André: aquele que não soube explicar tudo

Doce é a figura de André, que nada guarda para si diante do Mistério. Além disso, é a ponderação que faltava ao seu tempestuoso irmão, Pedro, mas sempre pressuroso ao contemplar a novidade anunciada por João Batista, a promessa de Deus que se figurava carne ali, diante de seus olhos tão humanos.
André é discreto e o segredo de sua mística não está em ser o primeiro a ver o “Cordeiro de Deus”, mas em saber o que fazer diante do Tudo. Eis o que me impressiona em André: ele não conseguiu explicar tudo, e não conseguindo arrastou o irmão até a origem de seu estupor! “E conduziu-o a Jesus!” eis a nota do quarto evangelista, que não narrou nada além disso, nenhum detalhe a mais, nenhuma nuance expressiva, mas simplesmente atestou a pressa e a prontidão em comunicar aos outros o encontro que mudara sua vida! André sentiu que aquilo era para ele, e partiu em busca da novidade, a novidade que leva ao encontro, encontro que faz com que o homem perceba que existe resposta ao seu coração!

“Encontramos o Messias”! Eis a fonte da santa afobação e da alegria de seu anúncio: uma pessoa e um encontro, um testemunho e um anúncio! Eis a missão do discípulo: diante daquilo que simplesmente É, não são necessárias muitas palavras ou ricas explicações, mas a explicação de tudo, não feita por André, é totalmente perfeita porque é caminho de discipulado. Não precisamos compreender tudo, precisamos seguir o Tudo, assim nossa vida não será mais uma coisa nossa. Assim não duvidaremos sequer um momento.

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