sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O apóstolo incansável

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Você conhece São Vicente Pallotti?
Apóstolo incansável
Caros amigos de São Vicente Pallotti! Nossa caminhada junto da vida deste grande santo será feita agora a passos largos. Não que nos falte empenho ou desejo de estudar sua vida e seus feitos a fundo, mas o fato é que Pallotti jamais descansava, fazendo com que tivesse inúmeras atividades ao mesmo tempo, por anos a fio. Por isso, não se assuste com nossos avanços cronológicos, ainda assim estaremos junto de nosso santo.
A primeira impressão que temos diante dos numerosos ministérios sagrados assumidos por Pallotti é que ele não daria conta de tudo. Seu dia, nos anos que seguiram sua ordenação sacerdotal, era intenso: pela manhã atendia no confessionário, em seguida, celebrava a Eucaristia em lugares diferentes, conforme necessário. À tarde de todos os dias úteis, exceto aos sábados, orientava as discussões na Academia da Universidade Sapienza. À noite, pregava ao ar livre e dirigia o Oratório Noturno. Nos dias santos dava assistência aos meninos do Oratório do jardim. Havia, depois, as reuniões com os colaboradores; os exercícios espirituais; além de ser diretor espiritual de diversas pessoas.
Em 1824, sua mãe, Maria Madalena, ficou gravemente enferma. Os seus sofrimentos eram agudos, mas dotada de fibra vigorosa pode lutar, por muito tempo, contra a doença. Em 1827, as dores se tornaram mais fortes, quase insuportáveis. Maria Madalena lutou até o dia 19 de julho, festa de São Vicente de Paulo, quando faleceu. Seu filho Vicente estivera todo o tempo ao seu lado.
No outono de 1827, o padre Vicente foi nomeado Diretor Espiritual do Seminário Romano, o seminário da diocese de Roma. Dedicou-se com especial carinho a este serviço, convencido que estava de que daquele Seminário dependia a santificação não só do clero romano, mas também de todo o mundo católico. Tanto trabalho e a grande austeridade que impunha em sua vida alquebraram ainda mais seu organismo, que já não era demasiado forte. Parentes e amigos rogavam-lhe que diminuísse o ritmo das atividades, mas ele respondia invariavelmente: “Iremos descansar no Céu”.
Se a sua atuação no Seminário Romano o ajudou a aprofundar a espiritualidade sacerdotal e a reavaliar o sentido do ministério, o encargo exercido alguns anos mais tarde, em 1833, no Colégio Urbano da Propagação da Fé ampliou-lhe os horizontes e abriu-o às realidades missionárias da Igreja.
Com o passar dos anos, o ministério da Reconciliação tornou-se para o Pe. Vicente a ocupação principal. O padre Rafael Melia, um de seus colaboradores, declarou: “o principal ministério a que se dedicou o Servo de Deus foi o de confessar, da manhã até a alta noite”. Pouco a pouco o número de penitentes foi se ampliando. Nos anos trinta e quarenta, a cada quinze dias, confessava-se com ele o Cardeal Luigi Lambruschini, bem como o Papa Pio IX.
Na época em que, em torno do Padre Vicente, diminuía a família natural, crescia uma progênie espiritual, gerada e alimentada pelo ministério, pela pregação e pelo confessionário. Não nos referimos somente aos colaboradores, mas a um grande número de homens e mulheres que o reconheciam pai e mestre. O padre Vicente Pallotti teve, de três maneiras diversas, o dom da paternidade espiritual e do ensino. Foi, antes de tudo, pai e mestre.
Assim já vamos percebendo o dom que Vicente tinha de atrair as pessoas para Deus. Os homens que estão próximos de Deus, e que buscam sempre a santidade, não necessitam de muitos gestos, mas seu próprio testemunho fala aos corações. É impossível acompanharmos o padre Vicente sem nos sentirmos tocados e impelidos a fazer como ele fez.
Assim, continuamos nosso itinerário imerso na vida de nosso grande santo. No próximo número veremos suas características espirituais, bem como os primeiros movimentos do nascimento da União do Apostolado Católico. Mas, enquanto isso, procuremos sempre mais sermos discípulos missionários incansáveis, para a infinita glória de Deus e para a salvação das almas, a exemplo de São Vicente Pallotti. Até a próxima!
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Série "Você Conhece São Vicente Pallotti" (Clique no link para acessar)
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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Luiz Inácio, o SUS e o Sírio

