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"Só uma coisa morta segue a correnteza. Tem que se estar vivo para contrariá-la."
G.K. Chesterton

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domingo, 1 de janeiro de 2017

Mãe de Deus, Mãe de nossa salvação

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A Igreja deseja que todo filho se salve e chegue a conhecer a plenitude da verdade. Esta verdade, caminho de salvação de todo homem, é Jesus Cristo, pois ele é o princípio e o fim de tudo aquilo que foi criado; ele existia junto do Pai antes de todos os séculos e foi enviado pelo Pai para que a obra da redenção humana se cumprisse.
Jesus Cristo é a Palavra do Pai, é o Verbo de Deus que se fez homem e habitou entre a humanidade. Para que tal obra beatífica acontecesse, Deus se utilizou de uma mulher: era preciso que o Filho de Deus fosse nascido de um ventre humano. Essa mulher, simples e humilde, que exclamou o mais profundamente existencial “eis-me aqui”, é Maria, a virgem de Nazaré.
Aqui está um dos belos pontos da fé católica: Maria, sendo escolhida para ser mãe do filho de Deus torna-se também mãe de Deus, pois o Filho é Deus com o Pai!
Esta não é uma simples opinião da Igreja, mas uma verdade da fé: acreditamos pois assim Deus o fez para a nossa salvação. Para que Jesus chegasse a realizar a redenção humana, era preciso que nascesse de mulher, e esta mulher, sendo mãe de Jesus, é mãe de Deus. Eis o dogma!
Dogma não é um peso ou algo impassível de reflexão, mas é uma verdade salvífica, o modo pelo qual a Igreja encontrou para formalizar as máximas do amor de Deus comunicadas para a humanidade. Dogmas são bênçãos que precisamos utilizar para nossa própria salvação!
O dogma de que Maria é Mãe de Deus (Theotókos, em grego), foi definido pelo Concílio de Éfeso, no ano de 431. A partir da realidade da maternidade divina de Maria, todas as outras verdades sobre ela encontram seu fundamento. É uma sublime missão que adornou de forma esplendida uma simples mulher que se abriu à salvação desejada por Deus. 
Maria não é Deus, mas porta Deus ao mundo: é a filha predileta do Pai e sacrário do Espírito Santo. Ao superar todas as outras criaturas por essa graça exímia que recebeu é digna de louvor, admiração e imitação. Que o nosso “sim” de cada dia seja como o de Maria, para a glória de Deus e nossa salvação.
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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Céu e terra trocam seus dons - Reflexão de Natal

