domingo, 14 de dezembro de 2008

Natal

Um comentário :
Qual é a lógica do sistema?
Um conto natalino

Saia fumaça pela chaminé enferrujada que jazia naquele telhado comum entre aquelas casas. A chaminé sim era algo incomum sendo da vizinhança a única. Havia caído em desuso, ainda mais quando a tecnologia tomava conta e se alastrava como uma peste incontrolável, que desta vez ao invés de quererem freá-la todos queriam e procuravam dissemina-la. Não entremos nas particularidades e conseqüências trazidas pela tecnologia. Isso talvez não nos compita neste momento, afinal, a família Silva e Silva tradicionalmente preparava sua ceia natalina no entardecer do dia 24 de dezembro. Ou parte dela.

Compreenda de princípio que nem todos os sistemas são perfeitos.

A família Silva e Silva era uma família que caracterizam hoje como família comum, embora não goste deste termo, usemo-lo para que a história desenrole-se normalmente. O pai, homem esforçado, preparava o tempero para a carne que esperava inerte dentro da gamela sem retirar a atenção da torta de maçã que estava sendo assada no forno. A torta, a mesma receita de sua mãe. A carne, o mesmo modo de preparo de sua avó. Tudo para ele possuía um significado especial e queria que este natal fosse o marco da mudança. Não poupou esforços. Buscava a felicidade. Pedira folga do trabalho especialmente para preparar o jantar para os filhos e esposa.

Compreenda agora que todo sistema tem um objetivo, talvez nós demoremos em encontrá-lo.

O filho mais velho não estava em casa. Era possível contar nos dedos de uma mão a quantidade de dias que ele jantava com a família. O pai exigia que nesta data ele estivesse presente, mas as exigências paternas já estavam sem nenhum poder. Culpavam a idade. Mas ela não era a real culpada. A culpa? A família, no âmago relacional, sabia de quem era a culpa e preferiam ocultar a se expor a um desgaste maior do que o já existente. A falta de diálogo familiar era o agente corrosivo que insistia em destruir o cabo que sustentava aquela família, forçadamente, unida.

A filho mais novo, ainda permanecia ao lado do pai. Pode-se culpar também a idade por isso, mas era benéfico tal fator. Era o apoio paterno, quando ele deveria se apoiar no pai neste período conturbado da passagem da infância para a adolescência.

A mãe, enfim, era o maior problema da família. Depois de anos trabalhando atrás de uma escrivaninha, sempre de cabeça baixa, decidiu largar tudo. E literalmente largou inclusive a família. Chegou certo dia dizendo que tinha um novo negócio, secreto e discreto, que traria muita renda e pouco suor. Sua vida familiar começou a declinar quando se perguntou qual era o sentido de tudo. Encontrou, algum tempo depois, o sentido em um pó branco.

O relógio que pendia na parede cravava nove horas da noite. Mesa arrumada com a melhor toalha, pratos alinhados com os melhores talheres que possuíam. O pai olhou tudo o que tinha preparado. Sentia-se impotente ao ver sua mesa vazia, não de alimento ou bens, mas de amor. Entretanto, abriu um sorriso quando viu entrar pela porta da cozinha o filho mais velho, cabelo penteado, roupas limpas, expressão filial. Sentaram-se os três na mesa. Esperariam ali mesmo a chegada da mãe. Não sabia em que momento surgiria de seus devaneios urbanos. Cada um de cabeça baixa. Não tinham ânimo nem ao menos de puxar uma conversa, estabelecer um diálogo. Mas o silêncio poderia ser interpretado: a que ponto chegara esta família, incrivelmente desfalecida em plena noite de Natal.

Compreenda agora, estimado leitor, que um sistema consiste de componentes, entidades, partes ou elementos, e que sem os quais o sistema pode gerar problemas.

Antes da revolta da mãe, a família celebrava a noite de Natal sempre da mesma forma. A mãe preparava a ceia, o pai chegava no mesmo horário de costume, sentavam-se à mesa, comiam e dormiam. E ponto. Nesta noite que antecedia o dia 25 de dezembro não havia diálogo, não havia cumplicidade, não havia união. Era tudo muito automático, e essa data, em destaque no calendário era uma data para um jantar com um cardápio diferente. O calendário exibia dia 25 de dezembro como Natal. Naquela família, 25 de dezembro era como os outros vinte e cincos, sem amor, não era Natal.

Compreenda agora que alguns sistemas possuem a propriedade de manter o meio interno estável, mesmo diante de mudanças no meio externo. Alguns possuem. Outros não.

O mesmo relógio já marcava dez horas quando ouviram a porta da frente abrir. Instintivamente, o pai levantou-se e permaneceu em pé ao ouvir aquela mulher entrando e gritando como uma louca. Viu a mãe entrar pela cozinha, com uma expressão mutilada. Não havia ferimentos externos, apenas olheiras e palidez, mas os ferimentos internos pulsavam. Ela gritava.

- Que gente careta. Reunidos para que? Chega de toda aquela farsa que sempre existiu, de sentarmos ao redor desta mesa e vivermos como se tudo estivesse bem, como uma família. Você, que se diz o pai, nunca soube me valorizar. E vocês, que se dizem filhos, são apenas sanguessugas – aumentou significativamente o tom de voz - Qual a lógica de tudo isso? Qual a lógica do sistema? Parem... – e o pai não suportando mais ouvir todo aquele mar de ofensas começou a falar, quase que gritando, para que ela se calasse e ouvisse.

