Livros

Quando Cristo fala

Atualmente, não é fácil encontrar um livro com temática religiosa de grande tiragem e número de vendas, que tenha sido escrito para os leitores em geral, que não gire em torno do tema da auto-ajuda. Na busca desenfreada pelo ter, os seres humanos se depararam com um abismo cavado sobre sua própria essência, e diante desta perca do ser, exigem para si, perante as visíveis consequências, palavras confortadoras e otimistas, fórmulas prontas conforme a força do pensamento.

Seja talvez por ter sido escrito em 1976, e influenciado por todo o contexto libertador do período pós Concílio Vaticano II, Meu Cristo Partido não corre o risco de ser taxado como um livro de auto-ajuda, nem de cair na mesmice das levas de obras que as muitas editoras nos oferecem hoje. Mas antes disso, é um livro de cunho religioso que leva o leitor a uma profunda reflexão, até mesmo dolorosa, se este se entregar verdadeiramente à leitura.

Quase beirando a um romance, Meu Cristo Partido é a grande obra do sacerdote espanhol Ramón Cué, que de forma simples e direta conseguiu criar uma narrativa envolvente, que prende o leitor na ficção escrita sem floreios ou voltas. Formado na rigidez dos seminários da Companhia de Jesus, o jesuíta Cué não deixa escapar essa influência nas linhas que escreve, sendo cuidadoso ao tratar do tema da necessidade de voltarmos os nossos olhos ao irmão que é desprezado e passível de todos os sofrimentos.

Dentro deste assunto o autor discorrerá todo o livro, contando a história como que em um programa de televisão, partindo do momento que ele, entre idas e vindas nos antiquários de Sevilha, encontra um Cristo muito bem talhado em madeira, mas totalmente partido e despedaçado, e por ele fica encantado, desprendendo assim uma grande quantia para levá-lo para casa.

Aí que começa toda a intimidade de Meu Cristo Partido. Seguindo por cada parte onde aquela escultura de Cristo sofreu um dano, desde a falta da cruz, passando pela ausência de sua mão direita e de seu pé até o rosto cortado, o leitor é imerso em uma doce espiritualidade, sobretudo quando se depara com o grande trunfo de Cué: as palavras que o Cristo partido troca com o sacerdote. Serão elas que farão com que brilhe sobre esta obra a capacidade de tocar os corações.

É muito provável que cada leitor consiga identificar-se com este pequeno livro, possível de ser lido em poucos dias, mesmo sendo ele escrito há mais de trinta anos. Isto porque ele não foi feito pensando no lucro de sua venda, nem com a vontade de ser mais uma obra sensacionalista, mas sim com a intenção de mostrar o Cristo que está no irmão que sofre, na realidade que mora ao lado e assim fazermos enxergar nossas próprias limitações. Estas limitações não serão completadas com fórmulas prontas, ou com pensamentos positivos, mas a verdadeira mudança acontecerá a partir do momento em que eu ouvir a voz do Cristo verdadeiro. Quebra-se a arrogância que existe em nosso interior para que a necessidade e simplicidade dos pequenos, através da voz de Cristo, fale mais alto.

Curitiba, 06 de junho de 2010
Edvaldo Betioli Filho

Comentários

Como sempre esta tudo muito bom parabéns, assim que der vou ler "Meu Cristo partido".

Abraços.

Cesar.
O blog está cada vez melhor parabéns....ah obrigado por add meu blog a sua lista de blogs amigos.

Abraços.

Cesar.
Margareth disse…
Gostei muito do novo visual do blog.

Quanto ao seu novo post. Vejo que mediante um olhar purificado para com todos aqueles que se cruzam no nosso dia-a-dia é possível encontrar a Cristo; Cristo Vivo, Cristo Partido, Cristo! Em toda a Sua bondade e mansidão.

Parabéns, pelas escritas.

Beijos
Anônimo disse…
Como sempre,muito bom.
Parabéns e Deus o abençõe.

beijo

Edvaldo.
Anônimo disse…
Você possui esta obra digitalizada? Se tiver, pode me enviar? Sua resenha ficou mto boa.

m.luizamendes@yahoo.com

Obrigada,

Maria Luiza.

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