sexta-feira, 15 de julho de 2011

A Atualidade da Família


Os Pinguins do Papai

O cinema sempre foi porta voz do pensamento de uma nação ou a vitrine da situação na qual vive determinado povo e, como toda arte, sempre lançou um grito vindo dos submundos mais obscuros da consciência do artista, ainda que sempre disfarçado com um bocado de pó de arroz.

Na arte da grande tela já vimos Chaplin ironizando o líder nazista com seu bigode avacalhador diante do temor das mordaças das repressões múltiplas. Vimos o homem representar macacos ao tentar estabelecer relações com sua darwiniana desorigem, como também assistimos tantas odisséias no espaço para tentar materializar o sonho da conquista sem fim.

Seja um canto à alegria, seja um retrato da história ou um protesto indignado, haverá sempre – diante do cinema de hoje já sem tanta frequência – uma mensagem a ser transmitida pelo desenrolar do enredo e um espectador que, dotado de emoções, poderá ser influenciado ou não por aquilo que vê.

O fato é que o cinema acabou tornando-se máquina de dinheiro e suas produções querem não mais fazer rir ou chorar a quem assiste, mas encher as salas de cinema e com um forte marketing vender a marca. Não raras vezes ouvimos vozes que desejam rever um Ben Hur, Sinos de Santa Maria, ou Dr. Jivago: talvez esta nostalgia não seja sem fundamento. Ainda assim, nas superficialidades açucaradas de nossos filmes, é possível chegar a algumas conclusões e lições de diversas dimensões.

E foi a uma que cheguei quando terminei de assistir a mais nova estreia de Jim Carrey, Os pinguins do papai. Não tenho por objetivo aqui fazer uma análise crítica do filme, da produção, atores ou trilha sonora, mas sim daquilo que ele apresenta ao público. De cinema entendo coisa nenhuma, mas este filme se esforça por ser atraente e engraçado. Nunca achei graça nas comédias de Carrey, desde o insuportável do “O Máscara”, sempre tão forçadas e previsíveis, contudo, agora ele está visivelmente mais velho e suas piadas continuam insossas – todavia isto é apenas um detalhe de cunho pessoal. Mas o fato ápice destas linhas não é esse, se não a situação da família que o filme apresenta.

Está bem, vou deixar um pouco de meu espírito ranzinza de lado e dizer que o filme é leve, mamão com açúcar, termina com um “e viveram felizes para sempre”, deixando uma lição nas entrelinhas. Mas até chegar ao “The End”, o filme mostrou claramente a calamitosa situação da família: desagregada, esfacelada, quase que inexistente, como se fosse de importância mínima, atrás inclusive de pinguins – se bem que no filme são eles que salvam a família.

De um lado um rico e bem vivido corretor de imóveis. Em um grande e frio apartamento vive sozinho apesar de ter dois filhos. É divorciado e os filhos passam os finais de semana com ele – obrigados, diga-se de passagem. As crianças não chamam o pai de pai, mas pelo sobrenome, precedido por um formal “senhor” (!). O pai não sabe a idade das crianças, bem como não sabe demonstrar-lhes afeto, carinho, tentando substituir isso com presentes.

O dinheiro nunca trouxe-lhes felicidade. E a família – o que é isso mesmo? – some da tela. Até que surge ninguém menos que um pinguim, herança do pai protagonista. E será o pinguim, ou melhor, os pinguins, o ponto de convergência entre o Sr. Popper, seus filhos e sua ex-mulher.

Não importa lembrar o resto do filme, pois a reflexão que fazemos já nos primeiros minutos é mais importante e séria que todo o resto. Já que um dia se perguntaram para onde caminha a humanidade, vale a pena perguntar-se novamente: é necessário agora interrogar-se para onde caminha a família, sustentáculo da sociedade e por sua vez da humanidade.

Não consigo ver um futuro sem família como querem os poderes materialistas e imediatistas. Só há o vazio onde não há o amor próprio dos pais e dos filhos. Há o gelo, o gelo e o nada apregoado pelas filosofias hedonistas, individualistas, onde o eu basta a si mesmo e o mundo ao redor é o inferno.

O filme “Os pinguins do papai” retratou bem como estamos: caminhando para o abismo. Entretanto, só depois de sair do cinema e apertar o botão da curiosidade fiquei sabendo que esta gravação é baseada em um conto infantil da década de 30. Maior não poderia ser minha surpresa! Há tempo estamos vendo a decadência de certos valores – imprescindíveis – e continua-se a confundir, achando que o feio é belo, que o imoral é moral, que o anormal é normal, que o errado é certo.

É como escreveu Pio X em uma de suas sábias encíclicas: precisamos salvar sociedade! E para isso os homens e mulheres que ainda prezam os valores precisam mostrar ao mundo que Deus é presente, está em nosso horizonte e seu amor nos completa, sustenta e movimenta. É preciso mostrar que a inversão de sentido que acontece hoje está errada. Deus fez homem e mulher e exortou-os a, unidos, multiplicarem-se!

Precisamos cada vez mais de apóstolos leigos, de famílias, que expressem a todos a felicidade de cumprir a vontade de Deus, ainda que nas intempéries da vida. Não podemos ter medo de dizer que somos pela união da família, pela fidelidade conjugal, pela união matrimonial de homem e mulher, pelo nascimento de seus filhos! Ainda que sejamos rotulados de retrógrados, é melhor sê-lo nesta situação que progressistas na bancarrota!

Entre claquetes e desabafos, creio piamente que o cinema retrata a sociedade e a nossa ocidental parece em crise. Mas não para aqueles que têm esperança e acreditam na sobrevivência e fortalecimento da família. No fim das contas vale a pena assistir ao filme “Os pinguins do papai” e ver evidenciado os tantos erros do hoje e, tomados de coragem e amor, colaborar na urgente mudança da mentalidade liberal. Ainda que isso pareça ser o nado contra a maré. Mas... Talvez nesta travessia também os pinguins nos ajudem.

Share this article :

2 comentários :

Silvana disse...

Edvaldo, assim como você, eu não gosto muito do Jim Carrey, mas diante das coisas que vc conseguiu ver no filme, fiquei até curiosa. Realmente o mundo está precisando de gente que não tenha medo de se colocar contra as coisas que a maioria acham "normais", o problema é que de tanto ver e ouvir em todo os os meios de comunicações, as ditas coisas "erradas", acabam virando normais, e aí é que mora o perigo!
abraço.
Silvana

Martha disse...

Olá Edvaldo! Porque você não cria uma sessão dedicada ao cinema? Suas reflexões cristãs são muito boas e vale a pena explorar os filmes quanto a isso.
fica aí a dica.
sucesso no blog!
Martha