natural, é acontecimento de todo ano, por alguns meses, devido ao movimento de translação da Terra e seu consequente distanciamento do Sol. E outro, bem outro, é o inverno da alma, tão mais cruel, arrasador, esterilizante...

Um inverno, o do corpo, nos atenta ao outro, o da alma.

Recordo-me que, quando chegava esse tempo do final de junho, minha avó dizia: “Di, essas noites de inverno são as noites mais longas de todo o ano”. Hoje, quando relembramos a sabedoria popular, que ricamente era aprendida com a vida, sentimos o real perigo dessas noites escuras de inverno em nossa alma. Quando nossa alma submerge-se no inverno, não estamos nós na mais escura noite?

Por isso, a ocasião que celebramos hoje é um convite do próprio Cristo, Luz do Mundo, a permanecermos sempre em seu Calor, em seu Convívio. E Ele quer que nosso movimento de Translação deixe de ser propriamente um movimento de idas e vindas, mas que nos aproximemos tanto dEle que cheguemos a nos unirmos a Ele. Contudo, como humanos que somos, algumas coisas nos são exigidas para esse encontro.

A mesma avó me dizia que, coincidentemente, era durante esse tempo das noites mais longas que se dava a época propícia da poda das roseiras. Naquela época, que criança não acharia estranho a lógica do cortar para florir, do perder para ganhar?

Hoje encaramos o mundo de modo diferente, e compreendemos tal lógica. Também nós precisamos de podas, de perdas, de separações, de renúncias, para que possamos nos aproximar mais perfeitamente do Sol da Vida.

É como dizia nosso Pai Vicente, para atingir o Tudo, nada, nada, nada, nada...

DSC03316Ainda que por mais douto que seja o cronista, jamais terá palavras suficientes para descrever tal mistério de amor: o Criador, sol sem ocaso, desejoso do convívio de suas criaturas. Por isso, prefiro colocar-me ao lado de Dom Luciano Mendes de Almeida, que no centro de seu ministério destacava essa simples palavra: Deus é bom.

Tão bom que, após o inverno, concedeu-nos outra estação: a primavera.

Jamais permitamos que as noites invernais tomem conta da alegria primaveril, e sejamos portadores da luz, mensageiros do calor, que é Cristo, para iluminar e abrasar o caminho e corações de tantos irmãos que vivem na tristeza dos invernos da alma, que não conhecem a autêntica alegria, a alegria do cristão. Sigamos o convite do Amado à Amada no Cântico dos Cânticos:

Levanta-te, minha amiga, vem, formosa minha.
Eis que o inverno passou, cessaram e desapareceram as chuvas. Apareceram as flores na nossa terra, voltou o tempo das canções (2, 10)

Caminhemos, ainda no inverno das temperaturas, na alegria da primavera da alma, no doce paradoxo da alegria da cruz, para alegrarmo-nos um dia definitivamente na beatífica primavera do convívio celeste.

Amém.

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domingo, 29 de abril de 2012

São Vicente Pallotti, Fundador.

