domingo, 15 de fevereiro de 2009

Personalidade


A Mulher que está na moda
“O dinamismo vital mais pujante não reside nos sistemas doutrinários, mas nas vidas exemplares.”
A. Raermacher - Der Glaube ais einheitliche Lebensform
Nunca conheci pessoalmente esta mulher e acredito que também não a conhecerei tão cedo. Aliás, jamais conheci modelo alguma. Mas, por esta, nutro grande admiração, ainda que de moda e estilo eu não entenda nada. Mas vou descrevê-la para mostrar o porquê de minha tamanha simpatia e respeito por esse ícone, que deixa Sophia Loren, em seu tempo de moça, para trás, e até Gisele Bündchen sente-se mal perto dela.

A priori, antes de delinearmos atributos físicos, analisemos sua personalidade, elemento que não fica exposto nas passarelas, mas que a sustenta na vida cotidiana. O primeiro ponto a ser analisado é sua determinação. Sim, ela é uma mulher determinada. Se não fosse isso teria ficado lá trás, como muitas outras, não com menos méritos, mas seu brilho não teria a mesma intensidade.

Foi em uma viagem, comum em seu ofício, que decidiu – mais tarde compreenderás que esta decisão não foi tomada só – mudar o rumo de o seu caminhar. E se sua mente não estivesse no lugar não conseguiria suportar o que viria, obstáculos e intempéries, naturais e comuns, como também aqueles que eram colocados por quem invejava seu brilhar. Queriam apagá-lo, mas é sabido que nós ainda não conseguimos influenciar na vida de uma estrela presente no firmamento.

Amava intensamente e sempre se entregou a esse amor, o qual soube manter com muita fidelidade, embora muitos a rodeassem buscando algo a mais, alguma coisa que faltava. Certa vez perguntaram se sua alegria provinha de seus prêmios conquistados ou de seu poder na mídia, e ela, decididamente, disse que não. Sua alegria tinha fonte naquilo que fazia, para aqueles que fazia e naquele que ela amava, principalmente. E alegria era seu ponto forte. Trabalhava sorrindo, sofria sorrindo, descansava sorrindo. Seu sorriso irradiava um sentimento que fazia bem a todos os que se deixavam tocar por ele. E seu sorriso e seu trabalho tocaram muita gente. Foi divulgar seu trabalho pelo mundo afora, geralmente como quem recebe o título de “Miss”, embora esse título nunca tenha conquistado. Ruanda, Angola, Brasil, Líbano, Estados Unidos, Itália, Índia e outras dezenas de nações tiveram o prazer de ter aquele belo caminhar em seus solos. E todos os países, em um só coro, exclamaram: É uma mulher de personalidade ímpar!

Sem igual é também sua beleza interna e externa. Embora seja magra - não pela anorexia que atinge nossas meninas da moda, mas por sua natureza - tem braços e pernas fortes e se não o fossem não suportariam tantas horas de trabalho e às vezes uma alimentação não tão completa. Tem uma bela voz, já tendo sido solista. Seus olhos encantam e sua afabilidade cativa. Ela é tão notável que não é essa modelo que pede para ser fotografada ao lado de personalidades, autoridades e líderes, e sim eles quase que imploram para posar ao seu lado. Não tem grande estatura, mas parece gigante perto de muitos que nossa sociedade classifica como “grandes”. Suas vestes são tão marcantes que hoje em dia milhares vestem-se igual. Pelo conjunto de sua obra já recebeu diversos prêmios internacionais. Quer uma prova concreta de seu poder alcançado? Basta a afirmação do Secretário Geral das Nações Unidas, classificando-a como “a mulher mais poderosa do mundo”. Não estou falando de Indira Gandhi, nem de Margaret Thatcher, nem ao menos de Ângela Merkel.

Perdoem-me pela redundância, mas esta modelo é um modelo de mulher. Modelo para mim. Modelo para você. Modelo para todo o mundo. Simplesmente modelo.

Modelo não porque desfilava em passarelas sofisticadas de Paris vestindo Prada nem figurava nas badaladas filas de Milão vestindo Valentino. Modelo não porque emprestava seu corpo como manequim para vestir-se de grifes, mas era modelo, pois colocava o seu corpo, e sua alma, a total disposição, como instrumento, revestindo-se de caridade.

Estou falando da albanesa Inês Bojaxhiu. Este nome talvez possa soar estranho e desconhecido, mas logo você se acostumará ou a reconhecerá, por isso, acompanhe-nos.

