quarta-feira, 14 de março de 2012

Margaret Thatcher - A Dama de Ferro


 
A Thatcher que habita em nós

A dama de ferroEle é biográfico e lá pelas tantas, quando o clímax da narração já passou, torna-se um pouco cansativo. Porém, “A Dama de Ferro” despertou em mim grande interesse pela baronesa, sobretudo pelo fato do filme ser como que uma obra de arte.
Em primeiro plano, a espetacular atuação de Meryl Streep. Logo se percebe o porquê de suas tantas indicações ao Oscar. Ela faz o filme brilhar ainda mais ao interpretar Thatcher quase que perfeitamente: os cabelos intactos em um penteado imóvel pelo laquê; a voz que evolui junto com a autoridade; a postura no passar dos tempos... Tudo contribuiu para transmitir a imagem de uma dama que vai além do aparente ferro com que foi revestida pela história, e porque não dizer, por ela mesma.
Conforme a amostra, Thatcher foi uma grande mulher. Triste e solitária, mas uma grande mulher. Grande por ter sempre lutado em uma sociedade e em uma política composta somente por homens. Determinada, aguerrida, chegou onde queria para mudar seu país. Independente do que fez ou deixou de fazer, dos resultados de seu governo, da inflação, das greves, da guerra, da crise do petróleo etc., ela defendeu suas convicções até o fim, e por isso acabou, aos poucos, ficando sozinha, sendo preterida por seus amigos, inclusive por seu partido Conservador.
De seu lado, entretanto, estava sempre a figura que a complementava: Denis. E com ele surgem os melhores diálogos, como quando ele a pede em casamento, ou quando ele deixa claro que a vida política da primeira ministra era insustentável. Era o toque doce na monocromática vida política de tantos matizes.
O fim de Thatcher, a mulher mais poderosa do século XX, é explicado e justificado durante todo o percurso do filme. A começar pela primeira cena, primorosa, da dama de ferro em uma venda, comprando leite. A filha de um quitandeiro, como muito é sublinhado no filme, tornou-se a dama de ferro também porque ela assim o quis que acontecesse.
A imagem que fica é de uma mulher que prefere sacrificar seus sentimentos, e eles existem aos montes, e os que estão ao seu redor, em prol de suas convicções. thatcherUm tanto quanto espartana, mas admirável, sobretudo neste mundo de mentes quase sempre voláteis e descompromissadas. Mundo assombrado pelos fantasmas do comunismo, como ela preferiria dizer. Comunismo tal que ela, junto com os grandes Ronald Reagan e Karol Wojtyla, conseguiram derrubar.
Por fim, senti-me com um pouco de Thatcher dentro de mim. Num primeiro momento, confesso que me pareceu prazeroso, mas perigoso. Fez-me lembrar de alguns versos da canção de Roberto Ribeiro: “Sabe Deus a força que eu faço, para derreter o aço, que há em mim. Sabe Deus como eu encolho tanto, para endurecer o pranto, eu sou assim”. Thatcher fez-me refletir sobre a Thatcher que habita em mim.
 

The Iron Lady (Inglaterra - 2011)

Drama, Biografia - 105 min - 12 anos

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1 comentários :

Mirian disse...

Assisti e gostei, adorei o discurso dela qdo foi pedida em casamento...fiquei com lágrimas nos olhos,pq entendo MT....