Bem vindo ao Diálogo Vivo!

"Só uma coisa morta segue a correnteza. Tem que se estar vivo para contrariá-la."
G.K. Chesterton

Smiley face

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Olhos da coragem

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“Quando perdi a visão, Werner – continuou ela – as pessoas disseram que eu era corajosa. Quando meu pai foi embora, as pessoas disseram que eu era corajosa. Mas não era coragem; eu não tinha escolha. Acordo todos os dias e vivo minha vida. Você não faz a mesma coisa?” (p. 468)

Se Liesel Meminger me ensinou a notar as cores, e sua precedência sobre tudo, Marie-Laure Leblanc me tomou pela mão fazendo-me perceber o perfume de tudo o que tem cor, inclusive o cheiro da escuridão. Por duas crianças, unidas pela mesma guerra, aprendi a sensibilidade do tênue ligame entre vida e morte, sorriso e lágrima. Depois de imerso no mundo protagonizado pela ceifadora senhora morte através de páginas tão delicadas e despretensiosas, volto à realidade com uma certeza: o homem precisa ir além daquilo que vê, precisa amar!
Antes de tudo, “Toda luz que não podemos ver” é um livro leve, mesmo carregando órfãos, nazistas, bombas e sangue. Mas também leva consigo uma sardentinha perspicaz, curiosa e sonhadora, que consegue ver toda cor além de toda escuridão e toda esperança além de todo desespero.
De um lado, de Paris a Saint Malo, temos a sensibilidade de Marie-Laure, de seu papa custódio das chaves do museu, uma voz sempre a lhe guiar, e o tio Etinne, a figura que se deixa transformar pela resiliência de sua sobrinha-neta.
No entanto, no outro lado da moeda temos os cabelos brancos como a neve de Werner, honesto, amigo, órfão, gênio! Mas tudo isso fica pequeno diante de sua compaixão, desde quando do lado de Jutta, passando pelas escolas nazistas, até ter sua vida diante da vida de Marie-Laure.
Sem mais anunciar aquilo que Anthony Doerr trouxe magistralmente nas 526 páginas, em uma viagem nas ondas dos rádios, nos porões e na busca por um diamante, o livro é um bilhete de embarque para uma viagem que apesar de tudo tem uma só cor, de esperança, que pode ser vista pelos olhos da coragem e que dá sentido a toda luz, vista ou não.
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segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Epifania do Senhor

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Sabemos que os magos vindos do oriente não eram três e nem eram reis. No entanto, temos a certeza que o itinerário dos magos, que procuravam o cumprimento da profecia e o motivo da grande estrela nos céus, é igual ao nosso itinerário: um caminho rumo à verdade, um ir até Deus.
Três são as atitudes dos magos que nos inspiram e nos motivam à imitação:
1.       DESEJAR – Os magos não se dirigiram a Belém por caridade ou por devoção piedosa, mas movidos por um desejo. Desejavam a verdade, mesmo não sendo do povo de Israel ou não sendo crentes. Da mesma forma, dentro de nós habita um desejo de plenitude, um desejo do eterno, um desejo do infinito. Desejar a Deus é já descobri-lo, e se descobrimos uma presença, precisamos caminhar para ela!
2.       CAMINHAR – Sabemos bem que Deus não se esconde, mas sempre se deixa encontrar. No entanto, só é encontrado por aquele que deseja encontra-lo, buscando e esforçando-se. Nossa vida é caminhar, a exemplo dos homens do Oriente. Foram eles inspirados pelos céus, a criação divina, e pela profecia, a palavra divina. E quando se depararam com Herodes no meio do caminho, fora a Criação e a Palavra a não permitir que as trevas do tirano tomassem conta de seus corações. No nosso peregrinar humano, o que nos sustenta e afugenta as trevas da existência é sempre o amor ao Deus da Vida e a prática de sua Palavra!
3.       ADORAR – Adorar não é somente submeter-se a um outro, prostrando-se diante de seus pés, mas deixar tudo de si diante do adorado, tomando para si a vida adorada. Diante de Deus feito menino, feito frágil e muito humano, assumir a face de Deus! A nossa maior adoração é o abandono de nossas mesquinhas certezas cristalizadas em favor da única verdade. O que doamos a Deus? O que trazemos dele em nós? Como os magos voltaram diferentes do encontro com o Menino Deus, assim também nós precisamos voltar outros da nossa adoração cotidiana a Deus.

Reza antiga lenda que havia um quarto mago, portador do presente da paz. Entretanto, não conseguiu chegar até Belém e Jesus, só recebendo os três conhecidos dons, ficara muito sentido por não receber a paz. Contam que o quarto mago atrasara-se por ter sido sempre parado por pessoas atribuladas, infelizes, desesperadas, em busca de paz. Por fim, contam que esse mago ainda anda por aí. Você já o encontrou? Quando DESEJAMOS, CAMINHAMOS e ADORAMOS a Deus, vivemos em Paz!
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terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Presentes de Natal