2 comentários :
Você conhece São Vicente Pallotti?
Os primeiros passos da União do Apostolado Católico – UAC
Vicente PallottiQuando nos deparamos com uma grande obra, quase sempre nos esquecemos de seu início, que um dia esta obra foi pequena, e que necessitou de um pontapé inicial, de esforços em conjunto, e muito sacrifício. Grandes rios iniciam seu curso a partir de humildes nascentes. Assim também são as obras divinas, até as maiores, que nascem de maneiras simples.
O Espírito de Deus, antes de chamar os seus mensageiros, prepara-os de forma gradativa e por caminhos diferentes. Também foi assim com o Padre Vicente Pallotti. Deus o escolheu para que recordasse à Igreja a vocação de todos para o apostolado, e chamasse também os leigos para participarem na colaboração com o clero na missão evangelizadora da Igreja e promovesse a união entre o clero diocesano e o clero religioso. Deus chama Pallotti para fundar uma União apostólica e, nela, uma Sociedade masculina e uma Congregação feminina.
A primeira experiência a que o Espírito Santo encaminhou Pallotti foi o apostolado dos leigos. Antes de 1830, o jovem padre Vicente já tinha chamado alguns ao apostolado ativo, preparando, por exemplo, camponeses idosos para a catequese no campo. Convidou o leigo entalhador Giacomo Casoglio para reunir os meninos de um bairro de Roma para aulas noturnas de religião. Depois, convidou um advogado também para a função de catequista.
Fiquemos atentos para este fato: na época de Vicente Pallotti, o leigo tinha um papel secundário nas obras da Igreja. Pallotti deseja inverter este posicionamento. Para nosso querido santo, os leigos, homens e mulheres, além do seu compromisso pessoal de oração, precisavam ficar atentos ao que o Espírito Santo lhes sugerisse para o bem e salvação das almas.
Um episódio muito famoso, e providencial, na vida de Pallotti, é considerado a semente da União do Apostolado Católico. Conta-se que certa vez alguém tinha traduzido para a língua árabe um livro de Santo Afonso Maria de Ligório chamado Máximas Eternas. Agora, Pallotti entusiasmado pela ideia de se poder ajudar na evangelização, planejava-se imprimir dez mil exemplares para serem distribuídos para cristãos que viviam no Oriente Médio. Para realizar este trabalho, eram necessários quatrocentos escudos, dinheiro que Pallotti não possuía.
Como Pallotti conseguiria tanto dinheiro? Lembrou-se então de um leigo a quem ajudara a família: Giacomo Salvati. Solicitou a Salvati que saísse por Roma pedindo a todos uma contribuição. Salvati, duvidoso se esta iniciativa daria certo, pediu a Pallotti pelo menos uma carta de recomendação, já que Pallotti era conhecido na cidade. Pallotti, em sua grande humildade, recusou, dizendo: “Vá em nome de Cristo crucificado e conseguirá tudo!”.
SalvatiO bom Giácomo Salvati partiu com medo e cheio de dúvidas. Ainda assim, andou pelo bairro e aos poucos conseguiu a quantidade de dinheiro necessária! Este homem, leigo, pai de família, tornou-se um grade colaborador de Pallotti, até a sua morte.
Hoje em dia podemos considerar que a decisão de fundar uma União do Apostolado Católico tenha nascido também do ato de Salvati, no qual Pallotti viu ter sucesso a união entre leigos e religiosos em favor das obras de evangelização. Em 1835 o padre Vicente destacou que sua fundação se propunha também despertar e conservar a fé e sustentar as obras pias na Igreja, com o maior número de meios possíveis, incluídas todas as obras da caridade cristã.
E, como marco importantíssimo no processo de fundação da União do Apostolado Católico, consideramos a iluminação divina do padre Vicente. Na sexta-feira 9 de janeiro de 1835, teve, após a celebração da Santa Missa, uma experiência mística. Jesus Cristo mostrou-lhe a sua vontade de revelar-se a todos. O padre Vicente pediu que Deus o usasse como instrumento para combater todo o mal e promover todo o bem.
Muitos outros são os impulsos que levam Vicente Pallotti a iniciar a obra da União do Apostolado Católico, e que continuaremos a acompanhar no próximo mês. Contudo, o que devemos guardar no coração é a intenção deste santo em fazer do leigo um protagonista, junto com o clero e os religiosos, na obra de evangelização da Igreja. Portanto, todos nós temos este dever: trabalhar para a infinita glória de Deus, pela salvação das almas e pela destruição do pecado!










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quinta-feira, 19 de abril de 2012

