A renúncia de Bento XVI

Caros leitores, o artigo que segue não é de cunho jornalístico, tampouco formal. São linhas escritas no calor da notícia e nas reverberações do fato em um jovem coração católico.

O guerreiro está de pé

Bento XVI RenunciouQuando alguém dirige a mim um “tudo bem?”, dificilmente respondo negativamente. Confesso que algumas vezes eu realmente minto, tentando não chatear o interlocutor com pormenores detalhes, tão irrelevantes. Outras tantas estou bem mesmo, e são a maioria das vezes, afinal, tenho mais motivos para estar bem que estar mal.

Contudo, o dia 11 de fevereiro de 2013 foi o dia de responder “não, não estou bem”. Uma manhã que tinha tudo para ser como as outras, feliz, na toada do quotidiano, tingiu-se de um cinza tempestuoso. Triste.

O anúncio da renúncia de Bento XVI me tomou em cheio, como a todo o Orbe. Como um golpe certeiro, retirou-me o ar. A pergunta primeira era um estupefato “é verdade?”.

Sim, é verdade. Ainda hoje custo acreditar. Custamos acreditar. E essa demora em digerir o fato se deve não à falta de confiança no Sumo Pontífice, mas ao contrário, ao amor. Amo Bento XVI, e quem gosta de ver partir quem se ama?

Sua Santidade me fazia (faz!) dormir tranquilo. No final do dia, depois de travar batalhas de fé, eu repousava a cabeça por sobre o travesseiro certo de que aquela fé, aquele precioso dom que carrego em vasos de barro, estava sendo bem custodiada. Repousava tranquilo, pois sabia que a ponte entre uma humanidade sedenta e Cristo, a Fonte Viva sempiterna, era segura, sem desvios, sólida. A Cruz do Papa Bento XVI Renuncia

Sua Santidade me trazia (traz!) uma tranquilidade responsável, não por si mesmo, mas por apontar em todo instante Aquele a quem representava nesta terra. O discípulo fiel não anuncia sua própria pessoa, mas constantemente, em todos os momentos, formais ou informais, aponta para o Céu, nos conduz até Deus.

Olhar para Bento, ler Bento, escutar Bento era (é!) sentir o suave odor da santidade. Despertava (desperta!) dentro de mim aquela vontade voraz de ser católico, de ser fiel... de ser santo! Contemplar o Vigário de Cristo é contemplar um guerreiro que luta pelo próprio Cristo.

Por algumas frações de segundo, cai na tentação de pensar que o guerreiro havia tombado. Pobre conclusão. Afinal, a cruz não é motivo de queda, mas de salvação, de reerguimento! Aos olhos do mundo, o gesto do papa foi sinal de fraqueza, mas aos olhos do mundo, o Cristo na cruz também foi sinal de fraqueza. O guerreiro não tombou, mas fez por merecer, até o fim, a forma como Santa Catarina de Sena chamara o papa: “Doce Cristo na Terra”.

O gesto último de Sua Santidade é a prova de que toda a sua vida foi vivida renunciando ao mundo e vivendo para Cristo. Nesta hora, o guerreiro que parecia sangrando em campo se levanta, o papa mostra-se mais forte do que nunca, pois seus pés estão fundados em uma certeza: a Igreja, Mãe e Mestra, não é uma Instituição dele, ou minha, ou sua. Mas é de Cristo. E Ele, como Supremo Pastor, sempre nos guia! Ah, doce certeza! Como isso me faz realizado!

Agora vejo que fui (e sou!) um pouco egoísta em ainda desejar que Bento XVI fique no lugar a que ele foi conduzido em 19 de abril de 2005. Alegro-me, agora. A pedra não se curvou e não se quebrou. Ensinou-nos: não somos daqui. Humilde, apontou e continua apontando Cristo. Eloquente testemunho!

Estamos vendo partir aquele que amamos. A tristeza deu lugar à fé. Firmes na esperança cristã, ainda que com olhos marejados, como agora, agradecemos! Obrigado, Santo Padre! Muito obrigado!

Comentários

Anônimo disse…
Very good, brother. Tanks!

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