domingo, 13 de dezembro de 2009

Um comentário :
VIGESIMUS ANNUS


Cantai louvores ao Senhor, todas as gentes, povos todos festejai-o!
Pois comprovado é seu amor para conosco, para sempre ele é fiel!
Sl 116

1. Observações proeminentes

A nossa vida é, indubitavelmente, recheada de perguntas. Defrontamos-nos durante nosso caminhar com interrogações fundamentais, sejam elas naturais da própria existência e de seu desenrolar ou dúvidas secundárias, criadas por nossa mente, que não rendem tanto quanto as primeiras. Contudo, essas perguntas, nobres ou frívolas dentro da grandiosidade do universo humano e além do nosso tato, são fundamentais para um verdadeiro descobrimento do próprio ser e de sua interpretação. São também caixas enigmáticas. E suas respostas, se as encontramos, auxiliam na arte de viver. Todavia, o mais importante é o esforço a que somos submetidos quando buscamos estas respostas, como que chaves para a abertura de portas. O que não pode é
cruzarmos os braços e tornar-nos indiferentes quanto a essa busca. Buscar respostas, eis uma grande tarefa. Tarefa que me lanço e que paro somente para refletir sobre a minha busca nestes anos todos.

Ao completar dezenove anos de vida e entrar no vigésimo ano de minha existência, é inevitável que eu me complete de perguntas. Algumas, aquelas que sempre fiz. Outras, novas, com novos significados, apontando para um horizonte antes desconhecido. Tudo isso, levado pelo tempo. Misterioso tempo, que nos conduz da infância até a maturidade em um estalar de dedos. Irônico tempo. Da mesma forma como o ventre materno nos expulsa quando se completa nosso tempo e nós ainda despreparados somos lançados ao mundo, pisamos na vida adulta ainda incapazes. Não por falha humana, falha nossa, de nossos genitores, mas pelo simples fato de que somos humanos, e nos apegamos sempre mais àquilo que nos traz maior prazer e conforto.


Às perguntas “quem sou eu?”, “de onde onde vim, aonde vou?”, somam-se muitas outras, mas neste momento importante, principalmente aquela: “o que fiz até agora?”, e cruzando o limiar do tempo, a cada passo, a cada ano, a cada ampulheta virada, porque não dizer que também nos perguntamos: “quanto tempo me resta?”.Ao pisar no primeiro dia, ao iniciar a vivência do meu vigésimo ano de vida, interrogo-me também. E sigo buscando essas respostas. Entretanto, o que pode parecer difícil ou custoso, torna-se leve e proveitoso quando contamos com um auxílio sobre-humano. O Altíssimo nos ajuda nessa caminhada que, no fim das contas, tende a Ele.

Por isso, nesta data natalícia, dia de agradecimento e reflexão, elevo minha ação de graças ao Pai de todas as luzes por ser minha companhia constante. Peço que Sua mão pese sempre sobre mim, para que nos momentos em que eu me interrogar, eu ouça a Sua voz a me responder e o caminho indicar. Peço que o Cristo, Pastor e Mestre, me ajude sempre a ser útil, a Ele e aos homens, a começar nas pequenas causas, no amor e pelo amor. E que o Espírito Santo me auxilie, com sua Inspiração, a viver buscando a santidade na Sua força. E também aos meus pais, que há mais de 19 anos plantaram uma semente, sempre cultivando-a com estima inigualável.

Concluo essa brevíssima e ínfima reflexão pessoal pensando em uma resposta para tudo isso. Nada surge. Enigmática mente humana, incompreensíveis desígnios divinos! Termino esta, enfim, entregando a minha existência nas mãos de Maria, Mãe de Deus e nossa: “Totus Tuus”! Sou todo seu, Mãe, e tudo o que é meu é seu. O meu presente “Ad Infinitam Dei Gloriam”. E meu futuro
“In manus tuas”. De onde vim, para que vim, o que fiz, e o que farei no tempo que me resta, coloco nas mãos de Deus. Afinal, Voluntas Dei Pax Nostra.