A defesa da fé: Pallotti e Bento XVI

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Hoje celebramos 7 anos da eleição do Cardeal Joseph Ratzinger para o trono petrino. Todo seu pontificado está sendo marcado pela defesa da fé. Um homem que, tendo a missão de substituir o carismático Wojtyla, fundamenta a fé propapaga pelo predecessor.
Trazermos aqui um excerto do artigo “O Carisma Palotino e a Defesa da Fé”, deste que vos escreve, e que em breve será publicado na íntegra, fazendo uma realação entre os esforços de São Vicente Pallotti e de Bento XVI na defesa de nossa fé.
Papa Bento XVI
Assim como Pallotti foi profeta de seu tempo, hoje temos em Bento XVI uma voz que, lucidamente, alerta-nos sobre os perigos que cingem a Fé cristã. As palavras do sacerdote romano e do Vigário de Cristo estão em total consonância: mais um motivo que nos faz crer na atualidade do carisma palotino e de seu “ser para a Igreja”.
O papa apresenta profundas inquietações e sérias preocupações quando se trata da Fé ameaçada e colocada em risco. Podemos considerar a defesa da Fé uma das linhas mestras de seu pontificado:
A primeira prioridade para o Sucessor de Pedro foi fixada pelo Senhor, no Cenáculo, de maneira inequivocável: “Tu (...) confirma os teus irmãos” (Lc 22, 32) (...) No nosso tempo em que a Fé, em vastas zonas da terra, corre o perigo de apagar-se como uma chama que já não recebe alimento, a prioridade que está acima de todas é tornar Deus presente neste mundo e abrir aos homens o acesso a Deus (...) O verdadeiro problema neste momento da nossa história é que Deus possa desaparecer do horizonte dos homens e que, com o apagar-se da luz vinda de Deus, a humanidade seja surpreendida pela falta de orientação, cujos efeitos destrutivos se manifestam cada vez mais.[1]
Para o Vigário de Cristo, a prioridade suprema e fundamental da Igreja e do Sucessor de Pedro em nosso tempo é conduzir os homens para Deus, orientando-os diante dos “efeitos destrutivos que se manifestam cada vez mais”. Nos tempos hodiernos, há uma oferta constante de artifícios cuja finalidade é afastar o homem de Deus, aniquilar sua Fé, e torná-lo auto-suficiente, como aconteceu com os primeiros pais. Defender essa Fé e fortificá-la é deixar a imaturidade e não mais incorrer nos erros, como afirma São Paulo: “Assim, não seremos crianças, joguete das ondas, sacudidos por qualquer vento de doutrina, pelo engano da astúcia humana, pelos truques do erro” (Ef 4, 14).
Bento XVI, quando ainda cardeal, na missa de abertura do Conclave de 2005, verdadeiramente instruído pelo Espírito Santo, como profeta apontou alguns erros que mais ameaçam a nossa Fé:
Quantos ventos de doutrinas conhecemos nestes últimos decênios, quantas correntes ideológicas, quantas modas do pensamento... A pequena barca do pensamento de muitos cristãos foi muitas vezes agitada por estas ondas, lançada de um extremo ao outro: do marxismo ao liberalismo, até à libertinagem, ao coletivismo radical; do ateísmo a um vago misticismo religioso; do agnosticismo ao sincretismo e por aí adiante (...) Ter uma Fé clara, segundo o Credo da Igreja, muitas vezes é classificado como fundamentalismo. Enquanto o relativismo, isto é, deixar-se levar “aqui e além por qualquer vento de doutrina”, aparece como a única atitude à altura dos tempos hodiernos. Vai-se constituindo uma ditadura do relativismo que nada reconhece como definitivo e que deixa como última medida apenas o próprio eu e as suas vontades (...) Ao contrário, nós, temos outra medida: o Filho de Deus, o verdadeiro homem.[2]
As palavras do Sumo Pontífice são para os seguidores da mensagem de Pallotti como que uma convocação ao apostolado, pois uma das missões da União do Apostolado Católico, conforme o fundador escreveu, é cooperar com a Igreja e com o Sumo Pontífice nos empreendimentos evangélicos (cf. OOCC III, 186).
Seria muita pretensão de nossa parte dizer que aí se encerram as crises contemporâneas. Contudo, uma coisa é certa: na raiz de todos estes problemas encontramos uma crise de Fé. Não podemos permanecer inertes diante deste cenário, é preciso defender a Fé onde ela já existe e que como uma chama corre o risco de se apagar, como alertou Bento XVI. A Fé bem vivida incomoda, pois quando Deus está presente no mundo existe o grande amor, existe a alegria pura e simples, e essa afirmação essencial da fé vai contra os grandes sistemas e forças que desejam um mundo cada vez mais desprendido dos laços da Fé. O papa sintetiza sabiamente o tema da Fé na vida do ser humano:
Viver sem fé significa que, primeiro, uma pessoa se encontra num estado niilista e que depois acabará por procurar pontos de apoio. A vida sem fé é complicada. Quando se considera a filosofia da incredulidade em Sartre, Camus e outros, vê-se claramente isso [...] A fé também torna o Homem leve [...] Tornar-se crente significa tornar-se leve, libertar-se da força da gravidade, que também nos puxa para baixo, e entrar, desse modo, no flutuar da fé (RATZINGER, 2005, p. 24).
Hoje não estamos sob a sombra e os efeitos imediatos da Revolução Francesa, mas muitos outros são os demônios que nos rodeiam como leões a rugir (cf. 1Pd 5, 8), por isso é mais que necessário permanecermos firmes na Fé. Dessa forma, não se pode deixar de lado o apelo de Pallotti e, juntamente com o “reavivar a Fé”, é preciso acrescentar à definição do carisma a defesa de nossos princípios, valores e crenças. Hoje, defender a Fé é obrigação do cristão, pela missão de seu batismo, e do palotino, pelo múnus de seu carisma e consagração.

