quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Lições da Renúncia

Nenhum comentário :

A renúncia do Papa e a Juventude

Adeus do PapaNos últimos dias, o assunto que mais se comenta é a renúncia de Sua Santidade Bento XVI. De todos os lados somos bombardeados por uma gama de informações: notícias, especulações, teorias, e até mesmo maledicência e calúnia. Como é de costume da mídia que se importa apenas com o lucro da venda de seus periódicos, muitas foram as vozes que se colocaram a criticar a decisão do Papa.

Dessa forma, nós, católicos, precisamos responder a toda má intenção com um propagar do rosto sereno e santo da Igreja de Jesus Cristo! Vejamos, por exemplo, quantas oportunidades de santificação estamos tendo neste nosso tempo: os 50 anos do Concílio Vaticano II, o Ano da Fé, a Campanha da Fraternidade e a Quaresma, a Jornada Mundial da Juventude, e até mesmo a renúncia do Papa Bento XVI.

Sim, a decisão de Sua Santidade é uma oportunidade ímpar para a nossa reflexão. Diante desta situação, inédita desde a Idade Média, devemos nos colocar, primeiramente, em uma atitude de oração, crentes de que a Igreja está nas mãos certas de seu Supremo Pastor, Jesus Cristo, e por isso “as portas do inferno não prevalecerão” (Mt 16, 18).

Depois, devemos tomar algumas lições com o gesto de renunciar. Juventude do PapaAos jovens, a postura do Papa é ainda mais eloquente, pois mostra quais são os caminhos a se tomarem em momentos nada fáceis, como os instantes da dúvida, por exemplo. Qual de nós, jovens, que não temos a cabeça tão cheia de perguntas? Com sua renúncia, o “Papa professor” continua a dar lições.

Em primeiro lugar, Bento XVI nos ensina a humildade. Talvez o sinal mais humilde seja a negação total do próprio eu, quando se toma consciência de que nada se é, nada se tem, nada se sabe, que tudo está nas mãos de Deus, e assim cumprir Sua vontade. Bento repete Paulo: “Pela graça de Deus, sou o que sou, e a graça que ele me deu não tem sido inútil” (1Cor 15, 10). Basta contemplarmos a figura do Papa que logo perceberemos que ele nunca viveu para si, inclusive quando renuncia, mostrando o seu desapego ao poder e às vantajosas regalias que o mundo oferece. Ensina-nos a reconhecermos nossos limites, notar nossa fraqueza, tomar consciência de nossa debilidade. A humildade, derrubando o orgulho de querer sempre ser melhor que o outro, nos leva a dizer: “não dá”, “não sei”, “não consigo mais”.

A segunda lição, é o serviço. Ainda que a renúncia possa parecer uma recusa ao servir, é o contrário. Bento XVI foi um servo sempre atento às necessidades da Igreja. Serviu como professor, como sacerdote, como bispo, como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, como Sumo Pontífice. Serviu a Igreja, para que ela servisse quem mais precisava. Notemos a sua primeira fala depois da eleição como Papa: “Depois do grande Papa João Paulo II, os senhores cardeais elegeram a mim, um simples e humilde trabalhador na vinha do Senhor”. E não ficou apenas no campo teórico, basta analisar seu pontificado. Quantas pontes criou! Fidelidade a CristoComo testemunhou a fé! Agora, renuncia para continuar servindo, na oração escondida e humilde. Rezou como o Salmo 39: “fazer vossa vontade, meu Deus, é o que me agrada” (v. 9).

O terceiro grande sinal que deixa com a renúncia é a fidelidade. Constantemente somos abordados por ofertas irrecusáveis de prazer, de ter, de poder. As tentações de Cristo no deserto também são as nossas de hoje. O mundo do consumo e do culto ao ego deseja conduzir-nos para a submissão às falsas divindades. O gesto de retirar-se do Papa é um eloquente brado: sejamos fiéis! Cristo é nossa referência, renunciemos a tudo aquilo que nos impede de caminhar e permanecer nEle – parece querer nos dizer o Papa. Repousa, Bento XVI, sua vida no Espírito Santo, afinal, não é a fidelidade fruto deste mesmo Espírito?

