Sobre as palavras de Bento XVI

A LUCIDEZ DE BENTO

Não é de hoje que Joseph Ratzinger é conhecido pela grande e aprimorada formação teológica bem como pela vasta produção literária que, somando livros, documentos, exortações, encíclicas, teses e artigos, chegam a 600 títulos. Apesar de ser o líder da Igreja Católica, que reúne cerca de 1,2 bilhão de fiéis, chefe de um Estado, trabalhar em cima de assuntos delicados e decisivos, ter oitenta e quatro anos, ainda é um homem simples e dotado de uma lucidez sem igual.

Seu rosto já traz há algum tempo as marcas imprimidas pelo tempo e acentuadas por intempéries pelas quais a Igreja navegou. Seu olhar fundo, concentrado, gentil e sóbrio, transmite mais do que nunca uma lucidez que só pode ser encontrada em pessoas de fé sólida, profundamente arraigada em Jesus Cristo: esta é a fé de Bento XVI, a fé que ele deseja ao mundo.

No recém publicado “Luz do Mundo”, livro com entrevistas realizadas pelo jornalista alemão Peter Seewald com Sua Santidade, confirmam-se todas as características acima citadas e além do mais, revelam um homem afável e preocupado ao mesmo tempo, que quebra todos os preconceitos que o mundo formou sobre aquele alemão eleito para suceder o carismático Papa Wojtyla.

O livro nos transmite, em primeiro lugar, a sensação de estarmos entrando na intimidade do homem de branco: aquilo que ele pensa é fielmente impresso no papel. Talvez este seja o livro-entrevista mais pessoal e íntimo desde que este tipo de publicação foi autorizada, pela primeira vez, por Paulo VI.

Depois de lermos as 218 páginas da edição brasileira temos a impressão de que cada tema levantado – tantos que geraram polêmica - é de grande preocupação para o Papa. É como um pai que está atento a tudo que acontece em sua casa, alegrando-se com o sucesso dos filhos, entristecendo-se com seus tropeços, contudo, sempre disposto a caminhar junto.

O papa fala de sua eleição, dos escândalos dos abusos, da crise econômica, da catástrofe ecológica, da ditadura do relativismo, da reforma litúrgica, da mensagem de Fátima, do Ecumenismo e da conversão do ser humano, entre outros assuntos.

O que está na raiz de tudo é a grande preocupação – e pelas palavras vemos que isso lhe causa imensa dor – que Sua Santidade tem com o mundo que a cada dia mais exclui Deus de seu horizonte. Em sua humilde opinião, no fato de preterirmos Deus em nossas vidas reside a origem de todos os problemas.

Este livro mostra como Bento XVI é totalmente o contrário daquilo que a mídia descompromissada com a verdade pinta dele. É um homem com a capacidade de conhecer, compreender e aprender. E está sempre a nos ensinar. “Luz do Mundo” é uma obra recomendável para todo católico: nela encontramos o combustível para nossa fé. Através de uma fala simples, mas incisiva, sempre em primeira pessoa, vemos que a Barca de Pedro possui à sua frente um homem forte que não por vontade própria, mas por graça divina de manifesta com luz. É uma leitura séria, mas agradável que responde diversas perguntas do inquieto homem do século XXI.

Bento XVI é o profeta que nos lembra a necessidade de defender a fé, sendo ele o primeiro das fileiras nesta batalha. De espírito agudo, o Sumo Pontífice mostra como ser Luz do Mundo nas trevas do hoje. Se todos o acompanhassem com devida atenção veriam que seu pontificado surpreende, pois o papa fala de seu coração ao coração do ser humano contemporâneo.

Basta ler este livro e notaremos o que há muito deveria ser visto: um homem dotado de uma lucidez que já se é difícil de encontrar. E nós bem sabemos de onde vem essa luz: de um Outro, infinitamente maior que todos nós, visível neste mundo por exemplos como o de Bento XVI.

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