[1] Carta de Sua Santidade Bento XVI aos Bispos da Igreja Católica a propósito da remissão da excomunhão aos quatro bispos consagrados pelo Arcebispo Lefebvre. 10 de março de 2009.
[2] Homilia do Cardeal Joseph Ratzinger na Missa Pro Eligendo Romano Pontifice. 18 de abril de 2005.

℣. Oremus pro Pontifice nostro Benedicto.
℟. Dominus conservet eum, et vivificet eum, et beatum faciat eum in terra, et non tradat eum in animam inimicorum eius.
℣. Tu es Petrus,
℟. Et super hanc petram aedificabo Ecclesiam meam.
Oremus.
Deus, omnium fidelium pastor et rector, famulum tuum Benedictum, quem pastorem Ecclesiae tuae praeesse voluisti, propitius respice: da ei, quaesumus, verbo et exemplo, quibus praeest, proficere: ut ad vitam, una cum grege sibi credito, perveniat sempiternam.
Per Christum, Dominum nostrum.
℟. Amen.












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quarta-feira, 11 de abril de 2012

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Para atualizar:

Como já havíamos anunciado em tom quase profético (Fé e Política: figura de Rick Santorum) os eleitores dos Estados Unidos rejeitaram, de fato, a proposta de Rick Santorum: o ex-senador deixou a disputa pela indicação do Partido Republicano. O placar das prévias já mostra o mórmon Mitt Romney com 659 votos, de 1144 necessários para a indicação, contra 275 de Santorum. Uma luta de Davi e Golias, onde o gigante, dessa vez, levou a melhor. Nossa esperança fica para 2016.

Lamentável...