- Primeiro você respeite este ambiente que um dia já foi familiar e que se ao menos você não se sente família, nós nos sentimos – e apontou para os filhos. E sempre há tempo de mudar, sempre há tempo de construir. Sempre há tempo de converter-se. Sempre há tempo de perdoar. Sempre há tempo de pedir perdão. Sempre há tempo de encontrar-se e conhecer-se. Sempre há tempo de estender a mão para doar, para pedir e para acalentar. Sempre há tempo para abrirmos os olhos e enxergarmos o que sempre nos foi oculto. Sempre há tempo para corrigirmos erros. Sempre há tempo para desobstruirmos caminhos. Sempre há tempo para edificarmos pontes. Sempre há tempo para levantarmos bandeiras. Sempre há tempo para viver. Sempre há tempo para amar. Sempre há tempo... – baixou os olhos, segurou as lágrimas, ergueu a cabeça e olhou fixamente nos olhos da mulher – sempre há tempo de celebrarmos o verdadeiro Natal. Sempre há tempos de sermos família! Sempre há tempo...

Estava agora realmente abalado, mas aliviado. Desabafara. Sentou-se novamente e esperou que apenas sua mensagem tocasse o coração, a alma da esposa.

Os filhos estavam como em estado de choque ao acompanharem toda aquela discussão. Não tinham coragem de, novamente, levantarem a cabeça. A mãe, atônita, petrificada, paralisada, estava como alguém que acabara de levar uma surra. Sentou-se na única cadeira vaga da mesa. Pendeu a cabeça sobre as mãos e chorou. Chorou como uma criança. Soluçou. E como se uma luz a iluminasse, como se uma força a impelisse, colocou a mão por sobre o ombro do filho mais velho que estava à sua esquerda e do filho mais novo que estava à sua direita, levantou os olhos, janela da alma, olhou para o marido e disse:

- Sempre há tempo para pensar que a lógica do sistema dever ser amar!

Compreenda, para finalizar, caro leitor que a boa integração dos elementos de um sistema é chamada sinergia, determinando que as transformações ocorridas em uma das partes influenciarão todas as outras.

FIM

Nós somos simples sistemas. Mas que exista em nós a sinergia – efeito do esforço de vários subsistemas na realização de uma tarefa complexa - significando que muito nos esforçamos para amar! E amamos, fazendo do nosso um verdadeiro Natal, uma verdadeira vida. Feliz Natal!

Edvaldo Betioli Filho

Dado em Palmeira, no dia 14 de Dezembro, Terceiro Domingo do Advento, dia de São João da Cruz, Ano do Senhor 2008, dia de minha décima oitava natividade.

Continue Reading...

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Diálogos Compartilhados

Nenhum comentário :
Estimados leitores do 'Diálogo Vivo', o artigo que segue foi-nos compartilhado pelo colega José Macedo, de Portugal, para especial publicação neste blog! Vale a pena ler!!


Natal, um tempo de esperança

Aproxima-se a época de Natal, cuja cultura é de uma beleza e de uma ternura que não tem paralelo no calendario social do ano. É certo que a vida pessoal e social é feita de muitas facetas, de tantas que nem lhe sabemos a conta e todas elas importantes. mas nehuma é tão intima e tão bela como a ternura da época do Natal. Para além da beleza dessa ternura e dessa intimidade, que tornam o Natal humanamente irresistivel ao coração humano. Há ainda um outro aspecto muito importante que faz parte dessa cultura de Natal, a esperança, que nos faz sair para alem dos horizontes de nós mesmos. O Natal é também um tempo de esperança que nos torna mais otimistas.

Não sei esta esperança existencial é apenas fruto da inculturação religiosa ou se um traço comum e estruturante de todas as culturas, como diria Levi-Straus. É verdade que a influência religiosa é muito determinante na cultura. Deva-se (e da-se, penso eu) muita importância ao significado cultural da esperança messianica no tempo que precedia o Natal, o tempo do Advento. Durante séculos o povo Hebreu suspirava pela vinda de um messias que o viesse libertar das suas humilhações. Com imagens poéticas muitos sugestivas, a esperança da vinda do messias era comparada à sede de orvalho que a terra árida (como a deles, na Palestina) tinha.

É literalmente bonita a imagem poetica das manhãs de primavera com as folhas das plantas rasteiras cheias de pequenas gotas de orvalho ao luzir do sol doirado que nasce e que à medida que o calor do sol aumenta, vão desaparecendo para se transformarem em seiva resfrescante dessas mesmas plantas. É conhecida também, como um postal ilustrado de beleza, a imagem poetica das rosas com gotas de orvalho, simbolizando as lágrimas de amor ou os desejos de amor. Quer dizer que não era só o coração humano
que suspirava pela vinda do messias, mas toda a criação, no dizer do épico de Teilhard de Chardin, suspirava pela benção de um orvalho que a revitalizasse. Do desejo pessoal e colectivo de um messias, passa-se a um desejo cósmico: o desejo de uma nova humanidade e de uma nova terra. O desejo de uma felicidade que não se sabe definir, porque não cabe em nenhuma definição.