Por fim, estes três pontos estão profundamente unidos, e eles encontram seu elo em Jesus Cristo. Caro jovem, querido amigo, estas lições que o Papa Bento XVI nos deixa podem ser resumidas em apenas uma: contemplai e abraçai a Cruz! Nela encontramos a resposta a todas as perguntas que tumultuam nossa mente e deixam nossa alma inquieta.Na humildade, no serviço e na fidelidade somos convidados a caminhar neste mundo, como nos ensinou, e ensina Bento XVI. Estejamos sempre atentos à voz do Vigário de Cristo!

Continue Reading...

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A renúncia de Bento XVI

Um comentário :

Caros leitores, o artigo que segue não é de cunho jornalístico, tampouco formal. São linhas escritas no calor da notícia e nas reverberações do fato em um jovem coração católico.

O guerreiro está de pé

Bento XVI RenunciouQuando alguém dirige a mim um “tudo bem?”, dificilmente respondo negativamente. Confesso que algumas vezes eu realmente minto, tentando não chatear o interlocutor com pormenores detalhes, tão irrelevantes. Outras tantas estou bem mesmo, e são a maioria das vezes, afinal, tenho mais motivos para estar bem que estar mal.

Contudo, o dia 11 de fevereiro de 2013 foi o dia de responder “não, não estou bem”. Uma manhã que tinha tudo para ser como as outras, feliz, na toada do quotidiano, tingiu-se de um cinza tempestuoso. Triste.

O anúncio da renúncia de Bento XVI me tomou em cheio, como a todo o Orbe. Como um golpe certeiro, retirou-me o ar. A pergunta primeira era um estupefato “é verdade?”.

Sim, é verdade. Ainda hoje custo acreditar. Custamos acreditar. E essa demora em digerir o fato se deve não à falta de confiança no Sumo Pontífice, mas ao contrário, ao amor. Amo Bento XVI, e quem gosta de ver partir quem se ama?

Sua Santidade me fazia (faz!) dormir tranquilo. No final do dia, depois de travar batalhas de fé, eu repousava a cabeça por sobre o travesseiro certo de que aquela fé, aquele precioso dom que carrego em vasos de barro, estava sendo bem custodiada. Repousava tranquilo, pois sabia que a ponte entre uma humanidade sedenta e Cristo, a Fonte Viva sempiterna, era segura, sem desvios, sólida. A Cruz do Papa Bento XVI Renuncia

Sua Santidade me trazia (traz!) uma tranquilidade responsável, não por si mesmo, mas por apontar em todo instante Aquele a quem representava nesta terra. O discípulo fiel não anuncia sua própria pessoa, mas constantemente, em todos os momentos, formais ou informais, aponta para o Céu, nos conduz até Deus.

Olhar para Bento, ler Bento, escutar Bento era (é!) sentir o suave odor da santidade. Despertava (desperta!) dentro de mim aquela vontade voraz de ser católico, de ser fiel... de ser santo! Contemplar o Vigário de Cristo é contemplar um guerreiro que luta pelo próprio Cristo.

Por algumas frações de segundo, cai na tentação de pensar que o guerreiro havia tombado. Pobre conclusão. Afinal, a cruz não é motivo de queda, mas de salvação, de reerguimento! Aos olhos do mundo, o gesto do papa foi sinal de fraqueza, mas aos olhos do mundo, o Cristo na cruz também foi sinal de fraqueza. O guerreiro não tombou, mas fez por merecer, até o fim, a forma como Santa Catarina de Sena chamara o papa: “Doce Cristo na Terra”.