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sábado, 31 de março de 2012

Eleição Presidencial 2012 / The Election 2012

3 comentários :
A figura de Rick Santorum
Este ano de 2012 é eleitoral não somente no Brasil, onde escolheremos os representantes dos executivos e legislativos municipais, mas também nos Estados Unidos, país que elegerá o seu 45° Presidente. Com um processo eleitoral bem diferente do nosso, os americanos, que se dividem em dois partidos - Democratas e Republicanos - primeiro escolhem, em um sistema conhecido como prévias, quem serão os candidatos – ou o candidato, como agora, quando Barack Obama concorre à reeleição – para depois, em novembro, elegerem o presidente.
As prévias deste ano estão acontecendo somente no Partido Republicano – o partido de Reagan e Bush pai e filho – entre quatro pré-candidatos: Mitt Romney, Rick Santorum, Ron Paul e Newt Gingrich, e a esta altura já tem um candidato favorito e quase vencedor: Romney. Ex-governador de Massachusetts, o empresário multimilionário é Mórmon (Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias) e empunhou a bandeira da economia nessa campanha pela indicação do Partido Republicano. 
Santorum in the churchContudo, a disputa não acabou, ainda mais quando se tem, como principal oponente uma figura chamada Rick Santorum. Ex-senador pela Pensilvânia, Santorum é advogado e está a levantar, durante toda a campanha, o estandarte da moralização social. Santorum está incomodando não somente Romney e sua campanha abastada, mas também a imprensa norte-americana, que fica ouriçada por ter chances reais chegar ao pleito de novembro um candidato católico, que pratica sua fé e defende seus valores.
Zapeando por algum tempo na imprensa estadunidene, percebe-se logo que o país, representado por seus jornais, tem medo de Santorum. Lendo um pouco de sua vida e daquilo que falam dele, é fácil reconhecer os porquês de tanta rejeição. Santorum tem 53 anos, casado há 21, é pai de sete filhos. Convenceu os americados que é o candidato republicano que mais representa a fé religiosa ortodoxa. É chamado de “devoto”, “tradicionalista” e até mesmo de “papista”, como escreveu o historiador Gary Wills, destacado pelo Washington Post.
Santorum era, em suas próprias palavras, um “católico de nome”, até quando conheceu Karen Garver, uma enfermeira neonatal e estudante de Direito, em 1988. Karen é filha de um pediatra conceituado de Pittsburgh, que se especializou em genética médica. Patriarca de uma grande família católica, o Dr. Kenneth Garver tratou muitos pacientes que consideravam o aborto, mas sempre se opôs a ele.
“Nós nos sentamos a mesa e toda a noite falamos sobre este assunto”, ouviu Santorum quando foi conversar com o pai de sua futura esposa. Neste momento, segundo ele, ficou convencido que “só havia um lugar para estar, do ponto de vista da ciência, bem como do ponto de vista da fé”. Essa conversa, citada pelo The New York Times, foi um primeiro passo no caminho de uma cultura profundamente conservadora católica, que influenciou sua vida como marido, pai e político. Ao longo das últimas duas décadas, ele passou por uma transformação religiosa que agora está estimulando um debate nacional sobre a fé na esfera pública.
O casal Santorum teve oito filhos, um deles morreu duas horas após o nascimento, em 1996, e uma filha, hoje com 3 anos, é vítima de uma gravíssima doença genética. Diferente dos católicos que acreditam que a doutrina da Igreja deve se adaptar aos novos tempos e necessidades, os Santorums vivem um catolicismo “como deve ser vivido”, tradicional, que adere totalmente à autoridade de ensino do papa e de seus bispos.
Os seus filhos mais velhos estudam em uma escola da Opus Dei. Em 2002, inclusive, participou da celebração do centenário de nascimento de São Josemaria Escrivá, e de sua respectiva canonização, bem como já palestrou em um grande evento do Regnum Christi. A família é membro da Paróquia Santa Catarina de Sena, onde não raro o sr. Santorum lê a escritura nas missas dominicais e participa das adorações eucarísticas.
“Nós acabamos nos mudando para um bairro onde havia uma paróquia, na qual o padre foi simplesmente fantástico, absolutamente incrível, que nos encheu com o Espírito Santo”, disse Santorum a um grupo anti-aborto. “Ao longo desse tempo, eu só vi mudanças em mim e mudanças em Karen.”
111224otooleEm 1994 foi eleito para o Senado. Lá começou um grupo de oração e colaborou no processo de conversão de um senador companheiro, Sam Brownback, agora o governador do Kansas, ao catolicismo. Após ser reeleito em 2000, a família viajou para Roma, onde teve uma audiência com o Papa João Paulo II. Um amigo lembra como foi o encontro: “Ele disse ao papa: ‘Pai, você é um grande homem’. E o papa virou-se para ele, que estava com todas as seis crianças ao seu lado, e disse: ‘Não, você é um grande homem’". 
Em 2002, em um ensaio, Santorum escreveu que era tempo para os católicos mais comprometidos recuperarem as instituições religiosas, como faculdades, escolas e hospitais, “para o bem de nossas almas”. “Sua visão de Estados Unidos é recuperar sua grandeza através da promoção da religião, da família e da liberdade”, resume seu site de campanha.
No último mês expressou, abertamente, sua discordância em relação à cobertura dos anticoncepcionais por parte das seguradoras de saúde - como defende Obama -, com o casamento homossexual e o aborto, inclusive em caso de estupro, porque “de toda experiência ruim pode surgir algo bom”. 
Depois de Kennedy, John Kerry foi o primeiro católico a ter o nome em uma cédula, em 2004 quando concorreu com George W. Bush. Santorum poderia ser o segundo, contudo, a não adesão da população estadunidense ao ex-senador da Pensilvânia é um espelho da situação dos católicos e sobretudo da sociedade dos Estados Unidos.
Quem são os atuais católicos, cerca de 25 % da população, dos Estados Unidos? O problema aqui reside: a maioria dos católicos norte-americanos não ouvem seus bispos e querem pensar de forma independente, com uma consciência formada pela contemporaneidade vazia de valores. Entre esses últimos, Santorum não faz sucesso, e quem leva vantagem é um mórmon.
Difícil compreender como católicos preferem um mórmon? Não, quando se leva em consideração que estes católicos estão mais preocupados com a economia que com a vida, a saúde, a família e os valores sociais. É como disse Santorum: “Nós vamos melhor entre as pessoas que levam sua fé a sério”. Assim ele diagnostica o problema: a fé já não é mais levada a sério.
Conforme relatou o The New York Times, as pessoas estão se deixando levar pela aparência polida de um Romney, que nesta campanha está escondendo sua religião (e seus rituais bizarros, como o batismo de almas de pessoas mortas), deixando de lado um autentico Santorum. Quando se nota que a maioria dos católicos dos Estados Unidos é a favor do aborto, da união homossexual, das pesquisas com células-tronco, do sexo antes do casamento e do divórcio, percebe-se o desolador panorama da devastação moral que vivem os EUA. Segundo o El Pais da Espanha, Santorum deseja erradicar este declíneo, levando Deus à política, e quem está com ele nessa batalha é a Opus Deis.
Não por menos Santorum é atacado negativamente pela mídia. Pode ser que não leve a indicação do Partido Republicano, mas deixa o modelo de que algo bom pode florescer na política. A figura de Rick Santorum, boa surpresa desta campanha de 2012, é forte e contundente, contraditória para muitos. E faz florescer a esperança.
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quarta-feira, 21 de março de 2012