O que sabemos desta esperança existencial é que ela é patente, ela vive-se e sente-se por altura do Natal por crentes e não crentes, ainda que de formas e representações diversas e apesar da actual perda de praticas religiosas e mesma da perda de sentido de vida. Trata-se de um sentimento forte que continua vivo nos corações, nas cidades ou nas aldeias, pessoalmente e socialmente e mesmo sob formas que se poderiam dizer laicas, alheias a qualquer expressão tradicional de religiosidade.
Sabemos tambem que a esperança se funda sempre num desejo de coração, na aspiração de algo que conhecemos ou intuimos, ainda que vagamente, na aspiração de um bem que sentimos real e necessario na nossa vida, funda-se sempre numa certeza. A esperança, pressupõe uma certeza, pressupõe a Fé. E a Fé uma uma forma de conhecimento que gera certeza. Não é uma forma lógico-dedutiva de conhecimento como a que usamos na ciência, mas é uma forma diferente de conhecimento pessoal que gera certeza.
Não ha esperança de felicidade sem acreditar que essa felicidade existe.
E existe, onde? Existe, como?
Só pelos nosso meios de conhecimento não o podemos saber, porque um dos seus polos nos transcede. O que sabemos é que existe. E que está, ao mesmo tempo, em nós e para além de nós, como se os seus dois polos fossem os dois pés onde assenta o arco-iris transcendente. O nosso coração é um dos pés de apoio desse arco-iris; o outro está para alem de nós, transcende-nos. Mas, sabemos que existe. Se não existisse, então a nossa esperança não fazia sentido, seria uma alienação. E isso não pode ter acontecido a toda humanidade.

É esta esperança e esta certeza de um amanhã melhor que nos torna tambem mais confiantes e otimistas. O tempo de Natal é tambem um tempo de otimismo.
A esperança é tão reconfortante, tão poderosa, tão motivadora, tão alta que passa por cima dos muros das nossas dificuldades e reaparece sempre mais adiante, como a estrela polar que deixamos de ver numa curva do caminho e depois reaparece, tal como se descrevia nos bonitos contos de Raul Brandão.

A esperança, diz-se, é a ultima a morrer, se é que ela morre.Porque eu acho que ela não morre. Se morresse, que seria o homem sem esperança?
Continue Reading...

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Literatura

2 comentários :
Nós percebemos quem são aqueles que cruzam Nossos Caminhos?

Em tempos passados, uma desafortunada mulher da à luz filhos gêmeos. Cada um, a partir daquele momento, foi obrigado a trilhar caminhos diferentes, rumo a futuros totalmente distintos.
Porém um dia, entre atos e fatos, sangue e álcool, vida e morte, eles terão um encontro. E esse encontro mudará a vida dos dois. Um dia eles foram separados. Seria agora o encontro para a fraterna união?

Uma mulher heróica, sem piedade e infeliz.
Um homem exemplar, com a família dos sonhos.

Duas histórias, duas vidas. Diversas diferenças. Incontáveis semelhanças.
Principalmente aquelas pessoas especiais que sempre estão em nossos caminhos.

Não perca essa história intrigante onde você poderá reconhecer na sua vida o que sempre passou oculto perante seus olhos.
Continue Reading...

domingo, 26 de outubro de 2008

Caritas Christi Urget Nos

Um comentário :
O amor que move

“Se Deus nos amou, também nós devemos amar-nos uns aos outros”
(1Jo 4, 11)

Se o mundo fosse sustentado por colunas, creio que a mais forte destas colunas seria a caridade. Ela mantém de pé o grande Templo de Deus através dos tempos. Entretanto nossos corações precisam ser realmente tocados para que percebamos a grandeza e a importância que ela tem em nossa vida.


Caridade vem do grego caris, que quer dizer grátis ou gratuidade. Eis o primeiro motivo para que nossas atenções se voltem para ela, se voltem para sua expressão amorosa, de onde é banido todo cálculo, toda espera de recompensa; caridade é a ausência total de razões, é o amor puro, é o amor que move.

E a caridade cristã exige ainda mais de nós. Deus é amor (cf. 1Jo 4, 16), amor que quer o bem, e se somos chamados a sermos perfeitos como o Pai é perfeito (cf. Mt 5, 48) também devemos ser expressões vivas deste amor vivo. Deus se dá, dá a si mesmo ao homem, e nós devemos nos doar totalmente ao irmão sem esperar nada em troca; devemos, na posição de Filhos de Deus amar-nos uns aos outros (cf. Jo 4, 11). Só pode ser chamado Cristão aquele que realmente ama gratuitamente, aquele que se doa.

A grande moral da Caridade é seguir Jesus e imitar o Pai. Ora, temos em São Vicente Pallotti claro exemplo de entrega total ao próximo, um exemplo perfeito de quem doa sua vida ao irmão sem esperar nada. Devemos, assim como Pallotti, encontrarmo-nos com Jesus e segui-lo, ele que é o exemplo do maior ato de caridade de todos os tempos, sem a qual não seriamos nada.

Preparemos nossos corações para o encontro pessoal com Cristo, para que nele reconheçamos o verdadeiro sentido da caridade e que tenhamos consciência de que nós e nossas vidas não terão sentido, será tudo em vão, se não formos exemplos vivos dessa dádiva divina.


Seminário São Vicente Pallotti
Londrina, 26 de outubro de 2008
2° turno das Eleições Municipais.

