Cartas que nunca foram - Parte I


Algumas cartas que escrevi nunca sairam de minha escrivaninha. Os motivos são diversos, mas o que me importa é que nelas eu consegui exprimir minha mensagem ao Destinatário.
E estava revirando as mesmas cartas, já esquecidas, quando encontrei esta, endereçada a Fidel Castro, uma das mais recentes. Compartilho com todos vós, amigos leitores, e espero que a mensagem desta inexpressiva carta chega até vocês.


'Camarada' Fidel Castro,

Há pouco estava pensando no mistério da vida. Incompreensível, não? Veja como as coisas são: o poder se esvai de nossas mãos, mesmo quando em nossa infinita ignorância pensamos que ele é inacabável. Na verdade ele não é inabalável; quer queira quer não, o poder é finito, assim como é esgotável a vida.

Mas antes de tudo gostaria de agradecê-lo. Ora camarada, vossa excelência, se assim posso chamá-lo, sempre procurou uma lente para se deixar fotografar e uma câmera para se exibir, abraçando Che ou bradando Lênin, independente da situação, proferia belos e inflamados discursos. Discursos demagogos.

Mas agora é necessário compreender camarada, que apenas Deus é infinito. Por isso lhe agradeço! Pois vossa excelência provou, mais uma vez, que toda obra não fundada em Deus, pode durar algum tempo, seja 2, 30 ou 49 anos, porém todo tempo que durar será necessário para mostrar que nada de verdadeiramente bom é feito nesse período, e que o fim é catastrófico, pois todo o percurso foi corroído pelos vermes do egoísmo, do poderio e do ateísmo. Tal como a casa edificada na areia terá destino diferente da casa edificada na rocha (Cf. Mt 7, 24-27), teu governo e tua ditadura fizeram, estão fazendo e farão com que o povo, vítimas, nada além de vítimas, tenha um destino diferente daqueles que optaram pelo bem geral em um governo democrático. Sofrer, eis o destino do povo cubano. Ainda restaria alguma esperança? Para aquele que crê em Deus, a esperança, essa não morre. Espero apenas que o povo cubano tenha fé e esperança no Altíssimo. Algo tal que você nunca teve.

Obrigado comandante Castro! O mundo acompanhou seu declínio, acompanhou como o poder sufoca e faz mal a um homem. Ninguém mais precisa de seus gritos ou de sua desgastada farda, ninguém mais precisa de sua péssima companhia companheiro, nem os comunistas que por um capricho do destino não levantam mais ideologias, não movem mais o proletariado. Comunistas, tão incomuns.

Pois bem, encomende sua urna, organize seu velório. Seja enterrado, senhor Fidel Castro, de uma vez por todas, para que todos possam sempre parabenizá-lo e agradecê-lo, por nos dar o exemplo de que quem não ama, de que quem não possui o Criador em seu ceio apenas fará o mal. E nada mais.

Termino esta com pena, e desde já peço desculpas por não querer mais acompanhar o vosso derradeiro fim.

Edvaldo Betioli Filho, Brasileiro e Católico Apostólico Romano.

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