Reflexão

Um comentário :

Detalhe São Jerônimo CaravaggioMuitas coisas estão ocultas de nós neste mundo; em compensação, temos a sensação misteriosa do liame vivo que nos prende ao mundo celeste superior, as raízes de nossos sentimentos e de nossas ideias não estão aqui, mas em outra parte [...] quando esse sentimento se enfraquece ou desaparece, o que havia brotado em nós perece. Tornamo-nos indiferentes à vida, sentimos mesmo aversão por ela.

Fiódor Dostoiévski, Irmãos Karamázov, p. 328.

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quarta-feira, 14 de março de 2012

Margaret Thatcher - A Dama de Ferro

Um comentário :
 
A Thatcher que habita em nós

A dama de ferroEle é biográfico e lá pelas tantas, quando o clímax da narração já passou, torna-se um pouco cansativo. Porém, “A Dama de Ferro” despertou em mim grande interesse pela baronesa, sobretudo pelo fato do filme ser como que uma obra de arte.
Em primeiro plano, a espetacular atuação de Meryl Streep. Logo se percebe o porquê de suas tantas indicações ao Oscar. Ela faz o filme brilhar ainda mais ao interpretar Thatcher quase que perfeitamente: os cabelos intactos em um penteado imóvel pelo laquê; a voz que evolui junto com a autoridade; a postura no passar dos tempos... Tudo contribuiu para transmitir a imagem de uma dama que vai além do aparente ferro com que foi revestida pela história, e porque não dizer, por ela mesma.
Conforme a amostra, Thatcher foi uma grande mulher. Triste e solitária, mas uma grande mulher. Grande por ter sempre lutado em uma sociedade e em uma política composta somente por homens. Determinada, aguerrida, chegou onde queria para mudar seu país. Independente do que fez ou deixou de fazer, dos resultados de seu governo, da inflação, das greves, da guerra, da crise do petróleo etc., ela defendeu suas convicções até o fim, e por isso acabou, aos poucos, ficando sozinha, sendo preterida por seus amigos, inclusive por seu partido Conservador.
De seu lado, entretanto, estava sempre a figura que a complementava: Denis. E com ele surgem os melhores diálogos, como quando ele a pede em casamento, ou quando ele deixa claro que a vida política da primeira ministra era insustentável. Era o toque doce na monocromática vida política de tantos matizes.
O fim de Thatcher, a mulher mais poderosa do século XX, é explicado e justificado durante todo o percurso do filme. A começar pela primeira cena, primorosa, da dama de ferro em uma venda, comprando leite. A filha de um quitandeiro, como muito é sublinhado no filme, tornou-se a dama de ferro também porque ela assim o quis que acontecesse.
A imagem que fica é de uma mulher que prefere sacrificar seus sentimentos, e eles existem aos montes, e os que estão ao seu redor, em prol de suas convicções. thatcherUm tanto quanto espartana, mas admirável, sobretudo neste mundo de mentes quase sempre voláteis e descompromissadas. Mundo assombrado pelos fantasmas do comunismo, como ela preferiria dizer. Comunismo tal que ela, junto com os grandes Ronald Reagan e Karol Wojtyla, conseguiram derrubar.
Por fim, senti-me com um pouco de Thatcher dentro de mim. Num primeiro momento, confesso que me pareceu prazeroso, mas perigoso. Fez-me lembrar de alguns versos da canção de Roberto Ribeiro: “Sabe Deus a força que eu faço, para derreter o aço, que há em mim. Sabe Deus como eu encolho tanto, para endurecer o pranto, eu sou assim”. Thatcher fez-me refletir sobre a Thatcher que habita em mim.
 