Edvaldo Betioli Filho
Postulante Palotino

Continue Reading...

domingo, 14 de setembro de 2008

Um sete como outros setes...

4 comentários :
Verde e amarelo – Um futuro pela frente


O que seria - segundo os parâmetros de uma sociedade marcada por convenções - mais aceitável neste momento em que passadas as comemorações da Semana da Pátria era escrever algo inflamado de patriotismo. Nada mais cabível que dissertar sobre o orgulho de ser brasileiro, ou então, exaltar as belezas naturais de nossa terra. Mas todo esse repertório seria muito repetitivo, uma vez que considerável número de notáveis já o fez, por exemplo, o maranhense Gonçalves Dias (não que eu queira igualar-me com os grandes) e Bilac com sua rigidez literária também o realizou. E tantos outros seguiram a mesma trilha. Não que estejam errados – como não estavam - mas é necessário mudarmos de personagens e até mesmo, se nossa ousadia for tal, permutarmos os cenários.

Lembram-se da épica narrativa da Independência (como não esquecer)? Dom Pedro, em seu esbelto eqüino branco, junto com companheiros sedentos por liberdade, grita, brada com a nobre espada apontando ao céu a imposição: ‘Independência ou Morte.'

Segundo a história, marcada nos livros e na vida política e social a partir daquele momento, tivemos a independência. E nós sabemos que todo o eufemismo empregado na bela cena da Independência esconde fatores muito piores. A partir da simulada deserção de Portugal, tivemos dilacerantes prejuízos, evidenciados na grande dívida contraída e na disfarçada dependência de outras nações.

A história evoluiu. Ou pelo menos foi isso que pareceu acontecer, porque muita coisa ainda parece estar como era antes. E todo aquele verde-amarelismo, como tudo indica, está de volta.
Em 1822 o Império (ou ao menos uma parte dele) estava alvoroçado com aquela novidade da dita não dependência. Anos mais tarde, em 1954 outra figura de nossa história mexeu com o orgulho dos brasileiros. O gaúcho Vargas criara a Petrobras, nadando na aprovação de um povo embevecido com as realizações de um governo tipicamente populista. Gritavam agora ‘O Petróleo é nosso’ mas no fundo, para muitos, repetia-se o grito de independência dado por Pedro I. Era o momento para termos o nosso próprio petróleo, já bem cotado no mercado externo, o ouro negro que poderia vir a substituir o ouro verde, desvalorizado depois da crise de 1929. Estava nas oleadas mãos de Getulio o futuro da nação: saber conduzir o Brasil rumo ao futuro sustentável. Explodia o verde-amarelismo, o orgulho de ser brasileiro.

Mais de 50 anos depois outro personagem da História entra no quadro da exaltação nacional. Operário sindicalista que não esconde suas origens (e nem teria porque escondê-las) é agora o novo responsável pela onda populista que há algum tempo é encontrado na praia Brasil, praia, aliás, que contém reservas petrolíferas jamais detectadas em território nacional. E como setembro é o culpado por ressuscitar o mito do Brasil Grande, explode novamente o verde-amarelismo, e com ele seus vícios e suas virtudes, muito semelhantes aos tempos de Pedro e Getúlio, tantas e tamanhas, que a nação brasileira parece nadar do pseudo bem-estar nacional.
Não é de se estranhar que tudo isso esteja acontecendo. Primeiro aqueles que acompanham o dia-a-dia dos três poderes percebem que algo está fora do lugar. As relações institucionais estão abaladas, tanto que surgiram acusações de estarmos vivendo sob um Estado Totalitário, em um Estado policialesco, em que tolhe adversários. Mera coincidência com tempos remotos? Não. Eis aí uma característica populista, onde forças se reencontram em uma superfície, mas sempre estiveram fossilizadas juntas, abaixo da camada do pré-sal da classe política. Trocando em miúdos, há muito mais coisas, pessoas e interesses por trás dessa crise institucional e o que poderia ser mais trágico, muito mais podridão atrás de toda essa especulação sobre as descobertas petrolíferas na camada pré-sal.

Eis aí um segundo aspecto do Brasil Grande e do populismo tradicional. A propaganda para engrandecer sem sair do lugar. A marqueteira operação do início da retirada do petróleo abaixo da camada de pré-sal faz com que, assim como na década de 50, bradássemos novamente: O petróleo é nosso. Mas ainda não é. Há um longo processo pela frente, talvez a chance de ver um Brasil crescendo com o dinheiro do óleo, fazer acontecer o sonhado por todos. E nessas horas vale até recorrer à fé, como disse o mandatário da república, que Deus continue habitando nosso país, para que a sorte esteja do nosso lado e não seja preciso, como disse o ministro Mangabeira Unger, “reforçar nossa tropa naval para dissuadir eventuais ameaças às riquezas petrolíferas brasileiras”.

No dia 7 de setembro de 1822, o filho de D. João VI proclama a independência brasileira, montado em seu esbelto cavalo. Em 1954 o filho dos pampas proclama o início da independência petrolífera brasileira. E em 2008, o filho do sertão proclama o clímax de um Brasil que produz. Mas vale a pena lembrar o que a realidade os reservou: que o primeiro acabou esquecido em Portugal e toda sua atuação não acabou trazendo os benefícios que efetivamente poderiam ter qualificado o país. O segundo, foi morto pelo totalitarismo que ele mesmo construíra, usando as mãos apontadas para o peito para dar fim a uma crise que colocara todas suas construções por terra; ele fez, mas talvez não da melhor forma possível. E agora Lula, surfando na alta popularidade, agraciado pela boa avaliação dos ricos e pobres, analfabetos e letrados tem o ouro em suas mãos (haja visto os altos índices do PIB) para proclamar de uma vez por todas a real independência brasileira.