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A doença do ex



O filósofo Gabriel Marcel, na metade do século XX, lucidamente afirmou que quanto mais a tecnologia avança na vida do homem, mais recua o lugar da reflexão. Não temos espaço para o recolhimento, para o silêncio e, por fim, tornamo-nos monstros do ego, criaturas abomináveis autocriadas pelas mãos que ultimamente só sabem deslizar pelos ipods da vida.

Tudo isso para chegar a um só ponto: no ti ti ti que criaram, a partir das redes (anti) sociais ao redor do aposentado Luiz Inácio, e de sua doença, nacionalmente conhecida. De um lado, os que bradam: “Vai se tratar no SUS”, na outra trincheira, os bolcheviques que gritam: “No Lula ninguém toca. Porque o outro também não o fez?”. E todo esse falatório leva para onde? Para lugar nenhum. É fomentado pelas redes sociais que, até hoje no Brasil, não fizeram politicamente nada de bom.

Vamos jogar as cartas sobre a mesa. E vamos colocar tudo em alvos panos.

Sempre deixei claro que nunca fui amigo de Luiz Inácio, nem tampouco simpatizante. Mas isso não quer dizer que me alegro pela sua enfermidade. Muito pelo contrário: como ser humano, ser criado, ser encarnado, filho do mesmo Deus que eu, desejo sua rápida recuperação. Ninguém merece o mal e, ainda que de vozes dissonantes, quero que Luiz Inácio fique bem.

Mas o que precisamos compreender é um só fato: Luiz Inácio sempre foi sinônimo de contradição. Como costumam fazer na filosofia, podemos dividir sua história em dois períodos: primeiro Lula e segundo Lula. Um será totalmente o oposto de outro. Os demais equívocos entre o metalúrgico e o presidente deixemos de lado para focarmos em um só.


Na campanha presidencial de 2006, Luiz Inácio bradou inequívoco em um dos falaciosos debates televisionados: “o Brasil não está longe de atingir a perfeição no tratamento de saúde”.

E eu, na ocasião, achando que estava ouvindo mal.

Em 2010, o digníssimo presidente foi inaugurar uma Unidade de Pronto Atendimento do SUS, em Recife. E mais uma vez disse: “esta unidade está tão bem localizada, tão bem estruturada, que dá até vontade de ficar doente para ser atendido”. Pois bem, Luiz Inácio, o que o senhor fez quando, depois de algumas horas, teve uma crise de hipertensão na mesma cidade? Internou-se num hospital privado!

E agora, depois de oito anos de seu majestoso governo, e mais um de sua afilhada, o que melhorou no sistema de saúde brasileiro?

Melhorou que Lula agora é tratado no Sírio-Libanês. Onde a diária de um quarto simples custa R$ 750. Já a UTI, por dia, sai em média por R$ 2.133. Do diagnóstico de sua doença, ao início de tratamento, vão correr apenas quatro dias.
Agora, se fosse ao perfeito SUS de Luiz Inácio, uma pessoa com os mesmos sintomas que ele demoraria cerca de 30 dias para ser examinada corretamente, mais 70 para começar a quimioterapia e mais 110 caso necessitasse de radioterapia.

Se há um barulho extra em torno da doença de Lula, é porque não conseguimos compreender mais essa contradição. A saúde pública, no SUS. A saúde da República, no Sírio-Libanes. Aí podemos compreender quando Lula dizia que a saúde beirava a perfeição: a perfeição do Sírio-Libanês.

Não quero fazer piada. Não quero fazer afundar o ex-presidente. Só quero um pouco de coerência na política brasileira. Só um pouco mais de reflexão e ação.
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