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Já é costume de nossa sociedade ocidental a troca de presentes no Natal. Bem sabemos que não é este o sentido original da festa religiosa que o comércio tomou para si como carro chefe, no entanto, queremos refletir justamente sobre a questão dos presentes que iremos ganhar neste final de ano.
Dias atrás tive um sonho. Estava eu em um Natal diferente, onde as pessoas costumavam não pagar pelos presentes, mas os recebiam gratuitamente. Perguntei então qual era a lógica de tudo aquilo e alguém me respondeu:
- Aqui é tudo muito simples: você recebe aquilo que você deu! Quando chega essa época, se você distribuiu amor no ano inteiro, você recebe amor. Se você perdoou, você recebe perdão. Se você acolheu, você ganha acolhida. Se você foi misericordioso, misericórdia será seu mimo. E não para por aí: o tamanho de cada presente é proporcional ao nível teu de gratidão. Por isso, aqui geralmente recebemos na intensidade que agradecemos. Já pensou o que você receberia hoje pelo que agradeceu ontem?
Acordando do sonho misterioso, percebi que o sentido do natal era realmente este: não o império do dinheiro, mas o domínio da bondade e da gratuidade! De fato, se o natal é a festa do nascimento de Jesus, o próprio Deus que veio ao mundo para que todos tivéssemos vida, nada mais justo que nosso natal fosse marcado pela realidade das coisas boas que fizemos. Não tem sentido celebrar o natal no meio de brigas, divisões, falta de perdão, ódio e desavenças. As luzes natalinas de nada valem se a luz que é Jesus, e seus ensinamentos, não brilham acima de todas as outras.
É este o desafio para assumirmos nas festas natalinas deste ano, sobretudo no seio de nossas famílias: vamos colocar Papai Noel aos pés de Jesus no presépio! Ou seja, cultivemos a cultura de amar mais com gestos de bondade que com presentes comerciais. Coloquemos cada coisa em seu lugar e logo veremos que vivendo o verdadeiro sentido do natal, e seus presentes, nossa família tem a verdadeira paz.

Abençoado Natal a todas as famílias!
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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

André: aquele que não soube explicar tudo

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Doce é a figura de André, que nada guarda para si diante do Mistério. Além disso, é a ponderação que faltava ao seu tempestuoso irmão, Pedro, mas sempre pressuroso ao contemplar a novidade anunciada por João Batista, a promessa de Deus que se figurava carne ali, diante de seus olhos tão humanos.
André é discreto e o segredo de sua mística não está em ser o primeiro a ver o “Cordeiro de Deus”, mas em saber o que fazer diante do Tudo. Eis o que me impressiona em André: ele não conseguiu explicar tudo, e não conseguindo arrastou o irmão até a origem de seu estupor! “E conduziu-o a Jesus!” eis a nota do quarto evangelista, que não narrou nada além disso, nenhum detalhe a mais, nenhuma nuance expressiva, mas simplesmente atestou a pressa e a prontidão em comunicar aos outros o encontro que mudara sua vida! André sentiu que aquilo era para ele, e partiu em busca da novidade, a novidade que leva ao encontro, encontro que faz com que o homem perceba que existe resposta ao seu coração!

“Encontramos o Messias”! Eis a fonte da santa afobação e da alegria de seu anúncio: uma pessoa e um encontro, um testemunho e um anúncio! Eis a missão do discípulo: diante daquilo que simplesmente É, não são necessárias muitas palavras ou ricas explicações, mas a explicação de tudo, não feita por André, é totalmente perfeita porque é caminho de discipulado. Não precisamos compreender tudo, precisamos seguir o Tudo, assim nossa vida não será mais uma coisa nossa. Assim não duvidaremos sequer um momento.
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segunda-feira, 20 de julho de 2015

A diabólica “Ideologia de gênero”

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A palavra “diabo” vem do grego diabolos, que quer dizer acusador, divisor, intransigente. Não por acaso o anjo decaído foi chamado de diabo, por ser ele o causador de discórdia e divisão. No Novo Testamento a palavra diabo aparece 34 vezes, identificando, em geral, um poderoso inimigo de Jesus Cristo e por Nosso Senhor vencido. Tudo aquilo que causa divisão é por fim diabólico.

Também diabólica é a “Ideologia de gênero”, que muito tem se falado em nossos dias, mais uma artimanha do inimigo que se utiliza, sobretudo, do meio político para implantar neste mundo seu obscuro reinado de divisão e de destruição da família e da pessoa humana. Mas o que é essa “Ideologia de gênero”?

Em palavras simples, esse movimento afirma que cada um nasce sem sexo definido: não existe sexo masculino ou feminino, simplesmente há o indivíduo, que escolherá, quando adulto, se é homem ou mulher. Portanto, defende um esvaziamento jurídico do conceito de homem e mulher, afirmando que o sexo biológico é apenas um dado corporal, que causa uma ditadura da qual o indivíduo se deve libertar pela composição de um outro gênero, conforme a cultura de seu tempo ou com a educação recebida.

Por isso que os ideólogos de gênero estão tão interessados em impor nos planos de ensino, seja nacional, estadual ou municipal, a agenda do gênero: sabem que a família é o núcleo central da sociedade, onde o indivíduo realiza-se como pessoa na intimidade do amor, e assim, doutrinando as crianças nesta nefasta ideologia, elas começariam uma ‘revolução’. Seria o fim da família e da própria pessoa, reduzia a um objeto de interesses.

Eis um dos riscos deste movimento que é muito mais que uma simples ideologia: a destruição da família, que tem seu fundamento na união estável entre homem e mulher. Para os ideólogos do gênero, tudo é visto como uma batalha de poder entre homem e mulher, assim, sendo essa diferença a causa do problema, elimina-se a diferença! E tudo isso patrocinado pelo atual poder federal constituído em nosso país, de inspiração marxista.

Como homens e mulheres batizados, tementes a Deus, devemos nos lançar em defesa do ser humano e da família! “Homem e mulher Deus os criou” (Gn 1,27): distorcer os planos de Deus nunca levou o ser humano à felicidade, pelo contrário! Precisamos nos aprofundar mais nos ensinamentos cristãos, buscar formação e fortalecer nossa espiritualidade. Contra os planos diabólicos de divisão e destruição da obra de Deus, apresentemos nossas armas: “Eis vitória que vence o mundo, a nossa fé” (1Jo 5,4).


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