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A oração sobre as oferendas da Missa da noite de Natal traz uma profunda riqueza espiritual; a verdade do Natal é dita de forma simples quando anunciamos que na noite de hoje “o céu e a terra trocam seus dons”, seguida de um pedido para que Deus nos dê a graça de “participar da divindade daquele que uniu a vós nossa humanidade”.
O céu é a morada do Altíssimo, de lá Ele se levanta para trazer a libertação a seu povo oprimido na terra[1], enviando seu próprio filho, Deus de Deus e Luz da Luz. Não há falso deus que resista, não há treva que suporte o estupor daquele que sendo Deus ilumina cada recôndito da dimensão humana. Deus mesmo se dá, ele se faz dom. Dom é presente, dádiva, uma doação gratuita, desinteressada, livre de negociações escusas como tão comumente conhecemos hoje. Há gratuidade em Deus!
Quando céu e terra trocam seus dons, o céu oferece Deus e a terra, a humanidade. Deus abraça a humanidade e toma a carne miserabilizada pelo pecado, mas sempre dignificada pela sua criação. O céu oferece tudo aquilo que é, início e fim, a eternidade infinita, e a terra concede a possibilidade da finitude, as marcas do tempo, a matéria que encontra ocaso. E neste belo encontro, do Espírito com o ventre da mulher, uma explosão de vida, a certeza da realização de toda esperança: Emanuel! Deus conosco!
E se os dons são trocados, não podem terra e céus permanecerem indiferentes a este divino intercâmbio: nós participamos da santidade divina, pois o divino tomou para si nossa humanidade. A consequência é a santificação do homem: o indefeso menino de Belém torna viva a possibilidade de nos tornarmos santos como Deus é santo.
Eis o modo de operar de Deus: contrariar toda a lógica humana! O Deus que desce! Neste mistério luminoso, ao qual damos o nome de Natal – nascimento. Deus toca nossa ferida e nos faz perceber uma verdade de sua imprevisibilidade: ao curvar-se, Deus, que é amor, se humilha. O amor é humilde!
O profeta Isaías[2] anunciava o triunfo da estranha lógica de Deus com a vinda do Messias na humildade, lembrando que o julgo opressor, a carga sobre os ombros, o orgulho dos soberbos, as botas dos violentos, tudo será devorado pelas chamas, tudo será restaurado, não pela força que conhecemos, mas pelo Deus forte que é um menino. Estranha lógica de Deus: a força do mundo em um menino.
A força de Deus não é outra coisa a não ser justiça e santidade eternamente. Tudo isso é realizado pelo amor de Deus, o amor que dá novo sentido, o amor humilde. O amor de Deus não é como o nosso. Não podemos medi-lo por nós mesmos, pois nos decepcionaríamos: nossa medida é limitada, mas a de dEle é infinita. E a essa medida precisamos imitar: destruir o que oprime, sufoca, humilha, destruindo o orgulho que impede de amar como Deus ama: na simplicidade.
Se Isaías anuncia e a aguarda a primeira vinda do Salvador, São Paulo[3] nos atém à segunda vinda, aquela que ainda há de vir. A mensagem do apóstolo é a mesma do profeta: Deus nos trouxe a salvação, e por isso nós precisamos abraçar esta salvação, abandonando aquilo que não faz parte do intercâmbio de dons: aquilo que não é de Deus. Traduzindo as palavras do apóstolo, o povo que vive o Natal é um povo que se dedica a praticar o bem. O bem não acontece se não se ama. Se não se ama com humildade.
O Evangelho, por sua vez, narra a cena do Natal. E diante dela, nos coloca o questionamento central desta festa: o que celebramos hoje?
Quando olhamos em volta veremos inúmero motivos para não comemorarmos o que quer que seja. Gritos de angústia, lágrimas de infelicidade, gemidos de humilhação. O mundo gira e com ele um mar de coisas que querem nos afastar de Deus a cada dia. A cada sol nascente, uma tentação crescente. E até parece que Deus não quer nos falar.
No entanto, no Natal, Ele fala. Não por muitas palavras, mas por uma única: seu Filho, o Verbo Encarnado, deposto em uma manjedoura, afinal, o amor é humilde. No Natal, a Palavra única de Deus nos lembra qual o motivo de o celebrarmos: quando o divino toca o humano e o fecunda, encontramos sentido para nossa existência, pois Deus compartilha dela.  É ele que se dispõe a estar conosco, viver conosco, sofrer conosco, ser humilhado conosco e morrer conosco. Ele não é um Deus espectador, mas um Deus conosco!
No Natal celebramos o homem que encontra sentido em sua vida, pois Deus está nela. O Natal ensina que vale a pena acreditar. Que é possível mudar, que é possível renascer, começar de novo, dar nova chance, fazer diferente. E tudo isso não é teoria, pois Deus não é teoria. A novidade do Natal é a possibilidade do homem ser novo na prática de cada dia, na humildade do amor, no amor humilde.
Hoje, vamos dar um passo a mais. Qual será o seu?
Hoje, tenhamos a coragem de tocar Deus ao tocarmos o ser humano, como fizeram céu e terra quando trocaram seus dons.



[1] Sl 75,10.
[2] Primeira Leitura – Is 9,1-6.
[3] Segunda Leitura – Tt 2, 11-14.
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Donald Trump 2016

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A vitória de Donald Trump é muito maior do que parece. Não é a vitória de uma ilusão vendida ao povo do interior nem o fim do mundo, como tantos meios têm pintado por aí.
Trump presidente é a derrota da esquerda: além da Casa Branca, os republicanos levam maioria entre os Senadores e Deputados. A Argentina passou por momento semelhante, o Brexit evidenciou tal fato no Reino Unido, logo acontecerá na França e no Brasil. Esse levante à direita é uma resposta ao projeto falido do socialismo pelo mundo, que durou até durar o dinheiro alheio, como lembrava a Baronesa Thatcher. O dinheiro acabou, a sórdida gastança já incomoda. E o povo sonha em ser grande novamente, ou pela primeira vez.
Trump presidente é a derrota da grande mídia: todos caíram com suas pesquisas e projeções furadas, desde a CNN até o NYT. Aqui no Brasil, Globo, Veja (que chegou a anunciar o super favoritismo de Jeb Bush algum tempo atrás) e todos os dominados pela esquerda (desde jornalistas até supostos intelectuais), erraram feio, pois apostaram no que há de pior. Por outro lado, como sempre, Olavo de Carvalho teve razão e Filipe Martins ( https://www.facebook.com/filipe.garcia.5621 ) foi o grande nome na leitura dos sinais americanos. Fica uma dica: quer entender o que está acontecendo? Leia Olavo de Carvalho e fuja já de Reinaldo Azevedo!
Trump presidente é a derrota dos mais grotescos ideais morais: Hillary era apoiada por conglomerados que manipulam a vida, que debocham da crença, que tenta comprar a Igreja, que se utilizam de satanismo para vencer. É a derrota de George Soros, o cacique nefasto, financiador de abortos e máquinas fraudadas. É a derrota da nova ordem mundial ou, ao menos, é o sufocamento de algum de seus tantos tentáculos.
Trump não é burro. É falastrão, é caricato. Mas burro não é. Não é a iminência da III Guerra Mundial. Seria se Clinton estivesse no poder. É o líder do século XXI.
O basta à manipulação de consciências e à deformação ideológica ganha força e forma com Donald Trump. Para o desespero dos vermelhinhos financiados pelo estado e seus fiéis seguidores lobotomizados de olhos vendados.
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Olhos da coragem