Hoje, perguntando para muitos, D. Pedro I, com o famoso quadro da Proclamação da Independência estampando o Museu de mesmo nome em São Paulo, de nossa história é um herói. Getúlio Vargas, com a famosa carta testamento onde afirmava sair da vida para entrar na história, tornou, de seu povo órfão, um herói. E Luiz Inácio Lula da Silva, neste sete de setembro é saudado como herói. Espero somente (e também desejo) que este heroísmo seja deveras um ato de coragem, racionalidade, responsabilidade e prudência, para que ao invés de quadro ou de carta testamento Lula deixe muito mais que uma boa impressão daqui 50 ou 100 anos, mas que ele deixe, nos futuros setes de setembro, a real independência brasileira, onde teremos enfim, o verdadeiro orgulho de sermos filhos desta nação. Aí sim, escreverei para exaltar meu país. O que estarão em minha memória serão os erros, para que estes não cometamos mais, e as lutas, para que com estas aprendamos o quão sofrido foi chegar até onde chegamos. Aí sim escreverei inflamado de patriotismo, transbordando de verde-amarelismo, tentando bradar mais alto que os grandes escritores, o meu orgulho de ser brasileiro.

Mas enquanto isso não acontece, somente cabe a este pobre postulante rezar para que Deus aqui continue habitando sem necessidade de tropas navais, e, sendo cidadão, trabalhar para que este Brasil, país de todos, alcance verdadeiramente a independência.

Dado em Londrina (PR),
dia sete de setembro de 2008,
no 186° aniversário da Proclamação da Independência.
Edvaldo Betioli Filho
Postulante Palotino
Continue Reading...

sábado, 7 de junho de 2008

COOPERATORES VERITATIS

Nenhum comentário :

COOPERATORES VERITATIS

“A minha fé mais profunda é a fé de que nós podemos mudar o mundo pela verdade e pelo amor”.

Gandhi


Algum tempo depois de Sua Santidade Bento XVI ser eleito papa, foi divulgado juntamente com o seu brasão o seu lema papal: “Cooperatores Veritatis”, que podemos traduzir do latim: Cooperador da Verdade.

E logo me tomou a atenção, pois, sem dúvida, este lema deve ser levado consigo por todos os cristãos, e além disso, deve ser posto em prática, uma vez que no próprio Cristo a verdade de Deus se manifestou plenamente. “Cheio de graça e verdade” [1], ele é a “luz do mundo” [2], é a própria Verdade: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”.[3]

“Deus é a própria verdade, suas palavras não podem enganar. É por isso que podemos entregar-nos com toda confiança à verdade e a fidelidade da sua palavra em todas as coisas. O começo do pecado e da queda do homem foi uma mentira do tentador que induziu a duvidar da palavra de Deus, da sua benevolência e fidelidade”[4]. Uma vez que Deus é “veraz” [5], os membros do seu povo são chamados a viver na verdade [6].

E isso é muito mais significativo para aqueles que querem consagrar-se a Deus, para aqueles cujo escopo é a entrega total à missão por Ele confiada. Ora, todo aquele que quer segui-lo deve, por excelência, ser portador, cooperador e propagador da verdade, deve possuir observância acurada da Lei de Deus e, portanto, zelo pelo bem, luta contra si mesmo, oração para obter o perdão das culpas, pureza de intenções. Ou seja, aquele que se dispõe a ser um cooperador da verdade deve estar em constante busca da santidade, nosso primeiro chamado e vocação, deve ser igual aos discípulos de Jesus, que permaneceram na Sua Palavra para conhecer a verdade que liberta [7]. Seguir Jesus é viver do Espírito da Verdade [8], e para tal, devemos sempre implorar a sabedoria divina, a qual não se encontra somente no mero esforço intelectual, mas sim no constante encontro com Deus, assim como Salomão que pediu a sabedoria em orações [9].

“A Verdade de Deus é a sua Sabedoria que comanda toda a ordem da criação e do governo do mundo”[10]: para o cristão, a sabedoria encontra-se na “pureza de coração” que faz ver a Deus e a Jesus Cristo, Verdade Revelada.

O homem tende naturalmente para a verdade, e é obrigado a honrá-la e testemunhá-la, o que gera bons frutos, como dizia Santo Tomás de Aquino: “Os homens não poderiam viver juntos se não tivessem confiança recíproca, quer dizer, se não manifestassem a verdade uns aos outros”. Ser amigo da verdade é abandonar-se de todas as ideologias errôneas, é cooperar na missão salvífica da Igreja manifestando Deus e sua doutrina que é “uma doutrina de verdade”[11] a todos os povos; é perder a própria vida por Cristo, na pobreza, na castidade e na doação total de si: início da verdadeira vida.

Aproximemo-nos de Cristo, o Verdadeiro, não nos perguntando o que é a verdade, mas aprendendo com Ele, assim como seus discípulos, o amor incondicional da verdade [12] e crendo que Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. Crendo Nele, vivendo Nele, amando Nele, para que sendo amigos e cooperadores da verdade tenhamos Nele a vida eterna, a verdade plena.