Nossa modelo nasceu em 1910. Ela decidiu largar tudo com dezoito anos e ingressou em um convento. Professando como religiosa, trocou seu nome. Em uma viagem – como dissemos no início – recebeu de Deus a inspiração: dedicar a sua vida aos mais pobres dos pobres. E foi a partir daí que fez crescer a semente já plantada em seu coração, a semente que a fez ser modelo.

Modelo de determinação, pois renunciou tudo e seguiu a Cristo nos subúrbios, a fim de servi-lo entre os mais pobres. Sua comunidade eram os pobres, sua passarela, na qual trabalhava e não desfilava, eram ruas escurecidas e fétidos becos para mostrar não o que vestia ou a dieta que mantinha, mas para procurar aqueles que não tinham o que vestir e vesti-los, e encontrar aqueles que não tinham o que comer e alimenta-los. E continuou sempre caminhando. Graças a ela os mais pobres puderam sentir que Deus os ama de verdade.

Ela dizia que se existissem pobres na Lua, ela iria até lá, pois o que conta não é o que fazemos, mas o amor que colocamos naquilo que fazemos. Apesar de seu cansaço acumulado decorrente do pouco sono, de comer pouco, de trabalhar e sacrificar-se sem pausas, fez muito mais pelo outro do que todos os programas assistenciais juntos. Isso, porque muito amava. Amava a Cristo nos pobres. Imensamente amou a Jesus, o pobre de Nazaré, o seu modelo, sua grande paixão.

Não foi sem razões que ganhou o prêmio Nobel da Paz pelo seu valoroso trabalho. Deu de comer aos que tinham fome. Deu de beber aos que tinham sede. Cobriu os que estavam nus. Acolheu os desamparados e desabrigados. Evidenciou que a solução para qualquer crise é a eterna caridade.

Jacques Maritain, renomado teólogo, diz que “só a caridade, um dilúvio de caridade, pode salvar o mundo”. E essa mulher, que é uma modelo não só para cristãos, mas para todos aqueles que acreditam em um mundo melhor, acreditou nisso e fez a parte dela, tentou salvar o mundo, defendendo que a caridade desconhece raças e credos, e deixou seguidores que continuam fazendo algo a mais por aqueles que precisam.

Ela é modelo de ser humano. Modelo de personalidade. Modelo de determinação. Modelo de desapego. Modelo de humildade. Modelo de santidade. Modelo de força de vontade. Modelo de esperança. Modelo de fé. Modelo de atitude. Modelo de paciência. Modelo de sofrimento. Modelo de caridade.

Ela é e deve ser sempre nosso modelo. Modelo no século passado ou do século vindouro. Modelo que deve continuar nas passarelas pelo mundo a fora por tempo indeterminado, independente de correntes ou conceitos. Ela é a mulher que está na moda e que nunca sairá. Ela é Teresa de Calcutá.
“Nunca afastes de algum pobre a tua face, e Deus não afastará de ti a sua face” (Tb 4,7)
Dado em Cornélio Procópio (PR), sábado, dia sete de fevereiro de dois mil e nove. Vigésimo sétimo dia de nosso Noviciado.
Edvaldo Betioli Filho
Noviço Palotino
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2 comentários :

Anônimo disse...

Eu sou (ou gosto de pensar que sou, e sei que sou) uma mãe, orgulhosa de ter o filho que tenho (até, mas de ter os filhos). Edvaldo seu texto é MUITO bom. Te parabenizar seria pouco por este texto, pois nele além de escrevê-lo com conhecimento sobre Madre Teresa, você escreveu como poderia dizer: “... só se vê bem com o coração...". Com certeza esta é a diferença essencial entre os que escrevem com amor. E o que vejo nas suas escritas é isso. Foi uma leitura fácil, deliciosa, e que não via à hora de chegar ao fim, para ver quem era essa MULHER, tão cheia de GRAÇA, diante de seus olhos... Mas quando cheguei ao fim. Não seria diferente, mas acredito que cheia de GRAÇA aos olhos do mundo. E rezo a DEUS para que muitas de NÓS mulheres, procurem no dia a dia, espelharmos o mínimo que for neste exemplo SANTO. Sabes bem, que independente de ser tua mãe, sou “GENERAL” em tudo. Assim não poderia deixar de dizer-te: Parabéns pelo brilhantismo do raciocínio, clareza da exposição, objetividade da linguagem e escolha do tema! Nota máxima

Margareth

Anônimo disse...

meu irmao... parabens pelo texto!!! ótimo de ler!!! instigante... cativante... parabéns pelotalento na escrita!!!!!

Madre Teresa, rogai por nós!!!

Carol Zabisky
www.radiobeatitudes.com