The Iron Lady (Inglaterra - 2011)

Drama, Biografia - 105 min - 12 anos

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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Reflexão

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O Pequeno Príncipe“O célebre aviador francês Antoine de Saint-Exupéry escreveu numa carta a um general: “Há apenas um único problema no mundo. Como se pode dar novamente aos homens uma significação espiritual, uma inquietação espiritual; fazer que orvalhe sobre eles algo que se pareça com um canto gregoriano? Veja, não podemos viver mais de geladeiras, de política, de balanço e de palavras cruzadas. Não é mais possível”. Em seu livro O pequeno príncipe, diz: como é tolo o mundo dos adultos, dos homens sabidos. Já não entendemos mais senão só máquinas, geografia e política. Mas o que é propriamente importante, a luz, as nuvens, o céu e as suas estrelas são coisas que não entendemos mais.”

Joseph RatzingerDogma e Anúncio

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domingo, 19 de fevereiro de 2012

Sobre certos modismos...

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"Mamãe, não quero ser Neymar"

Quando crianças, sempre buscamos heróis ou ídolos, imagens às quais nos agradaria imitar, fazer como tal, copiar, porque nos transmitem segurança, inspira-nos bons modos e o melhor de tudo: tem todas as capacidades do mundo, desde construir até salvar. Parece que começa pela figura do pai... E a psicologia explica tudo isso muito melhor do que eu, seja a de botequim ou a de Freud.

O fato é que, quando Neymar, o jogador dos Santos, estourou no mundo do esporte, não foi raro ver que junto com sua habilidade lançou moda e arrastou uma multidão: um cabelo mal ajustado, mal colorido, mal alisado, mal cortado. Mas que virou marca registrada. E as crianças foram as primeiras a fazer de Neymar uma figura a ser copiada. Era um novo herói que reflete os nossos tempos, por ser habilidoso com a bola, malandro e moleque. Novo, fez e vai continuar fazendo fama.

Até aí, conseguimos engolir como a uma colherada de farinha de puba. O pior é ver que o modismo não parou na infância, mas se estendeu à juventude e também àqueles que já superaram essa fase. O famoso “moicano” está em mais cabeças do que nunca. Alguns passeios pela orla de nosso litoral neste verão puderam mostrar que estamos usando nossas cabeças para sermos como os outros.

Aí a puba quase não desce esôfago abaixo... Com o respeito à pessoa Neymar, aceitar que o modelo de nossas crianças, e sobretudo jovens, seja o estereótipo da malandragem e da fama, do dinheiro e da “curtição”, é aceitar a mediocridade de nossa cultura e a falta de preocupação com o futuro. É espantoso ver que estamos como que um frágil barco à deriva dos conceitos estéticos da moda (o que é o belo?). É doloroso ver nosso “placet” sobre tudo isso.

Sobre isso e mais um pouco, pois poderíamos entrar no problema que a febre da música de Michel Teló esconde por trás da popularidade. Mas isso é tema de outra reflexão (agudíssima) nossa.

Conheci uma criança tão normal que teve também seus “heróis” conforme as fases de seu crescimento: o pai, o padre, os Rangers, o Churchill, o papa... Hoje, quando não mais criança, não conheço suas opiniões e escolhas. Mas de uma coisa tenho certeza: se criança ela hoje fosse, não quereria ser como Neymar.

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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Reflexão

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"Não estou pedindo nada além de que as pessoas encarem os fatos e compreendam as questões para os quais o cristianismo afirma ter a resposta. Tratam-se de fatos bem arrebatadores. Gostaria até de ser capaz de dizer algo mais agradável, mas sou obrigado a dizer o que sei ser a verdade. É claro que eu concordo que a religião cristã seja, a longo prazo, algo que proporciona um conforto que não tem palavras para expressar. Mas ela não começa pelo conforto, e, sim, pelo espanto que descrevi há pouco. Não serve para nada seguir em direção a esse conforto, sem passar antes pela existência do espanto. Na religião, da mesma forma como na guerra e tudo o mais, satisfação é uma das coisas impossíveis de se conquistar enquanto procuramos por ela. Mas quando você busca a verdade, é possível que ache satisfação no final. Se você busca a satisfação, não conquistará nem a satisfação nem a verdade - só o que encontrará será um sabão escorregadio e falsas esperanças. Enfim, encontrará apenas desespero."

C. S. Lewis (1898 - 1963) Cristianismo Puro e Simples

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domingo, 22 de janeiro de 2012

No princípio...