Edvaldo Betioli Filho
Postulante Palotino

[1] Jo 1, 14

[2] Jo 8, 12

[3] Jo 14, 6

[4] CIC 215

[5] Rm 3, 4

[6] cf. Sl 119

[7] Jo 8, 32

[8] Jo 14, 17

[9] cf. 1Rs 3, 7

[10] CIC 216

[11] Ml 2, 6

[12] cf. Mt 5, 37


Continue Reading...

sábado, 26 de abril de 2008

SER PALOTINO

2 comentários :

Deus quer que todas as almas, ainda enquanto estejam na terra, tenham em si um reino, isto é, o seu santo amor. Por isso disse nosso Senhor Jesus Cristo: ‘O Reino de Deus está em vós’ (Lc 17,21).”

São Vicente Pallotti


Ser Palotino

Ser palotino é perceber antes de tudo, e além de perceber, vivenciar, ao longo da existência, o grande amor de Deus por nós.

É dever do palotino deixar-se inundar pelo Amor de Deus, afinal, é oi amor de Deus que nos move e sempre há de nos mover, assim como moveu Vicente Pallotti. Mas além de perceber esse amor e deixar-se tomar pelo amor Divino, o palotino deve cada dia reacender essa chama que ilumina sua caminhada e sua realidade.

Seja irmão, sacerdote ou leigo, ser palotino é olhar para Jesus e lembrar-se do mandamento do Amor: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amo” (Jo 14, 12).

Ou seja, ser palotino é levar o amor adiante e não permitir que a chama do amor que já existe não se apague. AMOR: eis o primeiro fator, o primordial do ser palotino. De nada adianta querer ser palotino se dentro de nós não existe amor, o amor para levar a todos a mensagem de alegria, da justiça, da liberdade, da esperança e do próprio amor.

E o palotino deve ser envolvido por esse amor para cultivar uma sensibilidade capaz de perceber os desafios constantes de nossa realidade e ter coragem necessária para enfrentá-los, na constante missão de REACENDER A CARIDADE.

E enfrentar desafios é também marca do ser palotino. Ora, veja o desafio de REAVIVAR A FÉ. Desde a época de Pallotti via-se a necessidade de superar, ou ao menos tentar superar a falta de fé. E querem maior desafio que esse? É missão do palotino fazer crescer, defender e propagar a fé. Não se pode chamar palotino aquele que tem medo de levar adiante a fé, pois o palotino é aquele não que pressupõe, mas que propõe a fé.

E para o ser palotino é mais que dever, é obrigação REAVIVAR A FÉ E REACENDER A CARIDADE, caminhando assim nos caminhos propostos por Pallotti, vivenciando assim seu carisma e sua espiritualidade.

E com certeza ser palotino é muito mais: ser palotino é assumir e viver as promessas feitas desde a primeira consagração: CASTIDADE, OBEDIÊNCIA, ESPÍRITO DE SERVIÇO, COMUNHÃO DE BENS E PERSEVERANÇA. A prática das seis promessas condiz com o carisma do fundador e com aquilo que o ser palotino norteará sua vida: a castidade como renúncia ao matrimônio se traduz em espírito de serviço, pobreza como renúncia à propriedade se traduz em comunhão de bens e obediência como renúncia à autonomia se traduz em perseverança fiel ao compromisso assumido perante Deus e a comunidade.

E como pode-se perceber, o palotino deve estar sempre disposto ao sacrifício, seja ele qual for. Deve estar a postos ao trabalho, com vontade de servir e servir com o amor palotino aos trabalhos existentes, mesmo que para a realização dos mesmos seja necessário o sacrifício. O palotino deve ter espírito de Sacrifício, sacrificar-se pelo próximo é ter vida de doação.

Enfim, ser palotino é ser missionário, ou seja, ter a missão de manter viva a chama do amor de Deus e ao próximo, sobretudo aos mais necessitados. Todos podem seguir os caminhos de São Vicente Pallotti, todos estão convidados a participarem da grande missão do APOSTOLADO CATÓLICO.

E vocês, vocacionados palotinos já podem levar consigo a essência do “Ser Palotino”, vivendo sob as luzes de Pallotti, com o compromisso de espalhar a herança recebida de nosso fundador e desempenhar nossa função no meio em que estamos, tendo sempre viva fé, cultivada no entusiasmo da caridade no nosso coração.

Ser palotino é, portanto, imitando a vida de Nosso Senhor Jesus Cristo, reacender a fé e reavivar a caridade em todo o mundo, sem cessar, sem temer o que virá pela frente, pois como já dizia São Vicente Pallotti: ''Jesus veio para não para ser servido, mas para servir (Mt 20, 28). Quem poderá recusar-se a servir?".

_____________________________________________

- SÃO VICENTE PALLOTTI – UM HOMEM, UM SANTO. Editora Pallotti. Santa Maria, 2002.

- MUCHIUTTI, Francisco – Pallotti hoje: Reavivar a Fé, Reacender a Caridade, 1985.

