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Olhos da coragem

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“Quando perdi a visão, Werner – continuou ela – as pessoas disseram que eu era corajosa. Quando meu pai foi embora, as pessoas disseram que eu era corajosa. Mas não era coragem; eu não tinha escolha. Acordo todos os dias e vivo minha vida. Você não faz a mesma coisa?” (p. 468) Se Liesel Meminger me ensinou a notar as cores, e sua precedência sobre tudo, Marie-Laure Leblanc me tomou pela mão fazendo-me perceber o perfume de tudo o que tem cor, inclusive o cheiro da escuridão. Por duas crianças, unidas pela mesma guerra, aprendi a sensibilidade do tênue ligame entre vida e morte, sorriso e lágrima. Depois de imerso no mundo protagonizado pela ceifadora senhora morte através de páginas tão delicadas e despretensiosas, volto à realidade com uma certeza: o homem precisa ir além daquilo que vê, precisa amar! Antes de tudo, “Toda luz que não podemos ver” é um livro leve, mesmo carregando órfãos, nazistas, bombas e sangue. Mas também leva consigo uma sardentinha perspicaz, curiosa e so...

Presentes de Natal

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Já é costume de nossa sociedade ocidental a troca de presentes no Natal. Bem sabemos que não é este o sentido original da festa religiosa que o comércio tomou para si como carro chefe, no entanto, queremos refletir justamente sobre a questão dos presentes que iremos ganhar neste final de ano. Dias atrás tive um sonho. Estava eu em um Natal diferente, onde as pessoas costumavam não pagar pelos presentes, mas os recebiam gratuitamente. Perguntei então qual era a lógica de tudo aquilo e alguém me respondeu: - Aqui é tudo muito simples: você recebe aquilo que você deu! Quando chega essa época, se você distribuiu amor no ano inteiro, você recebe amor. Se você perdoou, você recebe perdão. Se você acolheu, você ganha acolhida. Se você foi misericordioso, misericórdia será seu mimo. E não para por aí: o tamanho de cada presente é proporcional ao nível teu de gratidão. Por isso, aqui geralmente recebemos na intensidade que agradecemos. Já pensou o que você receberia hoje pelo que agradeceu...

ENSAIO

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Caríssimos, os tempos modernos que à nossa porta batem e em nossos lares entram, são os principais incentivos de tudo o que presenciamos a olho nu. Uma nova cultura surge de mentes fracas para influenciar e atingir mentes mais debilitadas ainda. Acompanhamos tudo passivamente, como se esta crise, que chamamos de crise moral, não nos atingissem. Aqueles bons valores proferidos outrora, da visão mais pessimista, são hoje como água no deserto. Da visão mais otimista, e desta devemos compartilhar sem entrarmos em uma utopia, esses valores perduram por conta da fé, uma vontade interior inabalável que resiste às armadilhas a nós impostas. E devo alegrar-me por ainda existir uma maioria que opte pelos bons ensinamentos que nos transmitem, além de muitos outros, ordem e respeito.Mesmo aplicado nossos esforços, vemos uma ditadura preocupada com a casca, esquecendo que é o in terior do fruto, na maioria das vezes, é o elemento mais importante. Vemos, além de tudo, uma busca incessante por um pra...