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NASCE 2012


Se Toquinho com dois riscos tinha um guarda-chuva, com dois cliques hoje temos o mundo. E quanto mais temos posse do mundo como informação, menos possuímos a essência de cada coisa, menos compreendemos o valor de cada ser. Quanto mais avançamos no domínio global, mais recuamos na conquista interior. Quanto mais pensamos que somos bons, mais longe ficamos da Bondade. Quanto mais inteligentes imaginamos ser, mais ignorantes nos tornamos... E sob as sombras destas reflexões eclodiu meu 2012.

Nasceu diante do anúncio do fim do mundo em dezembro. Ainda existe alguém de raciocínio mínimo que acredita ser 2012 o último ano de todos os tempos? Se a contagem do calendário dos Maias acaba nesta data, isso significa simplesmente que aquele povo se ocupou de outra coisa.


Este ano nasceu trazendo o cheiro de um bom livro. Bom, eu escrevi. Porque também no papel e tinta temos tantas agressões, pelo marketing, pela venda, pelo dinheiro. Inclusive, amigo leitor, não acharei ruim se imediatamente você fechar esta janela, trocando-a por um bom livro. Mas, repito que seja bom... Pois nossas massas estão cada vez mais manipuláveis. Assim nascem as ditaduras e assim se perpetuam.
Meu 2012 também nasceu diante da efígie da simplicidade. Porque estamos complicando cada dia mais a simplicidade própria dos dias. Estamos revestindo com uma carapaça as nossas fraquezas para iludirmos a nós mesmos. Queremos esconder nosso vazio com o brilho dos LEDs tão frios. Os sinais digitais, a alta definição, a transmissão acelerada, as redes sem fio... tantos instrumentos que só contribuem para que se aumente o lixo despejado em nossas cabeças. Salvam-se aquelas que não permitem...

O progresso da técnica está manipulando as opiniões, influenciando seres de vida interior apagada. 2012 nasce precisando de reflexão: ouve-se muito aquele rapaz Teló (e aquele seu dejeto que chamam de música); fala-se muito daquela menina que estava no Canadá, espiam a vida alheia em um programa que representa a verdadeira alienação e ociosidade. Tudo equivale ao vazio que não será preenchido enquanto não contemplarmos o Mistério, e não nos colocarmos como seres criados à imagem e semelhança de Deus. Quero um 2012 sério. Não carrancudo, mas com seriedade, pois a sabedoria implica justamente o espírito de seriedade.

A maior marca deste ano foi nascer com o grito agônico da necessidade da Fé, Oração e Conversão: o navio italiano que tombou, o dique carioca que rompeu. Aumentemos a intensidade: os cidadãos haitianos sujeitando-se a tudo para viver; a cracolândia paulistana insolúvel enquanto não valorizável; o soldado estadunidense absurdamente urinando no cadáver; os homens e mulheres da Somália (e da Coréia do Norte, e de Cuba, e da China, e do Brasil...) morrendo de fome por disputas dos abastadíssimos generais.

Sim, a indigência de nossos dias não é tecnológica, como pensamos e corremos para suprir, mas espiritual. A vida está sendo considerada cada vez menos como dom que se transmite e cada vez mais assimilada como uma fatalidade. Se assim continuarmos, desembocaremos inevitavelmente no desespero.

Mas este nosso novo ano também tem a possibilidade de começar com o suave odor da esperança. Onde tiramos o eu e colocamos Deus, floresce a boa semente, colhe-se o bom fruto. Nasce 2012 necessitando de amor. Não o amor frívolo das bocas bêbadas do dia 31 de dezembro, à beira mar. Mas o Amor. “O que não se faz pelo Amor e para o Amor acaba invariavelmente por fazer-se contra o Amor” (Gabriel Marcel).

Nasce 2012 precisando de silêncio, de recolhimento, para nascerem forças do amor e da humildade. Floresce 2012 com a necessidade de lutarmos por aquilo que cremos, pela Fé que professamos. Um novo ano, na aguerrida luta pela conquista e prática do bem.

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Reflexão

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"Portanto, ou bem será a legitimação cristã – única possível – da vida e do sofrimento, do Homem e do próprio Deus, ou bem a revolta metafísica, a destruição absoluta no demoníaco, a queda cega no abismo, onde o não-ser, em um sofrimento assustador, tenta engendrar o ser e devora as malformadas sombras geradas e paridas por ele mesmo. Pois a alma humana, no momento em que perde a esperança em Deus, tende inevitavelmente ao caos [...]."

Ivanov Viatcheslav, Dostoievski, tragédie, mythe, religion. p. 57.

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