Continue Reading...

sábado, 19 de abril de 2008

3 anos

Nenhum comentário :
"Deus Pai, que nos revelastes vosso amor entregando vosso Filho amado pela remissão de nossos pecados, o mesmo Filho que é o verdadeiro Bom pastor, que conduz seu rebanho pelos caminhos da Luz, vos pedimos por vosso Servo o papa Bento XVI. Que ele seja um instrumento de vossa paz, que tenha sabedoria para conduzir o Vosso rebanho pelos caminhos da fé, da esperança e da caridade. Deus, neste aniversário de 3 anos de eleição pontificial, ilumine nosso Sumo Pontífice, o Vosso Vigário aqui na Terra, que ele continue defendendo as verdades que um dia Vós nos deixastes e que nenhum mal o abale. Por Cristo, Senhor nosso. Amém!"

Continue Reading...

sábado, 29 de março de 2008

Cartas que nunca foram - Parte I

Nenhum comentário :

Algumas cartas que escrevi nunca sairam de minha escrivaninha. Os motivos são diversos, mas o que me importa é que nelas eu consegui exprimir minha mensagem ao Destinatário.
E estava revirando as mesmas cartas, já esquecidas, quando encontrei esta, endereçada a Fidel Castro, uma das mais recentes. Compartilho com todos vós, amigos leitores, e espero que a mensagem desta inexpressiva carta chega até vocês.


'Camarada' Fidel Castro,

Há pouco estava pensando no mistério da vida. Incompreensível, não? Veja como as coisas são: o poder se esvai de nossas mãos, mesmo quando em nossa infinita ignorância pensamos que ele é inacabável. Na verdade ele não é inabalável; quer queira quer não, o poder é finito, assim como é esgotável a vida.

Mas antes de tudo gostaria de agradecê-lo. Ora camarada, vossa excelência, se assim posso chamá-lo, sempre procurou uma lente para se deixar fotografar e uma câmera para se exibir, abraçando Che ou bradando Lênin, independente da situação, proferia belos e inflamados discursos. Discursos demagogos.

Mas agora é necessário compreender camarada, que apenas Deus é infinito. Por isso lhe agradeço! Pois vossa excelência provou, mais uma vez, que toda obra não fundada em Deus, pode durar algum tempo, seja 2, 30 ou 49 anos, porém todo tempo que durar será necessário para mostrar que nada de verdadeiramente bom é feito nesse período, e que o fim é catastrófico, pois todo o percurso foi corroído pelos vermes do egoísmo, do poderio e do ateísmo. Tal como a casa edificada na areia terá destino diferente da casa edificada na rocha (Cf. Mt 7, 24-27), teu governo e tua ditadura fizeram, estão fazendo e farão com que o povo, vítimas, nada além de vítimas, tenha um destino diferente daqueles que optaram pelo bem geral em um governo democrático. Sofrer, eis o destino do povo cubano. Ainda restaria alguma esperança? Para aquele que crê em Deus, a esperança, essa não morre. Espero apenas que o povo cubano tenha fé e esperança no Altíssimo. Algo tal que você nunca teve.

Obrigado comandante Castro! O mundo acompanhou seu declínio, acompanhou como o poder sufoca e faz mal a um homem. Ninguém mais precisa de seus gritos ou de sua desgastada farda, ninguém mais precisa de sua péssima companhia companheiro, nem os comunistas que por um capricho do destino não levantam mais ideologias, não movem mais o proletariado. Comunistas, tão incomuns.

Pois bem, encomende sua urna, organize seu velório. Seja enterrado, senhor Fidel Castro, de uma vez por todas, para que todos possam sempre parabenizá-lo e agradecê-lo, por nos dar o exemplo de que quem não ama, de que quem não possui o Criador em seu ceio apenas fará o mal. E nada mais.

Termino esta com pena, e desde já peço desculpas por não querer mais acompanhar o vosso derradeiro fim.

Edvaldo Betioli Filho, Brasileiro e Católico Apostólico Romano.

Continue Reading...

Pastores

Nenhum comentário :
Neste mês que se inicia, algumas datas devem ser recordadas com especial atenção, uma vez que marcaram a vida da Igreja Católica e de todos os fiéis.

2 de abril de 2005: falecia o Papa João Paulo II. O polonês Karol Wojtyla depois de 27 anos de pontificado partira para a casa do Pai, deixando profundas marcas em todos os que por aqui ficaram. Modificou conceitos, mudou opiniões. Grande filósofo, falou do comunismo ao sindicalismo, da pobreza ao aborto; a tudo e a todos, ele dispensou uma profunda atenção, falando aos chefes de estado ou beijando crianças de pé no chão. Não foi a toa que ficou marcado com o título de ‘O Grande’. Não foi por acaso que em sua missa de exéquias todo o povo em um só coro bradava ‘Santo Súbito’. E neste mês lembramos os 3 anos de sua passagem para a vida eterna, não com tristeza, mas com a sensação de dever cumprido que o próprio Wojtyla quando em sua última frase disse: “Estou feliz, fiquem vocês também”.

Depois de sua morte, iniciava um novo período na Igreja. O colégio cardinalício se reuniria para a escolha de um novo pastor para todos os católicos. Alguns nomes até foram citados como favoritos para suceder o saudoso João de Deus, e no dia 19 de abril, o cardeal mais próximo de João Paulo II fora eleito em um rápido conclave: o conservador Cardeal Joseph Ratzinger, alemão, e então prefeito para a Doutrina da Fé. Para muitos uma surpresa, para outros, o que já era esperado. Agora a Igreja após 17 dias de sede vacante possuía um novo pastor. Surgiram boatos de que a Igreja estaria congelada em suas mãos, mas não foi preciso muito tempo para todos perceberem que seu coração era grande e fraterno.

