domingo, 19 de fevereiro de 2012

Sobre certos modismos...


"Mamãe, não quero ser Neymar"

Quando crianças, sempre buscamos heróis ou ídolos, imagens às quais nos agradaria imitar, fazer como tal, copiar, porque nos transmitem segurança, inspira-nos bons modos e o melhor de tudo: tem todas as capacidades do mundo, desde construir até salvar. Parece que começa pela figura do pai... E a psicologia explica tudo isso muito melhor do que eu, seja a de botequim ou a de Freud.

O fato é que, quando Neymar, o jogador dos Santos, estourou no mundo do esporte, não foi raro ver que junto com sua habilidade lançou moda e arrastou uma multidão: um cabelo mal ajustado, mal colorido, mal alisado, mal cortado. Mas que virou marca registrada. E as crianças foram as primeiras a fazer de Neymar uma figura a ser copiada. Era um novo herói que reflete os nossos tempos, por ser habilidoso com a bola, malandro e moleque. Novo, fez e vai continuar fazendo fama.

Até aí, conseguimos engolir como a uma colherada de farinha de puba. O pior é ver que o modismo não parou na infância, mas se estendeu à juventude e também àqueles que já superaram essa fase. O famoso “moicano” está em mais cabeças do que nunca. Alguns passeios pela orla de nosso litoral neste verão puderam mostrar que estamos usando nossas cabeças para sermos como os outros.

Aí a puba quase não desce esôfago abaixo... Com o respeito à pessoa Neymar, aceitar que o modelo de nossas crianças, e sobretudo jovens, seja o estereótipo da malandragem e da fama, do dinheiro e da “curtição”, é aceitar a mediocridade de nossa cultura e a falta de preocupação com o futuro. É espantoso ver que estamos como que um frágil barco à deriva dos conceitos estéticos da moda (o que é o belo?). É doloroso ver nosso “placet” sobre tudo isso.

Sobre isso e mais um pouco, pois poderíamos entrar no problema que a febre da música de Michel Teló esconde por trás da popularidade. Mas isso é tema de outra reflexão (agudíssima) nossa.

Conheci uma criança tão normal que teve também seus “heróis” conforme as fases de seu crescimento: o pai, o padre, os Rangers, o Churchill, o papa... Hoje, quando não mais criança, não conheço suas opiniões e escolhas. Mas de uma coisa tenho certeza: se criança ela hoje fosse, não quereria ser como Neymar.

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5 comentários :

Servo de Deus disse...
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Servo de Deus disse...
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Servo de Deus disse...
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Marcos Sales disse...

Amei o texto...

Alias o meu novo blog é http://aigrejaquefala.wordpress.com/

Abraços

Silvana disse...

Pois é...a coisa está difícil mesmo... o mundo está produzindo um bando de "Maria vai com as outras", pessoas sem senso de ridículo e sem personalidade. Tudo bem admirar alguns "personagens" de nossa história, mas daí a copiar tudo o que fazem, do cabelo até a malandragem é um pouco demais prá minha cabeça...lamentável mesmo.