segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Vivendo e aprendendo…

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EU VI, EU VIVI

CAPÍTULO II

O perfume do livro

Toda criança é, em sua essência, um ser aventureiro. Não importa onde esteja ou qual seja seu estado de espírito, aventurar-se-á no espaço ao seu redor ou ainda mesmo dentro de si. Não existe menino que não tenha sonhado em ser um herói dos quadrinhos ou o desbravador de tantos mares.

Na verdade, o que impele os pequenos é uma senhora curiosidade. Ainda imaculada pela inocência da idade, este desejo de conhecer, de saber, de cutucar aquilo que é desconhecido para ter nas pontas dos dedos a reação inesperada, faz com que toda criança experimente algo novo para ela, por mais singelo que seja o ato ou por mais simples que seja o acontecimento. A curiosidade pueril desencadeará sempre ou a frustração do aquém das expectativas ou fatos fenomenais e surpreendentes. Tudo isso dependerá do ponto de vista dos pequenos olhos, e não necessariamente do fato em si.

A casa da tia Amélia já era um lugar mais que propício para estimular a curiosidade de qualquer pessoa, criança ou não, pois de incógnitas é construída a cultura humana. Mas tudo já passa a ser diferente quando se tem no ar um clima estranho, aquele perfume que passa despercebido por nossos olfatos mas que existe em cada canto, ao lado de cada molécula de ar.

Era esse perfume diferente que passei a sentir no instante em que a porta fechou-se atrás de mim, num só estampido. Não insisti quando a porta não quis abrir. Confesso que senti uma pontinha de medo, aquele friozinho que nasce no estômago de todo bom curioso ao dar aquele passo além do tamanho das próprias pernas. Mas qualquer outro sentimento que pudesse surgir seria suprimido, pois a única coisa que eu sentia era um grande contentamento, uma surpresa muito grande de encontrar naquela casa velha aquele lugar encantador.

Você pode até achar esquisito eu ficar tão impressionado com um lugar tão comum como uma... biblioteca. Mas como já disse, repito desde já: havia algo diferente no ar. Havia sim e talvez tenha sido isso que me fez amar aquela situação e inclusive esquecer a porta trancada.

Não era um biblioteca comum. Ou até poderia ser. Mas era fascinante. As paredes eram altíssimas e junto delas estavam fixadas altas estantes, que iam do chão ao teto, de uma madeira aparentemente muito nobre, sem deixar espaço nenhum entre uma e outra. Cada estante era encimada por uma grande placa dourada marcada com uma letra. Elas iam desde a derivada do Alfa até o Z, tudo muito reluzente, fazendo-me pensar que eram feitas de ouro. Os livros eram das mais variadas cores, tamanhos e idade. Existiam livros que pareciam terem sido resgatados da biblioteca de Alexandria, de tão velhos que eram. Mas também livros um pouco mais novos, porém não mais recentes que tia Amélia.

Três mesas feitas com a mesma madeira das estantes estavam plantadas no meio da biblioteca, indo de uma parede a outra, quase beirando a janela, muito limpa por sinal. Entretanto, o mais belo e estonteante era o teto, todo pintado a mão, revestido por uma pintura que não ficaria nada atrás do Juízo Final de Michelangelo da Capela Sistina. Mesmo criança, tive a impressão de que as estantes e aquele mundaréu de livros desejavam alcançar o céu e toda a sabedoria que lá em existia, pois já dizia vovó que, no céu Deus morava, e Deus tudo sabia.

Não me deterei mais na descrição deste lugar por duas causa: muitas páginas seriam insuficientes, e deixaria o leitor enfadado com tantos detalhes. Mas permita-me apenas dizer o que naquele céu rodeado de homens barbudos e mulheres bem contornadas havia: em letras milimetricamente desenhadas uma frase escrita numa caligrafia digna da escrita dos anjos, se eles escrevem: “Cognoscendi studium homini dedit Deum eius torquendi gratia”.

Já sabia ler, e muito bem, inclusive ganhara há poucos dias a medalha de ouro de melhor aluno da classe, mas latim, para mim e minha pouca idade era muito. Pressentia, porém, que aquela frase dizia muito, e tinha certeza que ainda saberia o que significaria aquelas letras tão atraentes, em cor de prata incandescente. De fato, algum tempo depois descobri o que significava, e foi mais uma peça-chave para toda a viagem que você fará comigo por aqui.

Contudo, outra coisa desde o início atraia minha atenção: aquele odor desconhecido e atraente. Sim, era um cheiro muito diferente, chegando a ser viciante. Um ditado que sempre ouvia dizia que o peixe morre pela boca. E eu tinha sido fisgado pelo nariz. Aquele perfume não se assemelhava a nada que poderia existir do outro lado da porta que ainda continuava fechada. Tinha notas misteriosas, e seu aroma era insinuante e atraente.

digitalizar0005 (2)Sim, atraente. Não consegui ficar parado e com o nariz bem preparado parti à procura da origem daquela fragrância misteriosa. Sentia que pelo ar aquele perfume me chamava até ele, naquele paraíso para quem ama livros. Uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete... foi na sétima estante, no livro de número doze, na terceira prateleira que enfim encontrei a fonte. Não era nada parecido com um vidro de perfume, nem ao menos um jarro de essência. Era simplesmente um livro.

Grande, um pouco velho como tudo ali, com aquela aparência tradicional de livro antigo, as páginas sempre amareladas. Titubeei alguns segundos, até que minha mão foi ao encontro daquele livro. O livro estava quente, como se alguém já estivesse passado por ali e, sem eu querer, involuntariamente, o livro preso á minha mão foi direto ao chão, abrindo-o em um só movimento.

O perfume do ar aumentou consideravelmente a ponto de me deixar tonto. Vi tudo rodar. Tive a impressão de estar dentro de um furacão, mas com os pés no chão. Olhei para cima e vi entre um arco e outro do teto a pintura de uma moça, de pele clara e cabelos castanhos, com um belo vestido de rosas. Foi a última coisa que me lembro de ter visto na biblioteca da tia Amélia. Depois disso, cai em cima do livro, sendo sugado aos poucos pelo perfume. Era como se eu estivesse entrando no aspirador de pó que mamãe usava lá em casa. Do que aconteceu ainda na biblioteca, antes de ir para aquele outro lugar, não me lembro de mais nada.

Ah, estou recordando: ainda na biblioteca, a vitrola que até então estava muda ao lado da janela, começou a tocar Vivaldi, mais precisamente a Primavera das Quatro Estações.

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domingo, 6 de fevereiro de 2011

Primeira Consagração - 2011

Um comentário :
No dia 29 de janeiro de 2011, sete noviços palotinos consagraram-se a Deus na Sociedade do Apostolado Católico, na Paróquia São José, Curitiba / PR.



Agredecemos ao Pe. Valdeci Antonio Almeida, SAC, do blog Com Deus, Tudo Posso pela filmagem, edição e compartilhamento do vídeo!
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