Considerado o maior teólogo vivo, Bento XVI foi mostrando a todos que agora era necessário reafirmar verdades e retomar tradições que foram introduzidas por seu predecessor. Causou polêmica ao afirmar em sua Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis que o segundo casamento era uma ferida na sociedade e na família. Ao citar escritos de um Imperador Bizantino o qual dizia que Maomé levou a fé pela espada e pela guerra, causou protestos no Oriente Médio, sendo até ameaçado de morte. E não deixou de anunciar que a Igreja Católica Apostólica Romana é a única instituição deixada por Cristo.

Também trouxe a doutrina cristã aos dias atuais, declarando recentemente que a degradação do Ambiente, o uso de drogas, a manipulação genética e a desigualdade social caracterizam os ‘Pecados Sociais’. Ao visitar o Brasil, em maio de 2007, quebrou definitivamente o paradigma de teólogo frio. Abraçou crianças e ex-dependentes químicos, se encontrou e se encantou com os jovens, canonizou Frei Galvão e abençoou este povo e esta terra que tão calorosamente o recebeu.

Ao celebrarmos 3 anos de seu pontificado também nós voltaremos os olhos para Deus para pedir por sua vida e seu pontificado, que continuem sendo frutuosos e que ele prossiga com sabedoria guiando seu rebanho rumo aos Céus. Lembraremos os 3 anos de morte do Grande João Paulo II, os 3 anos de pontificado de Bento XVI, acreditando sempre na Providência Divina, pois já diziam as Sagradas Escrituras: “Dar-vos-ei pastores segundo o meu Coração, os quais os apascentarão com inteligência e sabedoria”.

Continue Reading...

sábado, 19 de janeiro de 2008

Dever nosso

Nenhum comentário :

"Que haja o quanto antes
um só rebanho e um só Pastor" (Jo 10, 16)


Não resta dúvida que o mundo contemporâneo padece de vários problemas, porém o mais admirável nessa história é que nem tudo é única e exclusivamente problema originado nessa contemporânea corrente de ideias. De tanto ser usado no dia-a-dia, falar do amor entre os homens ou então da perda de valores humanos, morais e éticos tornou-se um cliché, repetitivo e digno de de atualização.

Entretanto, não são de hoje esses problemas e também não são apenas atualmente que buscamos soluções. Neste contexto, veio-me a mente uma figura exemplar: São Vicente Pallotti.

Vicente Pallotti nasceu em Roma, no dia 21 de abril de 1795. Desde pequeno destacou-se pela piedade e pelo amor ao próximo. Já padre, despertou nele o crescente entusiasmo pela ação missionária, donde nasceram iniciativas concretas. Nasceu assim a União do Apostolado Católico, cuja finalidade era mobilizar todos os católicos para a conversão dos infiéis. E logo depois a criação da Sociedade do Apostolado Católico, uma congregação de padres, irmãos e irmãs, que formassem a parte central da UAC.

E o que mais chama a atenção é o que queria Pallotti na criação da UAC. Entre outros, citarei 2, dos vários objetivos

1. "Reavivar a fé e reacender o amor e a caridade e propagá-la em todo o mundo."

Desde os séculos XVIII e XIX já era visível a falta de fé de um povo que se deixava levar pelas correntes que prejudicavam a prática do amor e da caridade. E se podemos assim dizer, os problemas do século XIX são similares aos de hoje.

Quantas vezes faltou-nos a fé para fazer a caridade e construir um mundo melhor?

2. "Ser elementos geradores da unidade [...]"

Mais uma vez Pallotti mostra as semelhanças de seu tempo e do nosso mundo atual. Hoje a unidade é a força necessária para que se faça verdade a paz, que também no século XIX, assim como hoje, era mais que necessária.

E hoje, nós nos perguntamos o que fazer para que haja harmonia, paz, caridade e união. E a própria missão de Pallotti responde: "Continuar a missão de Cristo, o apóstolo do Pai".

Ora, se somos convidados a continuar a missão de Cristo, devemos lembrar do mandamento maior: Amar a Deus, e ao próximo como a ti mesmo. Então é dever nosso, de todos os cristãos e não cristãos reacender o amor e a caridade no mundo. É dever nosso mudar a história e fazer com que os próximos séculos não sejam açoitado pelos mesmos males que que sempre estiveram presente na vida e na caminhada humana.É dever nosso, independente da circunstancia, a fé, a esperança e a caridade.
Sempre fazer o bem é sempre dever!


Continue Reading...

sábado, 5 de janeiro de 2008

Amor, eterno amor

Um comentário :
E hoje eu vou Te seguir
Nesse caminho sem parar
A Ti vou me entregar
E para sempre vou te amar
.
Sim, Tu és o Criador
Que dispensou a nós o eterno amor
E por toda a vida vou louvar
Porque estás sempre a me guiar
.
Mesmo nas trevas me sorri
E me sustenta com Sua mão
Eu sei que sempre estás aqui
No calor do meu coração
.
Amor, eterno amor
Que estás sempre a nos a acolher
Amor, eterno amor
Que pelos filhos pode sofrer
Continue Reading...