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“Quando perdi a visão, Werner – continuou ela – as pessoas disseram que eu era corajosa. Quando meu pai foi embora, as pessoas disseram que eu era corajosa. Mas não era coragem; eu não tinha escolha. Acordo todos os dias e vivo minha vida. Você não faz a mesma coisa?” (p. 468)

Se Liesel Meminger me ensinou a notar as cores, e sua precedência sobre tudo, Marie-Laure Leblanc me tomou pela mão fazendo-me perceber o perfume de tudo o que tem cor, inclusive o cheiro da escuridão. Por duas crianças, unidas pela mesma guerra, aprendi a sensibilidade do tênue ligame entre vida e morte, sorriso e lágrima. Depois de imerso no mundo protagonizado pela ceifadora senhora morte através de páginas tão delicadas e despretensiosas, volto à realidade com uma certeza: o homem precisa ir além daquilo que vê, precisa amar!
Antes de tudo, “Toda luz que não podemos ver” é um livro leve, mesmo carregando órfãos, nazistas, bombas e sangue. Mas também leva consigo uma sardentinha perspicaz, curiosa e sonhadora, que consegue ver toda cor além de toda escuridão e toda esperança além de todo desespero.
De um lado, de Paris a Saint Malo, temos a sensibilidade de Marie-Laure, de seu papa custódio das chaves do museu, uma voz sempre a lhe guiar, e o tio Etinne, a figura que se deixa transformar pela resiliência de sua sobrinha-neta.
No entanto, no outro lado da moeda temos os cabelos brancos como a neve de Werner, honesto, amigo, órfão, gênio! Mas tudo isso fica pequeno diante de sua compaixão, desde quando do lado de Jutta, passando pelas escolas nazistas, até ter sua vida diante da vida de Marie-Laure.
Sem mais anunciar aquilo que Anthony Doerr trouxe magistralmente nas 526 páginas, em uma viagem nas ondas dos rádios, nos porões e na busca por um diamante, o livro é um bilhete de embarque para uma viagem que apesar de tudo tem uma só cor, de esperança, que pode ser vista pelos olhos da coragem e que dá sentido a toda luz, vista ou não.
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segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Epifania do Senhor

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Sabemos que os magos vindos do oriente não eram três e nem eram reis. No entanto, temos a certeza que o itinerário dos magos, que procuravam o cumprimento da profecia e o motivo da grande estrela nos céus, é igual ao nosso itinerário: um caminho rumo à verdade, um ir até Deus.
Três são as atitudes dos magos que nos inspiram e nos motivam à imitação:
1.       DESEJAR – Os magos não se dirigiram a Belém por caridade ou por devoção piedosa, mas movidos por um desejo. Desejavam a verdade, mesmo não sendo do povo de Israel ou não sendo crentes. Da mesma forma, dentro de nós habita um desejo de plenitude, um desejo do eterno, um desejo do infinito. Desejar a Deus é já descobri-lo, e se descobrimos uma presença, precisamos caminhar para ela!
2.       CAMINHAR – Sabemos bem que Deus não se esconde, mas sempre se deixa encontrar. No entanto, só é encontrado por aquele que deseja encontra-lo, buscando e esforçando-se. Nossa vida é caminhar, a exemplo dos homens do Oriente. Foram eles inspirados pelos céus, a criação divina, e pela profecia, a palavra divina. E quando se depararam com Herodes no meio do caminho, fora a Criação e a Palavra a não permitir que as trevas do tirano tomassem conta de seus corações. No nosso peregrinar humano, o que nos sustenta e afugenta as trevas da existência é sempre o amor ao Deus da Vida e a prática de sua Palavra!
3.       ADORAR – Adorar não é somente submeter-se a um outro, prostrando-se diante de seus pés, mas deixar tudo de si diante do adorado, tomando para si a vida adorada. Diante de Deus feito menino, feito frágil e muito humano, assumir a face de Deus! A nossa maior adoração é o abandono de nossas mesquinhas certezas cristalizadas em favor da única verdade. O que doamos a Deus? O que trazemos dele em nós? Como os magos voltaram diferentes do encontro com o Menino Deus, assim também nós precisamos voltar outros da nossa adoração cotidiana a Deus.

Reza antiga lenda que havia um quarto mago, portador do presente da paz. Entretanto, não conseguiu chegar até Belém e Jesus, só recebendo os três conhecidos dons, ficara muito sentido por não receber a paz. Contam que o quarto mago atrasara-se por ter sido sempre parado por pessoas atribuladas, infelizes, desesperadas, em busca de paz. Por fim, contam que esse mago ainda anda por aí. Você já o encontrou? Quando DESEJAMOS, CAMINHAMOS e ADORAMOS a Deus, vivemos em Paz!
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