O gesto último de Sua Santidade é a prova de que toda a sua vida foi vivida renunciando ao mundo e vivendo para Cristo. Nesta hora, o guerreiro que parecia sangrando em campo se levanta, o papa mostra-se mais forte do que nunca, pois seus pés estão fundados em uma certeza: a Igreja, Mãe e Mestra, não é uma Instituição dele, ou minha, ou sua. Mas é de Cristo. E Ele, como Supremo Pastor, sempre nos guia! Ah, doce certeza! Como isso me faz realizado!

Agora vejo que fui (e sou!) um pouco egoísta em ainda desejar que Bento XVI fique no lugar a que ele foi conduzido em 19 de abril de 2005. Alegro-me, agora. A pedra não se curvou e não se quebrou. Ensinou-nos: não somos daqui. Humilde, apontou e continua apontando Cristo. Eloquente testemunho!

Estamos vendo partir aquele que amamos. A tristeza deu lugar à fé. Firmes na esperança cristã, ainda que com olhos marejados, como agora, agradecemos! Obrigado, Santo Padre! Muito obrigado!

Continue Reading...

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Eleição no Senado

4 comentários :
Agora?
Está acontecendo um movimento na internet tendo em vista o impeachment do presidente do Senado Federal, Renan Calheiros. Respeito o movimento, faz parte da democracia. Pode até ser um bom sinal de reação do povo, e torço para atingir as assinaturas suficientes para levar adiante essa iniciativa. Alguns veem nisso uma demonstração de consciência política, social, cívica… Mas a pergunta que faço é a seguinte: agora? Hecatombe
Na época da eleição, todo mundo votou como quis. E muitos, ou melhor, muitíssimos, votaram nos senadores que elegeram o sr. Calheiros.
Você, que assinou essa petição, se perguntou se os senadores que ganharam seu voto em 2010 votaram em Calheiros? Vejamos o caso de nosso estado, o Paraná.
Você votou em Gleisi? Pode ser que sim. Ela teve 3.196.468 votos. O PT orientou seus senadores a votarem em Renan Calheiros. Você pode argumentar: mas Gleisi não é senadora. De fato, não em exercício. Contudo, quando saiu para assumir o ministério da Casa Civil, ocupou sua cadeira o seu suplente, Sérgio Souza, advogado, filiado ao PMDB, indicação do ex-governador Orlando Pessutti. Sérgio Souza, como quase todos os senadores de seu partido, votou em Renan Calheiros.
Trocando em miúdos: Renan não obteve somente 56 votos para a chefia do Senado. Só do Paraná, no mínimo, foram 3.196.468 votos enviados para ele, de presente, como em uma bandeja servil, com um bilhetinho de bons votos.
Isso sem contar com o senador Roberto Requião, do PMDB, que não manifestou publicamente seu voto, e que em 2010 obteve 2.691.557 votos dos paranaenses.
Portanto, antes de nos revoltarmos com a eleição de Renan Calheiros, uma verdadeira hecatombe, perguntemo-nos se nosso voto não foi para ele também. E antes que me interpelem: defendo e concordo com o direito do arrependimento. Dessa forma, concordo que você assine a petição pública. Discordarei quando em 2014 você votar nos mesmos candidatos, dos mesmos partidos, que continuarão a eleger, e reeleger, figuras insignes como Calheiros, Sarney, e tantos outros. Prefiro acreditar que nunca é tarde para as mudanças certas acontecerem.
* * *
Indicações de leitura:
Sen. Sérgio Souza foi o paranaense que mais gastou no recesso: http://www.gazetadopovo.com.br/blog/caixazero/?id=1221954&tit=sergio-souza-e-senador-do-pr-que-mais-gastou-no-recesso
Senadores do PT anunciam voto em Renan Calheiros: http://www1.folha.uol.com.br/poder/1224210-senadores-do-pt-anunciam-voto-em-renan-calheiros.shtml
Procuradoria acusa Renan de desviar dinheiro e falsificar documentos: http://www1.folha.uol.com.br/poder/1224125-procuradoria-acusa-renan-de-desviar-dinheiro-e-falsificar-documentos-diz-revista.shtml
Continue Reading...