"Que é a nossa vida? Um vapor que aparece por um instante para logo se desvanecer." (Tg 4, 14)
Dado em Cornélio Procópio, 14 de dezembro de 2009. Memória de São João da Cruz. Dia de minha 19ª natividade.



Edvaldo Betioli Filho
Noviço da Sociedade do Apostolado Católico
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ENEM

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Nos dias 05 e 06 de dezembro aconteceu o Exame Nacional do Ensino Médio. Querendo inovar na forma de avaliar os candidatos ao ensino superior, o Ministério da Educação errou mais uma vez. Ao propor um “novo” ENEM, tudo não passou de um teste de resistência, e não de raciocínio ou conhecimento como era a intenção, ao nos lançar um número de questões desproporcionais ao tempo, sem comentar a sua credibilidade em queda – basta ver os índices de abstenção.
Fica aqui meu protesto, que se une às manifestações de milhares de candidatos. Não é assim que se faz uma educação de qualidade. E todos nós sabemos que para um país melhor, melhor deve ser, primeiramente, a educação.

Transcrevo aqui a redação que escrevi no ENEM, acerca do amplo tema: “O indivíduo frente a ética nacional” (apresentando proposta de ação social). Com o espaço limitado, tentei inculcar nestas linhas certa acidez frenquente neste blog. Temeroso para não sair dos parâmetros exigidos, não sei se consegui.
Fica o espaço livre para vossas correções, apontamentos e observações. Qualquer semelhança desta redação com outros artigos aqui já publicados, são semelhanças que partiram de uma mesma mente.



O exemplo que não vem.


Um velho ditado latino que se tornou parte do vocabulário e da sabedoria popular diz que um exemplo move mais que diversas palavras. E de fato, é na cultura do povo que encontramos respostas às nossas próprias interrogações quando nos colocamos diante de intrigantes fatos sociológicos, como por exemplo, a situação do ser humano do hoje frente a ética e a moral.

É necessário, primeiramente, saber o porquê dos homens estarem afundados em uma inércia, um acomodamento assustador para que soluções sejam desenvolvidas e atitudes sejam tomadas. E para isto, basta voltar os olhos à história, fiel testemunha e cúmplice ocular. Não será difícil perceber que o povo acabou tornando-se refém dos benefícios dos governantes, dos mesmos que subestimam os governados, subjugando-os. Assolados por uma onda de populismo, onde medidas insuficientes são maquiadas de grandes realizações, o povo acomodou-se com uma política que venda os olhos e nos faz lembrar o “pão e circo” dos romanos.

Contudo, agrava essa situação quando se torna fácil cometer atos ilícitos: desviar, extorquir, roubar, superfaturar tornou-se tão comum quanto corriqueiro. Assim, a classe alta torna-se passível de tentação, pois está próxima do caixa público e a classe pobre vira vítima de um comodismo até certo ponto justificável do “rouba, mas faz”. E a classe média, de onde vieram os saudosos cara-pintadas do fim do século passado, está acometida pela falta de exemplo e também pelo acomodamento originário das facilidades de um mundo que está a um clique de distância e modernizando-se a cada minuto.

Mas então, qual seria a proposta para solucionarmos isso? Esta deveria partir da conscientização individual dentro de uma coletividade instruída por uma nova cultura, a partir de uma reforma política e educacional séria e irrestrita, e, sobretudo, de exemplos imaculados à nossa frente, guiando-nos, como verdadeiros líderes. Todavia, não encontramos, como não temos, aquilo de que mais carecemos. Somos levados a crer que propostas não são prenúncio de solução, e que nem ao menos a boa intenção é sinal mínimo de efetiva transformação.

A solução está na consciência, do povo, com o povo e para o povo, o mesmo que possui uma rica cultura inata. Mas fazer essa consciência despertar, fazer brotar essa semente do discernimento parece a essa altura missão impossível. Se a ciência dos homens não apresenta solução, resta-nos apelar ao além do físico. Talvez o transcendente, como suplicantes que somos, nos ajude.


Cornélio Procópio, 06 de dezembro de 2009

Edvaldo Betioli Filho
Noviço da Sociedade do Apostolado Católico
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